Climáximo convoca para a Manifestação pela Habitação – 22 de setembro

No dia 22 de setembro, às 15h00, em Lisboa e no Porto, vamos marchar pelas nossas casas e pelas nossas vidas.

Reestruturação neoliberal do espaço urbano

As casas já não casas mas são imóveis. Jardins e praças tornaram-se esplanadas dos hotéis ou restaurantes, para usufrimento pago. Os bairros ou são “center of the old town“, ou são “excelente oportunidade de investimento”. O que foi nos vendido como revitalização da cidade foi a retirada da vida em substituição por um centro comercial ao ar livre.

Tornar cidades inteiras em mercadorias e expandir a precariedade para a vida urbana foram e são decisões políticas deliberativas.

Defendemos habitação digna e acesso à cidade como direitos urbanos.

Reestruturação neoliberal das cidades

Para além disso, a crescente bolha de especulação imobiliária a que temos estado a assistir, um pouco por todo o território nacional, mas em particular nas grandes cidades, tem como um dos principais efeitos a expulsão de muitos dos moradores mais pobres para as periferias, passando grande parte do centro da cidade a estar na posse de empreendimentos turísticos, a ser usado por visitantes ocasionais e constituído por segundas e terceiras moradias.

Ora, as consequências ambientais desta dinâmica não poderiam ser mais drásticas. Pessoas que antes moravam a pouca distância dos seus empregos vêm-se agora obrigadas a fazer deslocações cada vez maiores para chegar aos seus locais de trabalho. Em contrapartida, muitos dos novos donos das moradias no centro apenas as utilizam alguns meses por ano, fazendo para isso viagens de avião (na maioria) para as visitar. Tudo isto numa lógica, dita “de mercado”, que faz cada vez menos sentido, num planeta com recursos finitos e onde a necessidade imperiosa de reduzir drasticamente o uso de combustíveis fósseis e optar por estilos de vida mais sustentáveis e éticos é cada vez mais inadiável.

Pelo que é que lutamos?

A presença da Climáximo numa marcha sobre a habitação justifica-se pelo facto de o edificado habitacional também gerar elementos poluentes para o meio ambiente e, daí, a necessidade de se arranjarem soluções que combinem as necessidades habitacionais, de conforto, das pessoas e a proteção do meio ambiente.

Mais urgente e relevante se torna a procura deste equilíbrio se tivermos em conta que nos países do Norte Global, que são os maiores poluidores do mundo, as pessoas passam a esmagadora maioria do tempo nos edifícios.

Referindo-se ao edificado habitacional em si, é importante lembrar que toda a gente tem direito a uma habitação digna e, ao mesmo tempo, tem a responsabilidade de contribuir para a proteção do meio ambiente.

Quem diz isto das moradoras e moradores das habitações, diz das empresas de construção e manutenção destas infraestruturas e até do próprio Estado. Todos devem contribuir para que as habitações sejam, simultaneamente, confortáveis e equilibradas no que toca ao meio ambiente: através da reciclagem do lixo produzido por quem viva nas casas (habitantes), da implementação de tecnologias alimentadas por energias renováveis e não de origem fóssil (habitantes e empresas de construção e manutenção) e do incentivo à implementação destas tecnologias nas habitações (Estado) e ainda da sua aplicação prioritária nos edifícios públicos (serviços, escolas, hospitais). Os extremos climáticos atingem com particular gravidade os e as residentes trabalhadoras e cuidadoras, idosos e crianças que têm vindo a sofrer mais com vagas de frio e a falta de qualidade dos edifícios.

Construir cidades acessíveis para tod@s e criar habitação digna para toda a gente não é só necessária, mas também faz parte da luta pela justiça climática.

No dia 22 de setembro, às 15h00, junta-te à Manifestação pela Habitação em Lisboa e no Porto.

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Crise climática é racista: Junta-te à mobilização nacional de luta contra o racismo.

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Os efeitos das alterações climáticas agravam as injustiças sociais nas nossas sociedades. O Norte Global emite CO2, os países no Sul Global ficam inundados com tempestades ou com a subida do nível do mar. As empresas expropriam os povos indígenas para extrair combustíveis fósseis, depois financiam também o negacionismo das alterações climáticas, e as populações sofrem as secas crónicas. Os ricos poluem, os pobres (que, por acaso, também acabam por ser não-brancos) adoecem com a poluição.

Tudo isto acontece porque o sistema capitalista vê as pessoas não como pessoas, mas como consumidores. Por isso, no capitalismo, uma pessoa que nasceu num bairro social ou que imigrou para um outro país em procura de melhores condições de vida não vale o mesmo que um homem branco de classe média-alta. O capitalismo herda o racismo do colonialismo e agrava-o.

“O racismo na política é gritante, seja pela ausência de representatividade política de negros/as, ciganos/as e imigrantes, seja por atos racistas de vários representantes políticos. São grandes as desigualdades no acesso à educação, saúde, habitação, justiça, cultura e ao emprego com direitos para negros/as, ciganos/as e imigrantes. Mas o silêncio dos sucessivos governos e das organizações políticas, na sua maioria, sobre o racismo e xenofobia é aterrador.”

As ondas de refugiados climáticos vão ser maiores à medida que os anos passam e essas pessoas têm o direito de ter uma vida digna, tal como todos nós! Se os nossos governos descriminam os que já cá vivem, o que farão com os que ainda virão?

Não podemos deixar perpetuar o capitalismo que trata as pessoas como mercadorias. Nem em Portugal nem na União Europeia.

Como o capitalismo é racista, a crise climática que o capitalismo gera atinge e descrimina de forma racista.

Climáximo vai estar presente na Mobilização Nacional de Luta Contra o Racismo no dia 15 de setembro de 2018. Não há justiça climática sem justiça social. Junta-te aos protestos este sábado às 15h00 em Lisboa, Porto e Braga.

Com que então queres ajudar a financiar os movimentos globais pela justiça climática?

Dá o teu donativo onde ele faça a diferença

Sabemos que de vez em quando te questionas sobre se / a quem dar um donativo. Por isso preparámos para ti uma versão portuguesa deste artigo, para te ajudar a decidir: So You Want to Donate to the Global Movements for Climate Justice?

Se estás a ler isto, é porque sobreviveste ao bombardeio anual de pedidos de ONGs como a Avaaz, a Greenpeace, a WWF, etc., que apanharam algures o teu e-mail e te contactam periodicamente em busca de donativos. Talvez já tenhas doado, ou talvez tenhas resistido, mas em qualquer caso provavelmente questionaste-te: será que o meu dinheiro faz alguma diferença? Que impacto terá ele no mundo?

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Acontece que muitas das mais sólidas ​​(e bem financiadas) ONGs não oferecem grandes resultados comparado com as doações que recebem. A perceção geral do papel da sociedade civil na mudança social tem-se alterado (pelo menos) ligeiramente, e é agora comum ouvir-se que são os grupos de base e comunidades locais que devem ser apoiados, em lugar das ONGs estabelecidas. Não só por ser essa a escolha certa moralmente, mas também por ser a melhor estratégia. Mas mesmo quando se usa termos como “grupos de base” ou “comunidades locais”, pela natureza fundamentalmente Euro- e Americo-cêntrica da internet e do movimento climático, acabam por ser sobretudo os grupos e comunidades no mundo desenvolvido a ser financiados. Isto tem como resultado, naturalmente, que o movimento climático reflita as preocupações, prioridades e estratégias não dos movimentos e defensores ambientais que estão na linha da frente do combate aos crimes ambientais – mas sim dos financiadores do Norte Global e da classe socioeconómica que representam. Como Cory Morningstar questiona: “Desde quando é que entidades poderosas vão investir em atividades que prejudiquem a sua capacidade de manter poder, privilégio e riqueza?”

No livro fundamental “O preço da ação climática” (The Price of Climate Action), Edouard Morena explora como um punhado de Fundações de orientação ideológica neoliberal ajudou a estabelecer e orientar o regime climático internacional e, em particular, o Acordo de Paris de 2015. Ao olhar para as origens da filantropia climática internacional e sua evolução nas últimas três décadas, o autor examina o papel das Fundações filantrópicas no debate climático internacional.

Esta é apenas mais uma forma de colonialismo, e aliás uma maneira de o capitalismo se perpetuar, oferecendo a aparência de mudança sem resolver os desequilíbrios fundamentais de poder que resultam em tamanha injustiça.

Esta crítica ao modelo das ONGs e a sua relação com as Fundações de elite poderia ser assunto para uma série de artigos. Mas a nossa intenção aqui não é entrar nessas águas turbulentas; mas sim oferecer-te a ti, car@ leitor(a), algumas sugestões sobre os grupos heróicos em redor do mundo que achamos serem dignos do teu donativo. Por isso traduzimos para ti esta lista de organizações (compilada no artigo original), a maioria delas no Sul Global, que estão a fazer um trabalho importante e deveriam ser mais apoiadas. Nem todas têm meios de pagamento massificados como o Paypal, mas para cada uma incluímos a informação de contacto.

África

Centro de Informação e Desenvolvimento Alternativo, África do Sul
(Alternative Information and Development Centre)
O projeto One Million Climate Jobs do Centro conduz pesquisas importantes sobre como alcançar uma Transição Justa, longe da economia de combustíveis fósseis.
Mais informações: http://aidc.org.za/programmes/million-climate-jobs-campaign/about/

Organização de Desenvolvimento Pastoralista da Terra Árida, Etiópia
(Arid Land Pastoralist Development Organization (ALPDO))
Estes grupos de pastores uniram-se numa ONG indígena formalmente reconhecida para dar resposta a problemas de segurança alimentar, constrangimentos e alterações climáticas no sul da Etiópia. Eles empreendem projetos de gestão de risco de desastres que têm um impacto significativo no trabalho autónomo para as comunidades pastoris locais de Nyangatom e Dassanach. O objetivo deles é desenvolver atividades integradas de desenvolvimento que gradualmente aliviem as limitações mais sérias ao desenvolvimento e tragam mudanças positivas à condição socioeconómica das comunidades pastoris e agro-pastoris.
Mais informações: http://www.alpado.org
Contato: Abreham Bengosa, abrahamb@alpado.org

Centro de ação para o desenvolvimento durável das autonomias Pygmées, Camarões
(Centre d’action pour le développement durable des autochtones Pygmées (CADDAP))
Uma organização indígena que trabalha sobre questões de florestas e direitos humanos, muitas vezes em coligação com outros grupos indígenas.
Contato: ongcaddap@yahoo.fr

Centro de Direitos Ambientais, África do Sul
(Centre for Environmental Rights)
Uma organização de advogados ativistas que ajudam comunidades e organizações da sociedade civil na África do Sul a concretizar o seu direito constitucional a um meio ambiente saudável, defendendo e litigando pela justiça ambiental.
Mais informações: https://cer.org.za/
Contato: https://cer.org.za/contact
Doações: https://cer.org.za/donate

Earthlife Africa, África do Sul
Um grupo de justiça ambiental que busca uma vida melhor para todas as pessoas sem explorar outras pessoas ou degradar o meio ambiente, incentivando e apoiando indivíduos, empresas e indústrias para reduzir a poluição, minimizar o desperdício e proteger os recursos naturais.
Mais informações: http://www.earthlife.org.za/
Contato: http://earthlife.org.za/contact/
Doações: https://www.givengain.com/cause/6357/campaigns/15676/

Adaptação Baseada em Ecossistemas para a Assembleia de Segurança Alimentar, Gâmbia
(Ecosystems Based Adaptation for Food Security Assembly)
O primeiro enquadramento abrangente pan-africano e plataforma de implementação é um espaço orientado para soluções e destinado a colmatar lacunas para garantir políticas adequadas para enfrentar os desafios-chave em África: alimentação, insegurança nutricional, pobreza, desemprego, alterações climáticas e degradação. O núcleo da Gâmbia foi lançado em 2016.
Mais informações: http://www.ebafosa.org
Contato: ebafosagambia@gmail.com
Doações:
Nome da Conta: EBAFOSA Gâmbia
Número da conta: 0010014905170101
IBAN: 008201001517010129
SWIFT: ECOCGMGM
Banco: ECOBANK Gambia Limited

GrassrootsAfrica, Gana
Esta é uma organização local de apoio com foco especial em direitos humanos, sociais, género, justiça económica e bem-estar. A organização tem uma visão pan-africanista e trabalha para melhorar a vida dos pobres e desfavorecidos em África, especialmente mulheres e crianças.
Mais informações: grassrootsafricagh.org
Contato: https://grassrootsafricagh.org/contact-us/
Doações: https://grassrootsafricagh.org/donate/

Rede de Informação Indígena, Quénia
(Indigenous Information Network)
O IIN trabalha em questões de direitos para grupos indígenas pastoris e habitantes de florestas no Quénia.
Mais informações: http://indigenous-info-kenya.net/
Contato: http://indigenous-info-kenya.net/contact-us-2/ | iin@indigenous-info-kenya.net

Comité de Coordenação dos Povos Indígenas da África
(Indigenous Peoples of Africa Co-ordinating Committee)
Esta rede representa 135 organizações de povos indígenas em 20 países africanos e visa promover os direitos humanos dos povos indígenas, a igualdade de género e a participação na conservação ambiental.
Mais informações: http://www.ipacc.org.za/en
Contato: ipacc@iafrica.com, hindououmar@gmail.com

Jeune Chrétien en Ação para o Desenvolvimento, Togo
(Jeune Chrétien en Action pour le Développement)
A JCAD dedica-se à prevenção e transformação de conflitos, a uma cultura de paz, à proteção de mulheres e crianças, a luta contra as ISTs, o VIH e a SIDA, e a iniciar programas de desenvolvimento comunitário.
Mais informações: http://jcad.e-monsite.com/
Contato: jcad_ycad@yahoo.fr
Doações:
Nome do banco: ECOBANK
Código Swift: ECOCTGTG
Código do banco: TG055
Número da conta: 7240141420092901
Endereço da agência bancária: Agence Adidogome, BP 3302; LOME TOGO

Oilwatch Africa
A Oilwatch é uma rede de resistência global que trabalha para impedir a expansão de atividades de carvão, petróleo e gás socialmente destrutivas e ambientalmente prejudiciais no mundo, promovendo a construção de um movimento local, nacional e internacionalmente com pessoas e comunidades afetadas e / ou resistindo às atividades de extração de combustíveis fósseis. .
Mais informações: http://oilwatchafrica.org/about-us/ Contato: kwadodzi@yahoo.fr

Aliança Pan-Africana de Justiça Climática
(Pan-African Climate Justice Alliance (PACJA))
PACJA é uma coligação continental de mais de 1000 organizações da sociedade civil e redes de diversas origens na África. Sua missão é desenvolver e promover o desenvolvimento a favor dos pobres e posições baseadas na equidade relevantes para África no diálogo internacional sobre alterações climáticas e processos relacionados.
Mais informações: http://www.pacja.org/index.php/about-us

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Centro Integrado Rural para o Empoderamento Comunitário, Libéria
(Rural Integrated Center for Community Empowerment (RICCE))
A RICCE é uma ONG de desenvolvimento que apoia o empoderamento das populações rurais que são desafiadas por desastres, conflitos e coerção para melhorar a sua subsistência através da promoção da segurança alimentar, geração de renda, paridade de género, gestão sustentável de recursos naturais e ambiente saudável em toda a Libéria.
Mais informações: https://www.ricceliberia.org/
Contato: ricce2004@gmail.com
Doações: https://www.globalgiving.org/donate/39014/rural-integrated-center-for-community-empowerment/

Salvar Lamu, Quênia
(Save Lamu)
A campanha luta contra um enorme projeto de carvão e mega-porto através de lobby e advocacia, formações, pesquisa e capacitação na comunidade.
Mais informações: http://www.savelamu.org/
Contato: http://www.savelamu.org/get-involved/contact/

Salve o nosso Deserto iMfolozi, África do Sul
(Save our iMfolozi Wilderness)
A rede-chave que combate o carvão de KwaZulu-Natal da África do Sul em combinação com atividades de conservação (especialmente de rinocerontes brancos) e defesa do clima é o grupo Save our iMfolozi Wilderness.
Mais informações: https://saveourwilderness.org/about/
Doações: https://saveourwilderness.org/action/donations/

Aliança Ambiental Comunitária do Sul de Durban, África do Sul
(South Durban Community Environmental Alliance)
Os principais ativistas anti-petróleo baseados na comunidade da África do Sul estão a travar lutas contra a refinação de petróleo da BP, Shell e Engen e perfuração offshore pela ExxonMobil.
Mais informações: http://sdcea.co.za/
Doações: http://sdcea.co.za/get-involved/

Associação de Desenvolvimento dos Povos do Sul do Omo (SOPDA), Etiópia
(South Omo Peoples’ Development Association (SOPDA))
A SOPDA é uma ONG que trabalha na zona sul da Omo da Etiópia desde 1991 em questões de segurança alimentar, educação, saúde, infraestrutura, conservação da biodiversidade e adaptação às alterações climáticas. Recentemente, a SOPDA também realizou conquistas significativas na conservação ambiental e gestão das alterações climática e diversificação de meios de subsistência para as mulheres pastoras.
Contato: Mamo Mala, jinkasopda@gmail.com | 0467750048/0916856451

Vaal Environmental Justice Alliance (VEJ), África do Sul
A aliança luta contra a maior fonte local de emissões de CO2 do mundo – a central de carvão / gás-para-petróleo da Sasol em Vaal, na África do Sul.
Mais informações: https://www.facebook.com/Vaal-Environmental-Justice-Alliance-VEJA-322703054542182/

Mulheres na mineração, África do Sul
(Women in Mining)
Esta rede africana de justiça climática ecofeminista luta contra o extrativismo em todos os lugares, desde as salas das COPs das Nações Unidas até às minas de carvão do continente.
Mais informações: http://womin.org.za/
Donativos: https://womin.org.za/womin_donate/

Fé Mundial Malauí, Malaui
(World Faith Malawi)
A missão da World Faith é acabar com a violência religiosa e lutar contra as injustiças climáticas. Eles fazem isso mobilizando grupos de jovens religiosamente diversos para abordar os principais projetos de desenvolvimento global, regional, nacional e comunitário, concentrando-se especificamente no empoderamento das mulheres, na justiça climática, na saúde pública e na educação infantil.
Mais informações: http://worldfaith.org/welcome-world-faith-malawi/
Donativos:
Endereço: PO Box 607, Lilongwe, Malawi
Nome da Conta: World Faith Malawi
Nome do Banco: ECO BANK
NUMBER da conta: 0080237002800101
Código Swift: ECOCMWMW

WorldView A Gâmbia, Gâmbia
A principal missão da Worldview é defender melhor proteção ambiental por meio de parcerias com comunidades, líderes e ilustradores de imagens em movimento, realizando pesquisas nas aldeias para avaliar as necessidades locais, promovendo fogões eficientes e organizando seminários de treino e formações sobre agrossilvicultura e plantação de árvores.
Mais informações: http://www.accessgambia.com/biz1/wif-worldview-international-foundation.html Contato: taalaso46@yahoo.com
Donativos:
Nome da conta: Worldview – The Gambia
Número da conta: 201–101594–110
IBAN: 005–201–101594–011090
SWIFT: GTBIGB2L
Banco: Guaranty Trust Bank Gâmbia, Kairaba Avenue, K.S.M.D. Gâmbia

Ásia

Movimento dos povos asiáticos sobre a dívida e o desenvolvimento
(Asian People’s Movement on Debt & Development)
O APMDD é uma aliança regional de movimentos populares, organizações comunitárias, coligações, ONGs e redes que acreditam na transformação social que é abrangente e inter-relacionada. Exigem a responsabilização e o cumprimento das responsabilidades e obrigações dos governos e instituições intergovernamentais e, portanto, procuram transformar as relações, estruturas e sistemas económicos e financeiros nacionais e internacionais.
Mais informações: http://www.apmdd.org/about
Contato: http://www.apmdd.org/contact

Campanha de Sobrevivência e Dignidade, Índia
(Campaign for Survival and Dignity)
Uma plataforma nacional de organizações de moradores de tribos e florestas em dez Estados que defendem a Lei dos Direitos da Floresta.
Mais informações: https://forestrightsact.com/about/
Contato: https://forestrightsact.com/contact-us/

Conversas sobre o clima, Singapura
(Climate Conversations)
Conversas sobre o clima é uma iniciativa que visa inspirar conversas significativas que levam as pessoas a cuidar do nosso ambiente e do nosso futuro. Mais informações: https://www.climateconversations.sg/
Doações: https://www.climateconversations.sg/donate

Centro de Recursos Costeiros, Índia
(Coastal Resource Centre)
O Centro, com sede em Chennai, visa fornecer apoio sustentado às comunidades costeiras para desafiar atividades destrutivas de desenvolvimento e combater o desenvolvimento insustentável, usando espaços democráticos para dissidentes e envolvimento proativo e, ao mesmo tempo, aumentar a resiliência dessas comunidades aos caprichos de um futuro incerto.
Mais informações: https://coastalresourcecentre.wordpress.com/about/
Contato: https://coastalresourcecentre.wordpress.com/contact-us/

Environics Trust, Índia
A Environics visa desenvolver soluções inovadoras e baseadas em evidências para os problemas de desenvolvimento comunitário, que respondem à diversidade e complexidade de ecossistemas e ambientes sociopoliticoculturais específicos .
Mais informações: http://environicsindia.in/category/activities/
Contato: http://environicsindia.in/contact-us/

Grupo de Apoio Ambiental, Índia
(Environmental Support Group)
O Grupo de Apoio ao Meio Ambiente trabalha com uma variedade de iniciativas de justiça ambiental e social na Índia e no mundo. Tratam de forma proativa as questões de justiça ambiental e social, colaborando entre setores e disciplinas, mantendo os interesses das comunidades locais afetadas pelo projeto e dos ecossistemas sem voz.
Mais informações: http://www.esgindia.org/about-us/index.html
Contato: http://www.esgindia.org/about-us/contact-us.html
Donativos: http://www.esgindia.org/about-us/what-you-can-do.html

Federação Nacional de Hawker, Índia
(National Hawker Federation)
A NHF é uma associação de vendedores de rua em 28 estados, com 1.188 sindicatos, incluindo 11 sindicatos centrais e mais de 20 sindicatos internacionais.
Mais informações: http://nationalhawkerfederation.com/
Contato: contact@nationalhawkerfederation.com

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Nirmanee Development Foundation, no Sri Lanka
(Nirmanee Development Foundation (NDF))
A missão da Nirmanie Development Foundation é contribuir para a sustentabilidade da sociedade, capacitando as pessoas a acreditarem na sua sabedoria e alternativas para a atual crise social e económica.
Mais informações: https://www.facebook.com/pg/Nirmaniefoundation/about/
Contato: nirmaneenimal@gmail.com

Movimento Filipinas pela Justiça Climática, Filipinas
(Philippines Movement for Climate Justice)
O PMCJ é uma ampla coligação nas Filipinas que trabalha com setores e comunidades vulneráveis para fazer campanha pela justiça climática.
Mais informações: https://www.facebook.com/ClimateJusticePH/
Contato: pmcj2012.sec@gmail.com

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Sociedade para Conservação da Biodiversidade do Pantanal, Nepal
Society for Wetland Biodiversity Conservation (SWBC)
Contato: swbc_rai@yahoo.com

Thanal, Índia
A Thanal é uma organização que trabalha para transformar o lado tóxico da agricultura em saudável através de empresas sociais que fornecem a milhares de consumidores o acesso a alimentos seguros e nutritivos, ao mesmo tempo que melhoram a qualidade de vida de centenas de agricultores. Eles têm uma campanha nacional Save our Rice e incentivaram milhares de agricultores em cinco estados a adotar práticas agrícolas ecológicas, conservar e cultivar variedades tradicionais de sementes de alta qualidade e garantir o fornecimento de arroz orgânico aos consumidores nesses estados. Thanal também administra um Centro de Resíduos Zero.
Mais informações: http://thanal.co.in/
Contato: admin@thanal.co.in

América Latina

Acción Ecológica, Equador
Grupo horizontal de ecologistas radicais desafiando o paradigma de desenvolvimento dominante e defendendo abordagens alternativas para responder a muitas questões da sociedade.
Mais informação: http://www.accionecologica.org/
Contato: informacion@accionecologica.org

Amazon Watch
Mais informações: http://amazonwatch.org/about
Contato: amazon@amazonwatch.org
Donativos: https://amazonwatch.org/donate

Asociación Indigena de Limoncocha, Equador
Contato: sucrecerda@gmail.com

Alter Vida, Paraguai
A Alter Vida trabalha para desenvolver e promover sistemas de gestão socioambiental com foco nos direitos humanos.
Mais informações: http://www.altervida.org.py/v4/
Contato: victorbenitez1@gmail.com | http://www.altervida.org.py/v4/#contacto

Censat Agua Viva, Colômbia
Mais informações: http://censat.org/
Contato: selvas@censat.org

Coletivo Viento Sur, Chile
Trata-se de um coletivo multidisciplinar, estruturado horizontalmente, que trabalha de forma holística em todo o Chile para ajudar na construção de uma sociedade sustentável e soberana.
Mais informações: http://www.colectivovientosur.org/
Contato: carolinalagos@hotmail.com, jobymolina@gmail.com

Fundaexpresión, Colômbia
Esta ONG promove o trabalho participativo de educação e investigação nas comunidades locais da Colômbia. Os seus objetivos são capacitar os grupos marginalizados para alcançar melhores condições de vida, organização social e conservação de seu patrimônio ambiental e cultural.
Mais informações: http://www.fundaexpresion.org/index.html
Contato: fundaexpresion@gmail.com

Grufides, Perú
Com sede na região de Cajamarca, no Peru, a Grufides trabalha em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, defendendo a economia solidária, práticas ecológicas sustentáveis, o direito à água, a equidade de gênero e o diálogo intergeracional.
Mais informações: http://www.grufides.org/paginas/sobre-grufides
Contato: http://www.grufides.org/contact

Campanha Internacional para Yasuní, Equador
(International Campaign for Yasuní)
Jovens guerreiros ecológicos que prometeram proteger o parque Yasuní, no Equador, da exploração de petróleo, defender a constituição e combater o patriarcado e o antropocentrismo.
Mais informações: http://sitio.yasunidos.org/en/
Contato: https://yasunidosinternational.wordpress.com/contact-us/ |
info@yasunidos.org
Donativos: https://yasunidosinternational.wordpress.com/support-us/donations/

Observatório de Conflitos Mineiros da América Latina (OCMAL)
Uma rede de vários grupos listados aqui, com foco em documentar conflitos de mineração na região.
Mais informações: https://www.ocmal.org/
Contato: https://www.ocmal.org/contactenos/

Observatório Petrolero Sur (OPSur), Argentina
Coordenadora latino-americana da rede Oilwatch, a OPSur trabalha em questões de energia, meio ambiente e direitos coletivos com uma abordagem holística. Defendem a transição para uma matriz energética alternativa sob uma estrutura de justiça ambiental e social e seguem três áreas de Territórios Livres do Petróleo, Soberania Energética e Justiça Ambiental.
Mais informações: http://www.opsur.org.ar/blog/english/
Contato: http://www.opsur.org.ar/blog/contacto/

Observatório Latino-americano de Conflitos Ambientais (OLCA), Chile
A OLCA aconselha comunidades em conflito, para melhorar suas capacidades de gestão e garantir seus direitos ambientais. Também monitoriza os conflitos ambientais, desenvolve ferramentas de gestão para eles e investiga e dissemina informações relacionadas com a proteção ambiental e os direitos dos cidadãos.
Mais informações: http://www.olca.cl/oca/index.htm
Contato: observatorio@olca.cl

Plataforma Boliviana frente al Cambio Climático, Bolívia
A Plataforma trabalha para desafiar o modelo de desenvolvimento predominante e produz pesquisas e materiais sobre economia verde, direitos dos povos indígenas e mineração, entre outras questões. Eles trabalham com comunidades em toda a Bolívia e também mantêm uma presença em espaços internacionais.
Mais informações: http://cambioclimatico.org.bo/
Contato: http://cambioclimatico.org.bo/website/index.php/content-layouts

TierrActiva, Bolívia / Colômbia / Perú
Esta rede regional emergente evoluiu de maneira diferente em cada país, mas está unida por uma visão central de “mudança de sistema, não mudança climática” e práticas de organização horizontal. O TierrActiva reúne jovens de diversas comunidades residentes na Bolívia, Colômbia e Peru:

Bolívia
Mais informações: http://www.tierractiva.org/klab/
Colômbia
Mais informações: https://www.facebook.com/tierraactivacolombia/
Peru
Mais informações: https://www.tierractiva.pe
Contato: tierractivaperu@gmail.com

*

Nós, que vivemos em Portugal e em outros países do Norte Global, temos uma grande oportunidade de ajudar os movimentos que realmente precisam isso. A transição energética global e a mitigação das alterações climáticas devem ser feitas de uma maneira justa. É importante capacitar aqueles que estão a lutar todos os dias nas lutas que eles não começaram.

Junta-te às organizações e aos coletivos existentes e faz parte da luta. Se não há nenhuma organização na tua cidade, forma uma. Fala connosco para saber mais.

*

Climáximo é um coletivo horizontal de ativismo climático. Temos reuniões abertas todas as semanas e muitas atividades para se envolver. Descubra mais no nosso site: climaximo.pt

Quem manda nesta democracia?

Em Bruxelas, um bairro de poucos quilómetros quadrados acomoda as instituições centrais da União Europeia (UE) — este bairro é também a capital europeia de lobbies. Em Bruxelas, lobbying — atividades para moldar decisões políticas de acordo com interesses privados — é já, e por si só, uma indústria milionária. … Hoje, estima-se que mais de 25.000 “lobistas” trabalhem em Bruxelas, a grande parte em favor das grandes multinacionais e associações empresariais. E esta é um actividade rentável, mexendo pelo menos com 1.5 mil milhões de euros por ano. (Para ler o resto da crónica da Margarida Silva da Corporate Europe Observatory na P3: Bruxelas, a capital europeia dos “lobbies”)eu

Nos dia 7-9 de Dezembro de 2017, o Climáximo co-organizou uma série de eventos com a Corporate Europe Observatory (CEO) e a Plataforma Não aos Tratados TTIP / CETA / TISA.

Na conversa “Quem manda nesta democracia?” no dia 7, falaram Lora Verheeke e Margarida Silva, ambas do CEO, expondo a maneira como a União Europeia (UE) funciona desde Bruxelas. Conversou-se sobre a maneira como o TTIP e CETA estão a ser negociados, a influência das grandes empresas e organizações de lobby na produção de legislação na UE, a falta de transparência dentro das instituições europeias e as portas giratórias que representantes das instituições europeias cruzam entre os cargos públicos e as grande empresas privadas. (Ouve aqui o episódio de É Apenas Fumaça, em que conversaram com a Lora, a Margarida e também com o João Vasco: Na Rua – Quem manda nesta democracia?) (Para ler o relato do dia: Debate “Quem manda nesta Democracia”)

No dia 9 de Dezembro, teve lugar a formação participativa sobre como investigar os lóbis das grandes empresas multinacionais, e o tipo de relações que estabelecem com os atores políticos. Foram apresentadas excelentes ferramentas de pesquisa, as quais permitem identificar conflitos de interesse e outras informações potencialmente relevantes para qualquer associação ou movimento que defronte estes poderosos interesses privados. (O relato do dia com as notas da formação, aqui.)

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CETA, ou C.omo as E.mpresas T.rucidam o A.mbiente

O acordo de comércio “livre” entre a União Europeia e o Canadá conhecido como CETA (Comprehensive Economic and Trade Agreement) foi negociado em segredo entre 2009 e 2016. À mesa sentaram-se representantes de governos e empresas multinacionais para encontrar o melhor acordo possível para os interesses dos empresários mais ricos do mundo. Depois de muitos anos de negociações, o CETA foi aprovado no Parlamento Europeu em fevereiro de 2017. Para entrar plenamente em vigor, tem agora de ser ratificado por cada parlamento nacional da UE.

Portugal prepara-se para tentar ratificar o CETA na mesma onda de secretismo. O debate na assembleia foi recém-marcado para o dia 18 e a votação logo para dia 20 deste mês de setembro – ironicamente, um dia antes de boa parte do CETA entrar “provisoriamente” em vigor. Mas nós não vamos deixar que isto passe despercebido: no dia 18 de setembro, enquanto dura o debate dentro do parlamento, estaremos do lado de fora a fazer os deputados ouvir-nos!

Porquê a preocupação? Porque o CETA dá aos grandes investidores privados o direito de processarem os Estados por enormes indemnizações se leis ou medidas governamentais interferirem com as suas expetativas de lucro futuro. Ora muitas proteções e direitos, desde serviços públicos, direitos laborais e de consumo, alimentares e ambientais, são hoje obstáculo a lucros privados.

A nível ambiental, o CETA deixa os Estados impotentes para legislar em prol do ambiente, privilegiar soluções renováveis, impor limites ou sanções à extração de combustíveis fósseis (incluindo pelos métodos mais sujos como as areias betuminosas ou o fracking), ou às emissões de transporte internacional – porque tudo isso prejudica o lucro das empresas mais ricas e poluentes do mundo.

Se for ratificado, o CETA será um atentado à democracia e à soberania dos Estados, uma carta branca ao grande capital para arrasar a saúde, direitos e bem-estar das pessoas, e as condições de habitabilidade do planeta.

Por isso, no dia 18 de setembro, das 14h às 21h, a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico convoca um protesto contra o CETA em frente do Parlamento! O Climáximo apoia e apela para esta ação. Junta-te a nós na contagem final contra o CETA!

Vemo-nos por lá 😉

Carta Aberta de Cientistas pelo Clima

Combustíveis fósseis e alterações climáticas: resposta a uma preocupação científica e social

Pensamos no mundo global em que vivemos como um sistema vivo e social, um sistema com que nos preocupamos e que temos a responsabilidade de transmitir às gerações vindouras.

As Cimeiras do Clima têm provocado debates mundiais sobre as alterações climáticas. Cientistas têm sublinhado a insuficiência das medidas tomadas até agora pelos poderes públicos nacionais e internacionais. A isto junta-se o desrespeito das metas acordadas por muitas empresas da energia e das maiores consumidoras, organizadas global e localmente em redes de dominação.

Hoje existe acordo entre a maioria das e dos cientistas quanto à urgência de pôr fim às emissões de gases de efeito de estufa. O conhecimento já existente permite abandonar os combustíveis fósseis em favor de energias limpas, as inovações nesta área são constantes. As alterações climáticas provocadas por ação humana são um problema da sociedade a que a ciência pode e tem vindo a responder. Queremos trabalhar em soluções e fazer parte delas, assumindo um compromisso com o planeta Terra e as vidas que humanas e não-humanas que dele dependem.

A relação entre poderes globais e nacionais está a reconfigurar-se após a eleição de Trump, a aliança com Putin e a ascensão da extrema direita na Europa, o que agrava a situação de forma preocupante. Para os povos, as ameaças à paz, à permanência no território, à saúde, à alimentação, à educação, aumentam a cada dia. Acresce ainda a insuficiência do investimento científico, em muitos países, o que ameaça o trabalho de cientistas e o isola mais, socialmente, das soluções justas para os grandes problemas que requerem a intervenção das várias ciências.

A exploração de combustíveis fósseis em Portugal é, justamente, um dos grandes problemas que temos de enfrentar do ponto de vista da cidadania e das ciências que fazemos. Como cientistas sabemos que a persistência de uma economia predadora do carbono inviabiliza os compromissos políticos nacionais assumidos nas Cimeiras do Clima e defrauda as expectativas das populações. Sabemos que destrói os territórios, mares e rios, a atmosfera, formas e cadeias de vida insubstituíveis, aproximando-nos aceleradamente de um ponto de não retorno. Sabemos que, com essa exploração, as populações não ganham nem trabalho, nem saúde, nem lugar para viver. E sabemos que há alternativas.

As comunidades científicas movimentam-se a nível internacional e preparam manifestações públicas para exprimir a sua condenação desta situação em abril, em vários países do mundo, incluindo Portugal. Este é, pois, o momento para manifestarmos a nossa oposição, socialmente responsável e com base no melhor conhecimento científico, aos furos de prospeção e exploração de petróleo e gás na costa e no mar portugueses, desde o Algarve até ao Porto.

Vimos afirmar que é preciso que cessem, desde já, todos os contratos em vigor e que se recusem novas emissões de licenças, de forma a evitar danos irreparáveis para a economia, o meio ambiente e as suas comunidades.

22 de abril de 2017

Alda Sousa; Ana Delicado; Ana Teresa Luís; Anabela Ferro; André Pedro do Couto; André Silveira; António Bracinha Vieira; António Pedro Dores; Armando Alves; Britta Baumgarten; Claudio E. Sunkel; Eduardo Ferreira; Elísio Estanque; Eugénia Pires; Filipe Duarte Santos; Francisco Louçã; Gil Fesch; Gil Penha-Lopes; Helena Freitas; Henrique de Barros; Inês Farias; João Arriscado Nunes; João Camargo; João Ferrão; João Guerra; João Lavinha; João Teixeira Lopes; João Veloso; Jorge Paiva; Jorge Sequeiros; José Lima Santos; José Manuel Pureza; José Maria Castro Caldas; Júlia Seixas; Lanka Horstink; Luís Ribeiro; Luísa Schmidt; Manuel Carvalho da Silva; Manuel Sarmento; Margarida Cancela de Abreu; Margarida Silva; Miguel Centeno Brito; Miguel Heleno; Nuno Almeida Alves; Nuno Santos Carneiro; Otávio Raposo; Patrícia Maciel; Patrícia Vieira; Paula Guerra; Paula Sequeiros; Paula Silva; Paulo Raposo; Paulo Talhadas Santos; Pedro Bacelar de Vasconcelos; Pedro Matos Soares; Pedro Pereira Leite; Ricardo Paes Mamede; Rita Ferreira; Rui Bebiano; Rui Gil da Costa; Rui Vitorino; Sandro Mendonça; Sinan Eden; Stefania Barca; Tatiana Moutinho; Teresa Summavielle; Violeta Ferreira; Viriato Soromenho-Marques.

A defesa dos direitos da Terra, a par com a defesa dos direitos das mulheres: Duas lutas, uma visão.

O Dia Internacional da Mulher, instituído pela Conferência da Segunda Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 como estratégia para a reivindicação de igualdade de direitos, onde se incluiu o sufrágio feminino, é um dia para nos lembrarmos que o patriarcado ainda existe e que ainda temos de o combater.

Esta luta não agrada àqueles que ainda defendem o poder patriarcal. Daí este dia ter-se vindo a transformar numa desculpa capitalista para comprar presentes e ir a ladies night, como se esta fosse a única noite do ano em que é permitido às mulheres sair à noite. Chega de vivermos um patriarcado cor-de-rosa e bem cheiroso. Queremos uma igualdade de género que realmente emancipe as mulheres!

O mesmo se aplica às alterações climáticas. Um capitalismo mais verde acompanhado de projetos extrativistas não é o caminho para um planeta habitável. Manter o aquecimento global abaixo da fronteira dos 2ºC implica cortes imediatos e radicais das emissões de gases de efeito de estufa, o que por sua vez implica transformações profundas na nossa sociedade. A justiça climática não significa só pagar mais por legumes biológicos e tomar isso como grande sinal de que somos ecologicamente conscientes. A justiça climática critica e reivindica a existência de uma dívida ecológica do Norte Global para com o Sul Global, defende uma democracia energética e chama a atenção para a importância de existir solidariedade internacional, exigindo uma mudança de atitude em relação ao tratamento dos refugiados climáticos.

Por tudo isto, exigimos uma mudança de sistema e recusamos as soluções que nos convidam a “comprar mais coisas para sermos mais felizes”.

Este ano, a Rede 8 de Março organiza uma série de iniciativas em Lisboa “para contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas”.

O Climáximo apoia estas iniciativas, e convida toda a gente a participar!

8marco


Pela interseccionalidade das lutas, contra todas as formas de Opressão e Exploração. Movimentos sociais e organizações políticas, todas e todos juntas/os: movimentos Feministas, Anti-Racistas, Anti-Capitalistas, LGBTQI+, Justiça Climática e Ambientalistas, Anti-Fascistas, Refugiados e Imigrantes, Contra a Precariedade no Trabalho e Sindicatos, Direitos das pessoas em situação de exclusão social e económica, Movimentos Estudantis juntam lutas, celebram a diversidade e constroem um futuro diferente.
#Rede8Março #ContraTodososMuros #AprendemosaVoar #Resisto


CONSTROEM MUROS, APRENDEMOS VOAR
Manifesto Transfeminista 8 de Março de 2017

Seja qual for a origem deste dia, na Rede 8 de Março decidimos contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas. Para isso juntamos lutas comuns, afirmamos a solidariedade e agimos em conjunto para ampliar o campo do possível, tomando o futuro nas nossas mãos.

Festejar o direito ao aborto gratuito e em saúde:

Este ano comemoram-se os 10 anos do direito ao corpo. No dia 11 de Fevereiro de 2007 em Portugal ganhou o SIM no referendo ao aborto por opção da mulher, gratuito e em saúde. Ganhou o direito à escolha. Tomamos nas mãos o que há de mais nosso: o nosso corpo, as nossas vidas. Passámos a ter o controlo da nossa reprodução. Ainda assim, na prática, o acesso ao aborto continua a ser por vezes dificultado por profissionais de saúde que se recusam a ouvir a voz das mulheres perante esta escolha.

Podermos decidir sobre o nosso corpo e escolher livremente sobre a maternidade torna o direito ao aborto um direito fundamental – não aceitamos voltar atrás.

Achamos essencial reforçar este direito com um acesso universal à educação sexual não sexista e a pontos de informação e apoio à sexualidade para todas as pessoas e por todo o país.

A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. De facto, o prazer continua submetido aos critérios masculinos impostos. As mulheres devem poder amar quem, quando e como quiserem, fora de um modelo de família que as vê apenas como incubadoras.

Ainda é preciso combater as velhas inquisições e lutar para sermos nós a escrever a história.

A situação é difícil não só no plano da desigualdade mas também no plano das condições de possibilidade de emancipação das mulheres. Muitas estão votadas ao desemprego ou à precariedade laboral, sem protecção e apoio social, sem serviços públicos que assegurem os cuidados com as crianças e com as pessoas idosas.

Com menos direitos as mulheres trabalhadoras ficam mais vulneráveis em relação aos patrões. Se a maioria das mulheres continua a ser mão-de-obra mais barata, a vida das mulheres migrantes, em particular, é ainda mais austera porque é subjugada também por uma cidadania diminuída, pela discriminação e pelo preconceito. Preocupa-nos a segurança material e afectiva de todas as mulheres e pessoas trans migrantes, refugiadas, apátridas, deslocadas, que tiveram, por qualquer motivo, que seja que abandonar a sua casa.

Lutamos pela visibilidade da mulher preta portuguesa e em Portugal e no reconhecimento da contribuição de mulheres africanas na história do país.

Afirmamos que o trabalho doméstico é trabalho e que as tarefas do dia-a-dia devem ser partilhadas sem hierarquias nem obrigações, definidas pela moral sexista que aprisiona as mulheres na condição de domésticas. O trabalho doméstico, apesar de não aparecer nas estatísticas nem nos media, gera riqueza e bem-estar, e este sistema económico e social mantém-se à custa do trabalho invisibilizado que nós realizamos. Além disso, muitas de nós ainda acarretamos uma violenta dupla jornada de trabalho, despendendo, por dia, mais 4h de trabalho não pago do que os homens. A isto se têm vindo a adicionar mais trabalho reprodutivo e mais responsabilidade por acção dos impactes climáticos negativos na vida quotidiana, impactos que são notórios na agricultura, alimentação, saúde, habitação e obtenção de água.

Também o trabalho sexual não pode continuar a ser exercido sem direitos, nem protecção social. Actrizes, dançarinas ou prostitutas, as mulheres estão presentes na indústria do sexo e o seu trabalho tem urgentemente de ser reconhecido.

Exigimos o direito universal pela autodeterminação, pela autodefinição, pela identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros. Hoje em dia, ainda é negado o direito à identidade e mesmo quando este é concedido, está dependente de decisões de “autoridade médica”, através de “tratamentos psiquiátricos” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. É-nos, assim, negada a capacidade de decisão sobre as nossas vidas, os nossos corpos e as suas identidades. Deverão as mulheres trans representar a ideia de mulher perfeita?

Perante as mulheres trans a quem é pedido que provem ser mulheres, e perante os homens e demais pessoas trans e intersexo, a quem é solicitado que sigam leis sociais baseadas no machismo, rejeitamos todas as normas impostas por esta sociedade cissexista e machista.

Os números da violência machista são um sinal muito forte de que o modo como nos organizamos, vivemos e relacionamos é baseado em relações de poder desiguais, regradas pelo machismo e pela violência. A morte é a face mais visível desta violência que esconde um sistema patriarcal e machista em que somos educadas e educamos.

O problema do assédio sexual, assim como a violação por estranhos e o stalking (perseguição continuada e invasão do espaço de privacidade) permanecem nas ruas, nas escolas ou nos locais de trabalho, reflectindo uma sociedade ainda muito ancorada na ideia da mulher enquanto ser que existe para ser vista e avaliada, submissa e tocada. Este sentimento de vulnerabilidade impede o exercício da liberdade e o usufruto do espaço público. É, portanto, uma forma de censura social e de limitação de movimento, de expressão.

Estamos empenhadas na construção de um outro mundo mais justo, onde a igualdade de género seja uma realidade e a emancipação das mulheres o seu caminho. Exigimos a mudança, os mesmos direitos e as mesmas oportunidades, porque somos muitas e não estamos sós.

Lutamos nas nossas realidades singulares, mas também em solidariedade internacional com os movimentos que lutam em todo o mundo pelas mesmas liberdades e contra os mesmos mecanismos de opressão.

Porque este mundo também é nosso, e nós também o pensamos, estudamos, criamos. Ocupemos então tudo, os locais de trabalho, a rua, os centros de investigação, os palcos, os museus, as conferências, as colunas de opinião, as galerias, as livrarias, os cinemas, as festas. Ocupemos todos os espaços da sociedade, das nossas vidas, desde os da representação aos da decisão e inclusive os nossos corpos, todos, sem excepções.

REDE 8 DE MARÇO

Precariedade? Nem para os Estivadores, nem para ninguém!

O Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal (SETC) conseguiu um acordo histórico no passado dia 27 de Maio. Os Estivadores estavam em greve pela desactivação da ETP, uma empresa de trabalho portuário intermediária na contratação de estivadores para as empresas de estiva, que detém as concessões de terminais portuários. Com o acordo alcançado, a ETP não pode recrutar mais estivadores, e os 15 trabalhadores que atualmente se encontram à sua responsabilidade serão integrados, no prazo máximo de 2 anos, nos quadros da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (AETPL).

A ideia desta ETP é servir de instrumento para implementar contratos de trabalho precários e com baixos salários a trabalhadores que teriam as mesmas funções de quem já trabalha nos portos através da AETPL e com condições dignas. Distinguir para dividir é o lema destas empresas intermediárias na contratação que, ao praticarem condições de trabalho diferentes das que já se praticavam, têm como única intenção precarizar e pôr os trabalhadores em posições de força diferentes; colocando-os uns contra os outros [e] para com isto conseguir o fim das lutas em defesa do valor do trabalho.13344590_615917081894360_3614804557227803574_n

Os estivadores conseguiram uma vitória e quiseram aproveitar o momento para continuar a luta e estendê-la a todas e todos os que sofrem diariamente com a precariedade, convocando para isso uma manifestação para dia 16 de Junho, às 18h no Cais do Sodré.

O Climáximo apoia esta manifestação e junta-se à luta pelo trabalho com direitos e pela vida[s] com dignidade.climaximo logo

Junta-te a nós nesta luta!

A luta contra a pecuária industrial na luta por uma mudança de sistema

MAM Climaximo

São vários os motivos que conduziram ao estado actual de urgência climática. A indústria pecuária é um dos principais responsáveis. As emissões oriundas da produção de animais para consumo humano estão estimadas em 7.1 gigatoneladas CO2-eq por ano, representando 14.5% das emissões globais derivadas da actividade humana (FAO, 2013)

A pecuária industrial representa um conjunto de práticas que procura essencialmente reduzir os custos de produção ao mínimo absoluto, ignorando sistematicamente a degradação ambiental, as desigualdades sociais, as doenças humanas e o sofrimento animal. Desde a desflorestação para a produção de alimentos para consumo animal, até ao processo digestivo dos animais, estas práticas intensivas emitem grandes quantidades de metano – um gás de efeito de estufa 21 vezes mais potente que o CO2 considerando um período de 100 anos (UNFCCC).

No dia 4 de Junho vai haver em Lisboa, pela primeira vez, uma marcha pela abolição dos matadouros. Esta marcha é organizada pelo Movimento pela Abolição dos Matadouros (MAM), nascido em 2016, que visa contribuir para a erradicação da violência especista, e simultaneamente alertar para os impactos do consumo de animais e dos seus derivados ao nível da saúde humana, da pobreza mundial, e da gestão dos recursos mundiais.

Estamos conscientes que o complexo agropecuário é um dos principais responsáveis pelas alterações climáticas e só com uma mudança dos nossos padrões de produção e consumo, em paralelo com uma acção política concertada com activismo ambiental, poderemos enfrentar o maior desafio que a Humanidade já enfrentou. Assim, parar as alterações climáticas passa também por uma participação concertada na luta contra a indústria agropecuária.

Climáximo