Climáximo convoca para a Manifestação pela Habitação – 22 de setembro

No dia 22 de setembro, às 15h00, em Lisboa e no Porto, vamos marchar pelas nossas casas e pelas nossas vidas.

Reestruturação neoliberal do espaço urbano

As casas já não casas mas são imóveis. Jardins e praças tornaram-se esplanadas dos hotéis ou restaurantes, para usufrimento pago. Os bairros ou são “center of the old town“, ou são “excelente oportunidade de investimento”. O que foi nos vendido como revitalização da cidade foi a retirada da vida em substituição por um centro comercial ao ar livre.

Tornar cidades inteiras em mercadorias e expandir a precariedade para a vida urbana foram e são decisões políticas deliberativas.

Defendemos habitação digna e acesso à cidade como direitos urbanos.

Reestruturação neoliberal das cidades

Para além disso, a crescente bolha de especulação imobiliária a que temos estado a assistir, um pouco por todo o território nacional, mas em particular nas grandes cidades, tem como um dos principais efeitos a expulsão de muitos dos moradores mais pobres para as periferias, passando grande parte do centro da cidade a estar na posse de empreendimentos turísticos, a ser usado por visitantes ocasionais e constituído por segundas e terceiras moradias.

Ora, as consequências ambientais desta dinâmica não poderiam ser mais drásticas. Pessoas que antes moravam a pouca distância dos seus empregos vêm-se agora obrigadas a fazer deslocações cada vez maiores para chegar aos seus locais de trabalho. Em contrapartida, muitos dos novos donos das moradias no centro apenas as utilizam alguns meses por ano, fazendo para isso viagens de avião (na maioria) para as visitar. Tudo isto numa lógica, dita “de mercado”, que faz cada vez menos sentido, num planeta com recursos finitos e onde a necessidade imperiosa de reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis e optar por estilos de vida mais sustentáveis e éticos é cada vez mais inadiável.

Pelo que é que lutamos?

A presença da Climáximo numa marcha sobre a habitação justifica-se pelo facto de o edificado habitacional também gerar elementos poluentes para o meio ambiente e, daí, a necessidade de se arranjarem soluções que combinem as necessidades habitacionais, de conforto, das pessoas e a proteção do meio ambiente.

Mais urgente e relevante se torna a procura deste equilíbrio se tivermos em conta que nos países do Norte Global, que são os maiores poluidores do mundo, as pessoas passam a esmagadora maioria do tempo nos edifícios.

Referindo-se ao edificado habitacional em si, é importante lembrar que toda a gente tem direito a uma habitação digna e, ao mesmo tempo, tem a responsabilidade de contribuir para a proteção do meio ambiente.

Quem diz isto das moradoras e moradores das habitações, diz das empresas de construção e manutenção destas infraestruturas e até do próprio Estado. Todos devem contribuir para que as habitações sejam, simultaneamente, confortáveis e equilibradas no que toca ao meio ambiente: através da reciclagem do lixo produzido por quem viva nas casas (habitantes), da implementação de tecnologias alimentadas por energias renováveis e não de origem fóssil (habitantes e empresas de construção e manutenção) e do incentivo à implementação destas tecnologias nas habitações (Estado) e ainda da sua aplicação prioritária nos edifícios públicos (serviços, escolas, hospitais). Os extremos climáticos atingem com particular gravidade os e as residentes trabalhadoras e cuidadoras, idosos e crianças que têm vindo a sofrer mais com vagas de frio e a falta de qualidade dos edifícios.

Construir cidades acessíveis para tod@s e criar habitação digna para toda a gente não é só necessária, mas também faz parte da luta pela justiça climática.

No dia 22 de setembro, às 15h00, junta-te à Manifestação pela Habitação em Lisboa e no Porto.

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