35 horas já! No público e no privado.

Esta quinta-feira, 2 de junho, vota-se no parlamento o diploma que repõe as 35 horas semanais dos funcionários públicos. A aplicação dessa medida, que deveria entrar em vigor a 1 de julho em todos os serviços, tem sido alvo de alguma polémica, depois do governo propor uma reposição faseada em alguns serviços da administração pública.35

A luta pela redução da carga horária semanal de trabalho é urgente: não só para travar a sobre-exploração da vida humana em função da maximização dos lucros e para melhorar o bem-estar dos trabalhadores e das suas famílias, mas, acima de tudo, para fazer frente à crise climática que hoje enfrentamos! O atual sistema económico capitalista assenta sobre princípios de crescimento infinito, estimulando a sociedade para altos níveis de consumo material, o que justifica as elevadas exigências de produtividade impostas às empresas e aos trabalhadores. As pessoas são aliciadas a trabalhar mais para consumir mais, consumos que vão muito além das suas necessidades básicas (não só fisiológicas) como seres humanos.

Num planeta finito com recursos finitos, não há lugar para um sistema económico que tem o crescimento como um fim em si mesmo! Lutar por um planeta habitável implica travar as alterações climáticas e a sobre-exploração da natureza e dos ecossistemas, adaptando as necessidades axiológicas e existenciais do ser humano às disponibilidades da economia e da natureza e redefinindo o conceito de bem-estar das sociedades capitalistas.selo35h-publiquemja Reformular o modelo económico, retirando da equação o crescimento e o consumo desenfreado, traduzir-se-á em menores exigências de produtividade em determinados sectores da economia, retirando pressão sobre os trabalhadores, sem significar uma diminuição do número de postos de trabalho e a degradação da vida humana. Ao contrário, essa reformulação permite a redução de horas de trabalho, que por sua vez é uma pré-condição para implementar um modelo económico que não visa o crescimento, ao mesmo tempo que permite uma distribuição do trabalho existente, garantindo que todas as pessoas têm um trabalho satisfatório.

Um mundo que tem que “desacelerar” para evitar o colapso dos seus ecossistemas é uma das maiores janelas de oportunidade que a humanidade alguma vez teve – urge-se por uma transição para uma economia que respeita os limites da natureza e coloca as necessidades do ser humano acima do capital. Essa é uma economia que terá novos sectores de atividade, que gerará novos postos de trabalho e que os distribui pela sua população, não obrigando à exploração dos trabalhadores e eliminando a precariedade laboral.climaximo logo small

Assim, o Climáximo está ao lado dos trabalhadores na luta pela reposição das 35 horas de trabalho – alcançar essa redução é um passo a mais na construção do único sistema económico que garantirá a prosperidade da Humanidade e do planeta!

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