Acção com veleiros no Tejo diz NÃO ao projecto do aeroporto no Montijo

Este domingo à tarde, activistas juntaram-se em Lisboa para uma acção supresa em defesa do estuário do Tejo, contra o projecto do novo aeroporto de Lisboa previsto para o Montijo.

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Enquanto a cimeira do clima na Polónia continua com as negociações em que até relatórios científicos estão a ser negados pelos governos, dois veleiros fundearam em frente ao Terreiro do Paço e desembarcaram no Cais das Colunas, em pleno centro turístico, numa acção entitulada “Içar as velas pelo estuário do Tejo! Não ao novo aeroporto no Montijo”.

Com as palavras de ordem “Montijo com aeroporto, estuário morto”, “Justiça climática já!” e “Para deixar os combustíveis fósseis no chão, aumento da aviação não”, activistas tocaram percussões e distribuiram panfletos sobre o projecto de aeroporto do Montijo e sobre os impactos do sector da aviação.

Os activistas sublinham que a verdadeira riqueza de Lisboa é o maior estuário da Europa ocidental, um paraíso de biodiversidade bem mais antigo do que a cidade, a qualidade de vida que podem ter as suas populações, actuais e futuras, e contestam os voos de low cost e turismo em massa.

Os veleiros vieram da Bretanha, França, onde a população conseguiu travar a construção do mega aeroporto de Notre-Dame-des-Landes pela Vinci: a mesma multinacional que comprou os aeroportos portugueses.

Os activistas solidarizam-se com a população da região do Montijo, que verá a sua qualidade de vida comprometida, e com as pessoas que por todo o mundo, através da rede Stay Grounded resistem ao aumento da aviação – e constroem formas de transporte, de sociedade e de economia mais justos e ecológicos.

#StayGrounded

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Todas estamos convocadas: Manifesto Greve Feminista Internacional 8 de Março 2019

Juntas somos mais fortes

A cada 8 de Março celebramos a união entre as mulheres e mobilizamo-nos em defesa dos nossos direitos. Somos herdeiras das lutas feministas e das resistências operárias, anticoloniais e antirracistas. Reclamamos o património das lutas pelo direito ao voto, ao trabalho com salário, a uma sexualidade livre e responsável, à maternidade como escolha, à habitação, à educação e saúde públicas. Por todo o planeta, somos as mais traficadas e as mais sacrificadas pela pobreza. Somos do país onde existem 6576 mulheres e raparigas vítimas de mutilação genital1. Somos as sobreviventes da violência de género, que em Portugal mata, em média, duas de nós a cada mês2, 80% das vítimas de violência doméstica e 90.7% das de crimes sexuais3. Somos as vítimas da justiça machista, quando esta fundamenta as suas decisões em preconceitos, e da cultura da violação, que desacredita a nossa palavra e desvaloriza a nossa experiência, procurando atribuir-nos a responsabilidade das violências que sofremos. Somos as que vivem em alerta permanente, porque o assédio no espaço público e no local de trabalho continua a estar presente. Somos múltiplas e diversas, de todas as cores e lugares, de todas as formas e feitios, com diferentes orientações sexuais e identidades de género, profissões e ocupações. Somos trabalhadoras, estudantes, reformadas, desempregadas e precárias, do litoral e do interior, do continente e das ilhas. Somos as invisíveis, as negras e as ciganas. Somos tu e eu, somos nós, somos tantas e tão diversas. A 8 de Março, mulheres em todo o mundo levantam-se em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violência, a desigualdade e os preconceitos. Porque as violências que sofremos são múltiplas, a Greve que convocamos também o é. No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços e greve estudantil.

Basta de desigualdade no trabalho assalariado!

É a nós que nos é exigida a conciliação entre a atividade profissional e a vida familiar, razão que explica que sejamos as que mais trabalhamos a tempo parcial, o que originará reformas e pensões mais baixas no futuro, reproduzindo o ciclo de pobreza. Somos mais de metade das pessoas que ganham o salário mínimo, o que compromete a nossa autonomia financeira. As profissões em que somos a maioria da força de trabalho são muitas vezes social e salarialmente desvalorizadas. Nelas, as mulheres negras e imigrantes são as trabalhadoras mais exploradas e precarizadas. A diferença salarial é, em média, de 15.8%4, ou seja, para trabalho igual ou equivalente, os nossos salários são inferiores, o que faz com que trabalhemos 58 dias por ano sem receber. Os cargos mais bem pagos são ocupados por homens, embora sejam as mulheres as que mais concluem o ensino superior (60.9%)5. A desigualdade salarial com base no género está presente em todo o lado, nas empresas e instituições privadas e públicas. Exigimos salário igual para trabalho igual ou equivalente e a reposição da contratação coletiva como forma de proteger o trabalho e combater as desigualdades. Temos direito a um projeto de vida digno e autónomo: não somos nós quem tem de se adaptar ao mercado de trabalho, é ele que tem de se adaptar a nós. A gravidez ou os cuidados com descendentes e ascendentes não podem ser o argumento escondido para o despedimento ou a discriminação.

Basta de desigualdade no trabalho doméstico e dos cuidados!

Para além do trabalho assalariado, muitas mulheres, sem que a maior parte das vezes isso resulte de uma escolha, têm de desempenhar diversas tarefas domésticas e de prestação de cuidados e assistência à família. Este trabalho gratuito, desvalorizado e invisibilizado ocupa-nos, em média, 1 hora e 45 minutos por dia6, o que corresponde, durante um ano, a 3 meses de trabalho. A contratação de serviços domésticos reproduz muitas vezes várias desigualdades – raciais, de género e de classe, porque é um trabalho frequentemente desenvolvido por mulheres migrantes e racializadas, sem contrato e sem direitos. Reclamamos o reconhecimento do valor social do trabalho doméstico e dos cuidados e a partilha da responsabilidade na sua prestação. Propomos que este tipo de trabalho seja considerado no cálculo das reformas e pensões e defendemos o reconhecimento do estatuto de cuidador/a. Defendemos a redução do horário de trabalho e igualdade nos tempos de descanso e de lazer. Queremos respostas públicas de socialização de tarefas domésticas e de cuidados, das creches às residências assistidas e de cuidados continuados, das cantinas às lavandarias.

Basta de reprodução das desigualdades e do preconceito nas escolas!

Os currículos pelos quais estudamos continuam a contar a história dos vencedores, reproduzindo vieses de género, classe e raça. A praxe académica, onde o poder é exercido por meio da humilhação, reproduz violência machista, lesbitransfóbica e racista, estereótipos e preconceitos de género e objetificação dos nossos corpos. Defendemos o direito a conhecer a nossa história e a das resistências ao machismo e ao colonialismo, as alternativas económicas, culturais e ambientais. Exigimos o direito a uma educação pública e gratuita em todos os seus níveis. Reivindicamos uma escola da diversidade, crítica, sem lugar para preconceitos e invisibilizações, uma escola livre de agressões machistas e lesbitransfóbicas, dentro e fora das salas de aula, uma escola empenhada na educação sexual inclusiva como resposta ao conservadorismo.

Basta de estereótipos e de incentivos ao consumo!

Identificamos nos media, nas redes sociais, na publicidade e na moda a difusão da cultura machista. Rejeitamos a sociedade de consumo, que nos condiciona a liberdade e nos transforma em consumidoras. Não somos mercadoria e, por isso, recusamos a exploração dos nossos corpos e das nossas identidades, os estereótipos que ditam medidas-padrão, ideais de beleza formatados, gostos, comportamentos e promovem estigmas e discriminações. Porque exigimos ser protagonistas das nossas vidas e donas dos nossos corpos, recusamos o negócio em torno da nossa sexualidade e saúde reprodutiva e reclamamos a gratuitidade dos produtos de higiene.

Basta de destruição ambiental!

Recusamos as políticas neoliberais, porque elas são predatórias, destroem a biodiversidade, provocam alterações climáticas e originam milhões de migrantes ambientais, o que dificulta de forma muito particular a vida e a sobrevivência de mulheres, que, em muitas zonas do planeta, são quem se dedica à agricultura e tem a responsabilidade de prover a família de alimentos. Estamos solidárias com as mulheres indígenas que resistem à globalização e estão comprometidas com as lutas contra as alterações climáticas, contra a dependência de energias fósseis e em defesa da soberania alimentar.

Basta de guerra e de perseguição às pessoas migrantes!

Rejeitamos as guerras e a produção de armamento. Para saquear matérias-primas e garantir controlo geopolítico e económico, destroem-se culturas, dizimam-se povos e expulsam-se populações dos seus territórios. As guerras originam milhões de pessoas refugiadas, entre as quais muitas mulheres e crianças, vítimas de redes de tráfico humano e sexual, da pobreza e da destruição. Levantamo-nos pelo fim das guerras, pelo acolhimento das pessoas migrantes e em defesa da alteração da lei da nacionalidade. No mundo ninguém é ilegal! Quem nasce em Portugal é português/portuguesa! Todas estamos convocadas para a Greve Feminista. Todas temos mil e uma razões para protestar, parar, reivindicar. Fazemos Greve porque não nos resignamos perante a desigualdade, a violência machista e o conservadorismo. Fazemos Greve para mostrarmos que as mulheres são a base de sustentação das sociedades.

VIVAS, LIVRES E UNIDAS! SE AS MULHERES PARAM, O MUNDO PÁRA!

AÇÃO: Ativistas fizeram soar o “Climate Alarm” à frente da sede da petrolífera Australis contra os furos de gás na Zona Centro

Hoje, dia 8 de dezembro, enquanto a cimeira do clima COP-24 está a decorrer em Katowice, na Polonia, ações marcadas em mais de 160 cidades reuniram milhares de pessoas que exigiram uma verdadeira ação climática para limitar o aquecimento global por 2ºC.

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O dia de ação global foi denominado como “Climate Alarm” foi originalmente convocada em França e rapidamente multiplicou-se por 20 países em cinco continentes. Na convocatória, os organizadores sublinham que as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris no COP21 não são acatadas por nenhum dos países aderentes e que os compromissos assumidos, mesmo que respeitados, não são suficientes. Aliás, a sua implementação levaria a um aquecimento global superior a 3°C.

Em Lisboa, o “Climate Alarm” escolheu a sede da empresa Australis Oil & Gas na Avenida de Liberdade, uma vez que a Australis Oil & Gas pertende fazer furos de gás fóssil em Aljubarrota e Bajouca no próximo ano.

Depois da vitória dos movimentos sociais contra o furo de petróleo em Aljezur, os ativistas apontam para a Zona Centro do país como a próxima paragem da luta por um Portugal livre de combustíveis fósseis.

Nesta acção foram colocadas linhas vermelhas a envolver uma torre de exploração de gás e colocado um gigante cravo vermelho no cimo da torre de gás, à frente da sede da Australis Oil & Gas. As linhas vermelhas representam o limite que não devemos ultrapassar para vivermos num planeta habitável. Os activistas lançaram também as preparações dum Acampamento de Ação contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática, a ter lugar no verão 2019. Mais informações sobre o acampamento podem ser encontrados no http://www.camp-in-gas.pt .

Um gasoduto passou hoje pelo centro de Lisboa

A UE dá gás ao caos climático from Climaximo on Vimeo.

No dia de ação global contra Gás e Fracking, ativistas do Climáximo caminharam pelas ruas de Lisboa para chamar a atenção sobre o projeto de 160 km de gasoduto desde Guarda até Bragança, apoiado pela União Europeia. O negacionismo das alterações climáticas do governo português toma estende-se a todas as fases da exploração de combustíveis fósseis: desde furos de petróleo e gás em Portugal, passando por acordos de gás de fracking com Trump e a transformação do porto de Sines na porta de entrada desse gás na Europa, até à expansão de gasodutos para o transportar.

Temos de parar todos os novos projetos de combustíveis fósseis. Os ativistas transportaram um gasoduto onde se lia “A UE dá gás ao caos climático” e “Gás: tão natural como a extinção” até à sede do Banco Europeu de Investimento, para o devolverem. Ironicamente, o BEI também não quis aceitar a encomenda, pelo que os ativistas desmantelaram o gasoduto no local, visto afinal ninguém o querer.

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Mais fotos no Flickr.


A gas pipeline passed through the city center of Lisbon today.

On the global day of action #GasdownFrackdown, activists of Climáximo walked through the streets of Lisbon to highlight the 160km gas pipeline project from Guarda until Bragança, a project supported by the European Commission. The Portuguese government’s climate denialism extends from deep offshore oil drills to fracked gas agreements with Trump, from gas pipelines to increasing the gas capacity of the Sines port.

We must stop all new fossil fuel projects. The activists carried the gas pipeline which read “EU fuels climate chaos” and “Gas is as natural as mass extinction”, and wanted to return it to the European Investment Bank office. Ironically, the EIB also did not accept the delivery, so the activists had to dismantle the pipeline at the spot, seeing that no one wanted it after all.

Global Gasdown-Frackdown: Acção e Jantar Popular

A União Europeia dá gás ao colapso climático!

A UE dá gás ao caos climático from Climaximo on Vimeo.

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Fotos e vídeo da ação: Um gasoduto passou hoje pelo centro de Lisboa


COMUNICADO DE IMPRENSA: 13 de Outubro Dia Internacional de Acção contra o Gás e o Fracking: Acção nos escritórios do Banco Europeu de Investimento em Lisboa


/English below/

No próximo dia 13 de Outubro respondemos ao apelo internacional na luta contra o fracking e contra o gás natural! Às 16h30, vamos fazer uma acção frente à sede do Banco Europeu de Investimento em Lisboa (Av. da Liberdade 190, 1250-001 Lisboa). O BEI utiliza o dinheiro dos nossos impostos para financiar a indústria dos combustíveis fósseis, financiando prioritariamente mais de 90 projectos de apoio à expansão de uma rede europeia de importação e distribuição de gás! Têm de ser travados.logogasfrackdown_360

A União Europeia está financiar uma estratégia energética que alimenta o colapso climático nas próximas décadas. Ao distrair-nos com a mentira de que o gás “natural” é um combustível de transição para as energias renováveis, a União Europeia pretende alimentar a indústria petrolífera durante mais quatro a cinco décadas, montando infraestruturas portuárias e gasodutos em todo o continente europeu para importar gás dos EUA, Canadá, Austrália, Argélia, Azerbeijão, Rússia e muitos outros países. A maior parte desse gás é hoje extraído por fracking, o que aumenta ainda mais as emissões de gases com efeito de estufa. Para pagar este novo resgate às companhias petrolíferas, a União Europeia quer usar o dinheiro dos impostos de todas as pessoas da União Europeia, através do BEI, para que sejamos nós mesmos a financiar o colapso do clima que ameaça a civilização.

Hoje sabemos que para manter o aumento de temperatura no planeta abaixo dos 1,5ºC, temos de cortar as emissões em mais de 50% até 2030. Isto é daqui a 12 anos! Temos de travar os psicopatas que querem torrar o planeta e a Humanidade em petróleo, gás e carvão!gasland01

No final do dia, faremos um jantar com filme (Gasland) e debate no Gaia, Rua da Regueira 40, Alfama, em Lisboa. Junta-te a nós!

O que é o Jantar Popular?

  • Um Jantar comunitário vegano, biológico e livre de OGMs que se realiza no GAIA, Rua da Regueira, n 40, em Alfama.
  • Uma iniciativa inteiramente auto-gerida por voluntários.
  • Um jantar em que podes colaborar e aprender a cozinhar vegano! Para cozinhar e montar a sala basta aparecer a partir das 18h. Jantar “servido” a partir das 20h.
  • Um projecto autónomo e auto-sustentável. As receitas do Jantar Popular representam o fundo de maneio do GAIA que mantém assim a sua autonomia.
  • Um jantar onde ninguém fica sem comer por não ter moedas e onde quem ajuda não paga. O preço nunca é mais de 3 pirolitos.
  • Um exemplo de consumo responsável, com ingredientes que respeitam o ambiente, a economia local e os animais.
  • Uma oportunidade para criar redes, trocar conhecimentos e pensar criticamente.

***

On October 13th, we will join the global gasdown frackdown action call and do an action in front of the European Investment Bank’s Lisbon office (Av. da Liberdade 190, 1250-001 Lisboa). EIB uses public money to finance more than 90 gas projects. And each one of them must be stopped.

The European Union is financing an energy policy that may push us to a climate chaos in the following decades. Presenting “natural” gas as a transition fuel, the EU aims at supporting the fossil fuel industry for five more decades, setting up pipelines and terminals to import gas from the US, Canada, Australia, Algeria, Azerbaijan, Russia and many more countries. To pay this new bailout for fossil fuel companies, the EU wants to use public money through the EIB, so that it would be us financing climate chaos directly.

We know today that to keep warming below 1.5ºC, we must cut emissions by 50% until 2030. This is just 12 years away! We have to stop the psychopaths who want to grill humanity with oil, gas and coal.

At the end of the day, we will have a community dinner with a movie screening (Gasland) and discussion in GAIA-Lisboa (Rua da Regueira 40, Alfama).

 

Comboio, mais justo e mais ecológico – caminho ascendente

Pôr o comboio na linha, para servir a população

3 de outubro, 10h30, Lisboa

Largo de Camões -> Terreiro do Paço Residência Oficial do Primeiro-Ministro

A crise climática por que estamos passar torna urgente descongestionar as estradas e reduzir a circulação de meios de transporte poluentes.

O setor dos transportes é, efetivamente, um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases perigosos para a atmosfera. Tornar a mobilidade sustentável é, por isso, uma grande prioridade na transição energética.

Para reduzir essas emissões temos uma solução eficaz: desenvolver, alargar e melhorar a qualidade dos transportes públicos.

O transporte ferroviário é o mais ecológico porque é o meio de transporte que gera a menor quantidade de CO2. Além disto, o comboio utiliza a energia de forma mais eficiente. Se a tração for elétrica, permite recorrer a fontes renováveis de energia. É portanto um bom meio de transporte de pessoas e que pode ser ainda melhorado. Transportar mercadorias em carris é também muito mais eficiente e ecológico do que usar as estradas ou o mar. O transporte ferroviário é assim um trunfo a usar na mudança que precisamos de iniciar, hoje mesmo, para energias limpas e justas e na luta contra as consequências das alterações climáticas.

Para iniciar essa mudança é necessário criar mais trabalho neste setor e apoiar o desenvolvimento da rede ferroviária. Os seus trabalhadores devem ter condições laborais adequadas e saudáveis. O emprego no setor ferroviário público deve ser digno e estável.

Para darmos este passo precisamos de assegurar algumas questões que têm reflexo na maior parte das pessoas da nossa sociedade. Antes do mais, a rede ferroviária deve proporcionar um serviço público e acessível a todas as pessoas e não ter o lucro como fim principal. As condições e os postos de trabalho não devem, como em nenhum outro setor, ser alvo de competição. O preço dos bilhetes não pode ser objeto de especulação no mercado. O principal objetivo da ferrovia deverá ser assegurar um acesso justo ao transporte ao maior número de pessoas possível. A ferrovia precisa ainda de se expandir e de se desenvolver para apoiar quem vive, trabalha e estuda em zonas mais isoladas, diminuindo o abandono das regiões rurais e melhorando a vida nas periferias das grandes cidades. E, por fim, se a população estiver mais bem distribuída, descentraliza-se o consumo e colocam-se as pessoas perto das fontes de energia, ou seja, consegue-se uma distribuição da energia mais correta e mais eficiente.

Por todas estas razões, o Climáximo apoia a manifestação convocada pelas organizações de trabalhadores e utentes do setor ferroviário.

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Climáximo convoca para a Manifestação pela Habitação – 22 de setembro

No dia 22 de setembro, às 15h00, em Lisboa e no Porto, vamos marchar pelas nossas casas e pelas nossas vidas.

Reestruturação neoliberal do espaço urbano

As casas já não casas mas são imóveis. Jardins e praças tornaram-se esplanadas dos hotéis ou restaurantes, para usufrimento pago. Os bairros ou são “center of the old town“, ou são “excelente oportunidade de investimento”. O que foi nos vendido como revitalização da cidade foi a retirada da vida em substituição por um centro comercial ao ar livre.

Tornar cidades inteiras em mercadorias e expandir a precariedade para a vida urbana foram e são decisões políticas deliberativas.

Defendemos habitação digna e acesso à cidade como direitos urbanos.

Reestruturação neoliberal das cidades

Para além disso, a crescente bolha de especulação imobiliária a que temos estado a assistir, um pouco por todo o território nacional, mas em particular nas grandes cidades, tem como um dos principais efeitos a expulsão de muitos dos moradores mais pobres para as periferias, passando grande parte do centro da cidade a estar na posse de empreendimentos turísticos, a ser usado por visitantes ocasionais e constituído por segundas e terceiras moradias.

Ora, as consequências ambientais desta dinâmica não poderiam ser mais drásticas. Pessoas que antes moravam a pouca distância dos seus empregos vêm-se agora obrigadas a fazer deslocações cada vez maiores para chegar aos seus locais de trabalho. Em contrapartida, muitos dos novos donos das moradias no centro apenas as utilizam alguns meses por ano, fazendo para isso viagens de avião (na maioria) para as visitar. Tudo isto numa lógica, dita “de mercado”, que faz cada vez menos sentido, num planeta com recursos finitos e onde a necessidade imperiosa de reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis e optar por estilos de vida mais sustentáveis e éticos é cada vez mais inadiável.

Pelo que é que lutamos?

A presença da Climáximo numa marcha sobre a habitação justifica-se pelo facto de o edificado habitacional também gerar elementos poluentes para o meio ambiente e, daí, a necessidade de se arranjarem soluções que combinem as necessidades habitacionais, de conforto, das pessoas e a proteção do meio ambiente.

Mais urgente e relevante se torna a procura deste equilíbrio se tivermos em conta que nos países do Norte Global, que são os maiores poluidores do mundo, as pessoas passam a esmagadora maioria do tempo nos edifícios.

Referindo-se ao edificado habitacional em si, é importante lembrar que toda a gente tem direito a uma habitação digna e, ao mesmo tempo, tem a responsabilidade de contribuir para a proteção do meio ambiente.

Quem diz isto das moradoras e moradores das habitações, diz das empresas de construção e manutenção destas infraestruturas e até do próprio Estado. Todos devem contribuir para que as habitações sejam, simultaneamente, confortáveis e equilibradas no que toca ao meio ambiente: através da reciclagem do lixo produzido por quem viva nas casas (habitantes), da implementação de tecnologias alimentadas por energias renováveis e não de origem fóssil (habitantes e empresas de construção e manutenção) e do incentivo à implementação destas tecnologias nas habitações (Estado) e ainda da sua aplicação prioritária nos edifícios públicos (serviços, escolas, hospitais). Os extremos climáticos atingem com particular gravidade os e as residentes trabalhadoras e cuidadoras, idosos e crianças que têm vindo a sofrer mais com vagas de frio e a falta de qualidade dos edifícios.

Construir cidades acessíveis para tod@s e criar habitação digna para toda a gente não é só necessária, mas também faz parte da luta pela justiça climática.

No dia 22 de setembro, às 15h00, junta-te à Manifestação pela Habitação em Lisboa e no Porto.

Crise climática é racista: Junta-te à mobilização nacional de luta contra o racismo.

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Os efeitos das alterações climáticas agravam as injustiças sociais nas nossas sociedades. O Norte Global emite CO2, os países no Sul Global ficam inundados com tempestades ou com a subida do nível do mar. As empresas expropriam os povos indígenas para extrair combustíveis fósseis, depois financiam também o negacionismo das alterações climáticas, e as populações sofrem as secas crónicas. Os ricos poluem, os pobres (que, por acaso, também acabam por ser não-brancos) adoecem com a poluição.

Tudo isto acontece porque o sistema capitalista vê as pessoas não como pessoas, mas como consumidores. Por isso, no capitalismo, uma pessoa que nasceu num bairro social ou que imigrou para um outro país em procura de melhores condições de vida não vale o mesmo que um homem branco de classe média-alta. O capitalismo herda o racismo do colonialismo e agrava-o.

“O racismo na política é gritante, seja pela ausência de representatividade política de negros/as, ciganos/as e imigrantes, seja por atos racistas de vários representantes políticos. São grandes as desigualdades no acesso à educação, saúde, habitação, justiça, cultura e ao emprego com direitos para negros/as, ciganos/as e imigrantes. Mas o silêncio dos sucessivos governos e das organizações políticas, na sua maioria, sobre o racismo e xenofobia é aterrador.”

As ondas de refugiados climáticos vão ser maiores à medida que os anos passam e essas pessoas têm o direito de ter uma vida digna, tal como todos nós! Se os nossos governos descriminam os que já cá vivem, o que farão com os que ainda virão?

Não podemos deixar perpetuar o capitalismo que trata as pessoas como mercadorias. Nem em Portugal nem na União Europeia.

Como o capitalismo é racista, a crise climática que o capitalismo gera atinge e descrimina de forma racista.

Climáximo vai estar presente na Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo no dia 15 de setembro de 2018. Não há justiça climática sem justiça social. Junta-te aos protestos este sábado às 15h00 em Lisboa, Porto e Braga.

Wrap-up: Marcha Mundial do Clima 2018

Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!

Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego! from Climaximo on Vimeo.

 

No dia 8 de setembro, centenas de milhares de pessoas em 95 países dos 7 continentes (sim, Antártida também) saíram às ruas em mais de 900 acções na mobilização mundial “Rise for Climate”.

Em Portugal, 48 organizações juntarem-se para exigir um mundo livre dos combustíveis fósseis, em que as pessoas e a justiça social estejam acima dos lucros. Em Lisboa, Porto e Faro, centenas de pessoas marcharam sob o lema “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”.


Em Lisboa, 800 pessoas marcharam com palavras de ordem “O mar é para surfar, não é para perfurar!“, “Empregos! Justiça! Clima!” e “Gás, carvão, petróleo. Debaixo do solo!”.

Os manifestantes exigiram:

  • uma transição justa e rápida para as energias renováveis;
  • zero infraestruturas de combustíveis fósseis novas: nem em Aljezur, nem em Aljubarrota, nem em lugar nenhum.

No Porto, mais de 200 pessoas marcharam da Praça de Liberdade até à Praça de Ribeira, a gritar bem alto “Muda o sistema, não o clima!”, “Fora, fora, fora daqui! Petróleo, gás, GALP e ENI!”.


No Algarve, 200 pessoas manifestaram-se em Faro. Algumas das palavras de ordem foram “Não ao furo! Sim ao futuro!” e “Somos natureza em auto-defesa”.


A verdadeira liderança climática nasce a partir das bases. Isto significa ver o poder nas mãos das pessoas, em vez das corporações; significa uma vida melhor para quem trabalha e justiça para as populações mais afetadas pelos impactos das alterações climáticas e pelas atividades das petrolíferas.

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Mais fotos da marcha no Flickr:


A marcha na comunicação social:

Vais marchar este sábado? Algumas dicas

Este sábado, dia 8 de setembro, milhares vão sair às ruas, com nada menos do que 730 ações em 88 países já confirmadas. Em Portugal, vamos marchar em três cidades: Lisboa, Porto e Faro.

Neste documento:

  • Faixas e pancartas
  • Palavras de ordem
  • Fotos e vídeos durante a marcha
  • E depois?

Faixas e pancartas

Temos muitas faixas e pancartas contra os combustíveis fósseis, as petrolíferas e capitalismo, e pelo clima, justiça e emprego. Todos estes materiais foram produzidos colectivamente nas sessões de preparação. Ajuda-nos transmitir as reivindicações da marcha e segura a faixa que gostas mais.18157449_433983493639269_7963512542226385232_n

Podes também desenhar e levar o teu pancarta com a mensagem que querias partilhar com outros manifestantes e com o público geral.

Palavras de ordem

Algumas palavras de ordem estão aqui: Gritos clima v2 . (Entretanto, a malta do Porto também preparou um outro ficheiro: Pregões para a marcha_porto) Vamos ter algumas pessoas com megafones a dinamizar a marcha. Traz a tua energia (renovável) e partilha a tua força com tod@s. A marcha é um espaço político popular para manifestarmos-nos e reivindicarmos um planeta justo e habitável.

Novas ideias também são sempre bem-vindas.

Fotos e vídeos durante a Marcha Mundial do Clima

Queres ajudar na produção de imagens da marcha? Vais andar com a tua câmara durante a marcha e gostarias de partilhar as tuas fotos com toda a gente?

Aqui ficam algumas dicas.40854031_1073181206196906_6329690271315394560_n

Temos duas checklists em inglês para te ajudar preparar.
Checklist for taking photos in actions
Checklist for filming in actions and events

Se quiseres partilhar as tuas fotos nas redes sociais, usa o hashtag #RiseforClimate . (Não te esqueças de tornar os teus posts de Facebook públicos, senão só os teus amigos terão acesso a estas fotos.)

  • Vamos criar um álbum de imagens das marchas. Logo no dia 8 à noite, envia as tuas fotos preferidas para marcha8set [-at-] salvaroclima.pt. É essencial que as envies logo que possas, porque vamos compilar as fotos para ter o álbum pronto no domingo de manhã.
  • Vamos também fazer um pequeno vídeo das três marchas em Portugal. Envia todos os teus vídeos logo no dia 8 à noite para marcha8set [-at-] salvaroclima.pt. É essencial que os envies mal possas, porque vamos editar o vídeo para ser publicado logo no domingo.

E depois?

Em Lisboa e no Porto, estamos a preparar Formações em Ativismo Climático para (ré-)lançar atividades e organizar novas ações. Para teres alguma ideia, podes explorar Parar o Furo, Empregos para o Clima e Virar a Maré.

Em Lisboa, logo à seguir a marcha, temos uma conversa às 21h00 no Mob: Política climática de bases: conversa sobre a campanha Empregos para o Clima em Portugal

Segue o nosso site e página de Facebook para mais detalhes e novidades.