Transportes Públicos: “Trabalhadores e utentes querem respostas urgentes”

Para exigir medidas concretas que invertam o caminho de degradação do serviço público de transportes e na defesa do alargamento da oferta, da melhoria da qualidade e segurança do transporte público e com preços acessíveis, trabalhadores e utentes manifestaram-se, no dia 22 de setembro, na cidade de Lisboa.

O Climáximo participou na marcha, pela defesa e promoção do transporte público – essencial para uma mobilidade urbana sustentável e, por isso, essencial no combate às alterações climáticas

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No fim da marcha, os manifestantes aprovaram a seguinte moção para entregar ao governo:

Moção

«Trabalhadores e Utentes exigem respostas URGENTES!»

Há problemas de gestão, mas há claramente opções políticas levadas a cabo pelos governos que põem em causa a prestação de um serviço essencial aos trabalhadores e às populações.

O desinvestimento, a degradação do equipamento, a diminuição da oferta (horários e percursos), o aumento dos preços, não é obra do acaso. É uma opção política que visa a privatização do transporte publico.

É por isso, que nós, trabalhadores e utentes temos que estão com atenção redobrada. É urgente exigir mais e melhores transportes públicos, mas não aceitando que esta degradação sirva de justificação à entrega deste serviço fundamental à iniciativa privada.

Quem reside fora da Cidade de Lisboa conhece e bem a situação, com esta mesma justificação privatizaram os transportes sub-urbanos. Contudo, hoje pagam mais e têm menos oferta pondo em causa a mobilidade das pessoas (estudantes, trabalhadores e reformados).

Nos últimos 5 anos foi sempre para pior: aumentaram preços, reduziram a oferta, baixaram a fiabilidade e a confiança dos utentes nos transportes públicos. Os transportes públicos transformaram-se num caos, por culpa de um governo (PSD/CDS) que quis destruir todos os serviços públicos e transformá-los em negociatas à custa dos utentes e do Estado.

O actual Governo em funções à quase um ano, não prosseguindo na mesma política, nomeadamente travando a privatização que o anterior governo tinha em concretização, não é menos verdade que em questões centrais tem-se limitado a fazer promessas, a adiar soluções urgentes e a desculpar-se com as pressões externas. E o sistema continua a degradar-se, e está mesmo a entrar em colapso.

Ao mesmo tempo que adiam as respostas urgentes, vemos os membros do Governo a multiplicarem-se em promessas para o futuro – autocarros eléctricos, ciclovias de centenas de quilómetros, expansão da rede, bilhetes desmaterializados, investimento em material circulante para daqui a uns anos, etc – ao mesmo tempo que dizem ser precisos 10 aos para reparar os estragos feitos pelo anterior Governo. Os estragos foram muitos, é verdade, mas num país com um milhão de desempregados, é assim tão difícil contratar 45 maquinistas, 150 motoristas ou 80 operadores comerciais? Ou estamos perante uma mera gestão política do problema, que tem como único objectivo disfarçar com ilusões e promessas a ausência de medidas concretas e efectivas?

É por isso que dizemos: Com a nossa luta, travámos os processos de privatização, mas queremos respostas urgentes:

  • que acabem com os tempos de espera excessivos,
  • com os preços abusivos,
  • com a degradação da qualidade, da fiabilidade e da segurança.
  • E isto é urgente para a nossa vida!
  • Queremos um sistema público de transportes públicos acessível e de qualidade, e vamos lutar por ele!

Exigimos que contratem os trabalhadores necessários para repor a oferta de transporte e para devolver qualidade ao sistema (é preciso passar das promessas às medidas concretas:

  • já em Março prometeram 30 novos maquinistas para o Metro, dos 45 que faltam, mas ainda não entrou um e estamos a acabar Setembro!
  • E faltam trabalhadores comerciais e na manutenção, e faltam trabalhadores também na Carris, na Transtejo, na Soflusa, na CP e na EMEF).

Exigimos que libertem as verbas necessárias para se fazer a manutenção dos comboios e dos barcos. O Orçamento de Estado tem garantido o pagamento de todas as «swaps» e todas as «dívidas» aos bancos, também pode libertar as verbas muito inferiores necessárias à manutenção e acabar com o escândalo de estarem 18 (sim, dezoito!) comboios parados no Metro à espera de peças enquanto os utentes vão ouvindo desculpas sobre atrasos e anúncios de supressões ou circulações reduzidas).

Exigimos que avancem com os investimentos inadiáveis em vez de prometerem uma e outra vez grandes investimentos para daqui a uns anos (lancem o concurso para o alargamento de Arroios que permitirá colocar a linha Verde a 6 carruagens e acabar com o inferno que aqueles utentes passam; e em Cascais não é possível continuar a adiar a modernização, ou o sistema ainda colapsa!)

E além destas medidas, urgentes e inadiáveis para inverter o rumo de destruição dos transportes públicos, é fundamental reduzir os custos brutais que os utentes hoje suportam, atraindo novos utentes para o sistema, o que só acontecerá se se melhorar a oferta e a qualidade!

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