Comunicado | Ativistas vão encerrar mina de carvão antes da COP-23

“Ende Gelände” convoca desobediência civil contra políticas climáticas desastrosas

O Climáximo vai participar na ação massiva de desobediência civil entre 3 e 5 de novembro pela qual ativistas do clima vão encerrar temporariamente uma mina de carvão a céu aberto. A aliança para a ação “Ende Gelände” exige a paragem imediata da extração de carvão, por uma questão de justiça climática. Ela critica o governo alemão por provocar alterações climáticas desastrosas pela mineração excessiva de lignite.

O Climáximo apoia, convoca e participa nesta ação, e relembra que o carvão é responsável por quase 20% das emissões de gases de efeito de estufa em Portugal, principalmente provenientes das centrais termoelétricas de Sines e do Pego. Os últimos governos (incluindo o presente) não definiram um plano de transição justa para encerramento destas centrais (sem prejudicar os trabalhadores e comunidades que neste momento dependem desta indústria); em vez disso, subsidiaram a EDP e facilitaram a permanência em Portugal de empresas poluentes.

A ação “Ende Gelände” vai ter lugar na mina de carvão da Renânia, a apenas 50 km de Bona, onde irá decorrer a 23ª Cimeira do Clima da ONU (COP-23), presidida pelas Ilhas Fiji, entre 6 e 17 de novembro.

A Alemanha finge ser um líder em políticas climáticas, mas a sua indústria está de facto dominada pelo carvão” comenta Insa Vries, porta-voz da Ende Gelände. “Logo antes da cimeira do clima, vamos abordar este ponto sensível. Toda a conversa sobre a mitigação é uma hipocrisia – se não deixarmos os combustíveis fósseis no solo – agora!”

Ao mesmo tempo, um grupo de habitantes de ilhas do Pacífico chamado “Pacific Climate Warriors” irão realizar uma cerimónia tradicional em solidariedade com a ação. Sob o lema “não estamos a afogar-nos, estamos a lutar” os Pacific Climate Warriors exigem o fim dos combustíveis fósseis para manter as suas ilhas acima do nível das águas.

Os nossos políticos estão a falhar-nos, por isso vamos nós próprios encerrar essas minas sujas.” diz Janna Aljets, porta-voz de imprensa da Ende Gelände. “Vamos levantar-nos em solidariedade com os povos do Pacífico – e de todo o mundo – cujas vidas estão a ser destruídas pela indústria dos combustíveis fósseis” declara, sublinhando os impactos devastadores das alterações climáticas que estes povos já estão a sofrer, tais como condições meteorológicas extremas, subida do nível do mar e secas crónicas.

A aliança Ende Gelände já organizou no passado ações de desobediência civil bem-sucedidas, como em agosto de 2017, em que milhares de ativistas bloquearam as linhas de fornecimento da maior central de carvão (Neurath) na Alemanha.

O Climáximo vai mobilizar, pela primeira vez, um grupo de ativistas portugueses para a Ende Gelände, que irá comunicar os desenvolvimentos da ação em tempo real.

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