CETA, ou C.omo as E.mpresas T.rucidam o A.mbiente

O acordo de comércio “livre” entre a União Europeia e o Canadá conhecido como CETA (Comprehensive Economic and Trade Agreement) foi negociado em segredo entre 2009 e 2016. À mesa sentaram-se representantes de governos e empresas multinacionais para encontrar o melhor acordo possível para os interesses dos empresários mais ricos do mundo. Depois de muitos anos de negociações, o CETA foi aprovado no Parlamento Europeu em fevereiro de 2017. Para entrar plenamente em vigor, tem agora de ser ratificado por cada parlamento nacional da UE.

Portugal prepara-se para tentar ratificar o CETA na mesma onda de secretismo. O debate na assembleia foi recém-marcado para o dia 18 e a votação logo para dia 20 deste mês de setembro – ironicamente, um dia antes de boa parte do CETA entrar “provisoriamente” em vigor. Mas nós não vamos deixar que isto passe despercebido: no dia 18 de setembro, enquanto dura o debate dentro do parlamento, estaremos do lado de fora a fazer os deputados ouvir-nos!

Porquê a preocupação? Porque o CETA dá aos grandes investidores privados o direito de processarem os Estados por enormes indemnizações se leis ou medidas governamentais interferirem com as suas expetativas de lucro futuro. Ora muitas proteções e direitos, desde serviços públicos, direitos laborais e de consumo, alimentares e ambientais, são hoje obstáculo a lucros privados.

A nível ambiental, o CETA deixa os Estados impotentes para legislar em prol do ambiente, privilegiar soluções renováveis, impor limites ou sanções à extração de combustíveis fósseis (incluindo pelos métodos mais sujos como as areias betuminosas ou o fracking), ou às emissões de transporte internacional – porque tudo isso prejudica o lucro das empresas mais ricas e poluentes do mundo.

Se for ratificado, o CETA será um atentado à democracia e à soberania dos Estados, uma carta branca ao grande capital para arrasar a saúde, direitos e bem-estar das pessoas, e as condições de habitabilidade do planeta.

Por isso, no dia 18 de setembro, das 14h às 21h, a Plataforma Não ao Tratado Transatlântico convoca um protesto contra o CETA em frente do Parlamento! O Climáximo apoia e apela para esta ação. Junta-te a nós na contagem final contra o CETA!

Vemo-nos por lá 😉

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Carta Aberta de Cientistas pelo Clima

Combustíveis fósseis e alterações climáticas: resposta a uma preocupação científica e social

Pensamos no mundo global em que vivemos como um sistema vivo e social, um sistema com que nos preocupamos e que temos a responsabilidade de transmitir às gerações vindouras.

As Cimeiras do Clima têm provocado debates mundiais sobre as alterações climáticas. Cientistas têm sublinhado a insuficiência das medidas tomadas até agora pelos poderes públicos nacionais e internacionais. A isto junta-se o desrespeito das metas acordadas por muitas empresas da energia e das maiores consumidoras, organizadas global e localmente em redes de dominação.

Hoje existe acordo entre a maioria das e dos cientistas quanto à urgência de pôr fim às emissões de gases de efeito de estufa. O conhecimento já existente permite abandonar os combustíveis fósseis em favor de energias limpas, as inovações nesta área são constantes. As alterações climáticas provocadas por ação humana são um problema da sociedade a que a ciência pode e tem vindo a responder. Queremos trabalhar em soluções e fazer parte delas, assumindo um compromisso com o planeta Terra e as vidas que humanas e não-humanas que dele dependem.

A relação entre poderes globais e nacionais está a reconfigurar-se após a eleição de Trump, a aliança com Putin e a ascensão da extrema direita na Europa, o que agrava a situação de forma preocupante. Para os povos, as ameaças à paz, à permanência no território, à saúde, à alimentação, à educação, aumentam a cada dia. Acresce ainda a insuficiência do investimento científico, em muitos países, o que ameaça o trabalho de cientistas e o isola mais, socialmente, das soluções justas para os grandes problemas que requerem a intervenção das várias ciências.

A exploração de combustíveis fósseis em Portugal é, justamente, um dos grandes problemas que temos de enfrentar do ponto de vista da cidadania e das ciências que fazemos. Como cientistas sabemos que a persistência de uma economia predadora do carbono inviabiliza os compromissos políticos nacionais assumidos nas Cimeiras do Clima e defrauda as expectativas das populações. Sabemos que destrói os territórios, mares e rios, a atmosfera, formas e cadeias de vida insubstituíveis, aproximando-nos aceleradamente de um ponto de não retorno. Sabemos que, com essa exploração, as populações não ganham nem trabalho, nem saúde, nem lugar para viver. E sabemos que há alternativas.

As comunidades científicas movimentam-se a nível internacional e preparam manifestações públicas para exprimir a sua condenação desta situação em abril, em vários países do mundo, incluindo Portugal. Este é, pois, o momento para manifestarmos a nossa oposição, socialmente responsável e com base no melhor conhecimento científico, aos furos de prospeção e exploração de petróleo e gás na costa e no mar portugueses, desde o Algarve até ao Porto.

Vimos afirmar que é preciso que cessem, desde já, todos os contratos em vigor e que se recusem novas emissões de licenças, de forma a evitar danos irreparáveis para a economia, o meio ambiente e as suas comunidades.

22 de abril de 2017

Alda Sousa; Ana Delicado; Ana Teresa Luís; Anabela Ferro; André Pedro do Couto; André Silveira; António Bracinha Vieira; António Pedro Dores; Armando Alves; Britta Baumgarten; Claudio E. Sunkel; Eduardo Ferreira; Elísio Estanque; Eugénia Pires; Filipe Duarte Santos; Francisco Louçã; Gil Fesch; Gil Penha-Lopes; Helena Freitas; Henrique de Barros; Inês Farias; João Arriscado Nunes; João Camargo; João Ferrão; João Guerra; João Lavinha; João Teixeira Lopes; João Veloso; Jorge Paiva; Jorge Sequeiros; José Lima Santos; José Manuel Pureza; José Maria Castro Caldas; Júlia Seixas; Lanka Horstink; Luís Ribeiro; Luísa Schmidt; Manuel Carvalho da Silva; Manuel Sarmento; Margarida Cancela de Abreu; Margarida Silva; Miguel Centeno Brito; Miguel Heleno; Nuno Almeida Alves; Nuno Santos Carneiro; Otávio Raposo; Patrícia Maciel; Patrícia Vieira; Paula Guerra; Paula Sequeiros; Paula Silva; Paulo Raposo; Paulo Talhadas Santos; Pedro Bacelar de Vasconcelos; Pedro Matos Soares; Pedro Pereira Leite; Ricardo Paes Mamede; Rita Ferreira; Rui Bebiano; Rui Gil da Costa; Rui Vitorino; Sandro Mendonça; Sinan Eden; Stefania Barca; Tatiana Moutinho; Teresa Summavielle; Violeta Ferreira; Viriato Soromenho-Marques.

A defesa dos direitos da Terra, a par com a defesa dos direitos das mulheres: Duas lutas, uma visão.

O Dia Internacional da Mulher, instituído pela Conferência da Segunda Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 como estratégia para a reivindicação de igualdade de direitos, onde se incluiu o sufrágio feminino, é um dia para nos lembrarmos que o patriarcado ainda existe e que ainda temos de o combater.

Esta luta não agrada àqueles que ainda defendem o poder patriarcal. Daí este dia ter-se vindo a transformar numa desculpa capitalista para comprar presentes e ir a ladies night, como se esta fosse a única noite do ano em que é permitido às mulheres sair à noite. Chega de vivermos um patriarcado cor-de-rosa e bem cheiroso. Queremos uma igualdade de género que realmente emancipe as mulheres!

O mesmo se aplica às alterações climáticas. Um capitalismo mais verde acompanhado de projetos extrativistas não é o caminho para um planeta habitável. Manter o aquecimento global abaixo da fronteira dos 2ºC implica cortes imediatos e radicais das emissões de gases de efeito de estufa, o que por sua vez implica transformações profundas na nossa sociedade. A justiça climática não significa só pagar mais por legumes biológicos e tomar isso como grande sinal de que somos ecologicamente conscientes. A justiça climática critica e reivindica a existência de uma dívida ecológica do Norte Global para com o Sul Global, defende uma democracia energética e chama a atenção para a importância de existir solidariedade internacional, exigindo uma mudança de atitude em relação ao tratamento dos refugiados climáticos.

Por tudo isto, exigimos uma mudança de sistema e recusamos as soluções que nos convidam a “comprar mais coisas para sermos mais felizes”.

Este ano, a Rede 8 de Março organiza uma série de iniciativas em Lisboa “para contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas”.

O Climáximo apoia estas iniciativas, e convida toda a gente a participar!

8marco


Pela interseccionalidade das lutas, contra todas as formas de Opressão e Exploração. Movimentos sociais e organizações políticas, todas e todos juntas/os: movimentos Feministas, Anti-Racistas, Anti-Capitalistas, LGBTQI+, Justiça Climática e Ambientalistas, Anti-Fascistas, Refugiados e Imigrantes, Contra a Precariedade no Trabalho e Sindicatos, Direitos das pessoas em situação de exclusão social e económica, Movimentos Estudantis juntam lutas, celebram a diversidade e constroem um futuro diferente.
#Rede8Março #ContraTodososMuros #AprendemosaVoar #Resisto


CONSTROEM MUROS, APRENDEMOS VOAR
Manifesto Transfeminista 8 de Março de 2017

Seja qual for a origem deste dia, na Rede 8 de Março decidimos contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas. Para isso juntamos lutas comuns, afirmamos a solidariedade e agimos em conjunto para ampliar o campo do possível, tomando o futuro nas nossas mãos.

Festejar o direito ao aborto gratuito e em saúde:

Este ano comemoram-se os 10 anos do direito ao corpo. No dia 11 de Fevereiro de 2007 em Portugal ganhou o SIM no referendo ao aborto por opção da mulher, gratuito e em saúde. Ganhou o direito à escolha. Tomamos nas mãos o que há de mais nosso: o nosso corpo, as nossas vidas. Passámos a ter o controlo da nossa reprodução. Ainda assim, na prática, o acesso ao aborto continua a ser por vezes dificultado por profissionais de saúde que se recusam a ouvir a voz das mulheres perante esta escolha.

Podermos decidir sobre o nosso corpo e escolher livremente sobre a maternidade torna o direito ao aborto um direito fundamental – não aceitamos voltar atrás.

Achamos essencial reforçar este direito com um acesso universal à educação sexual não sexista e a pontos de informação e apoio à sexualidade para todas as pessoas e por todo o país.

A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. De facto, o prazer continua submetido aos critérios masculinos impostos. As mulheres devem poder amar quem, quando e como quiserem, fora de um modelo de família que as vê apenas como incubadoras.

Ainda é preciso combater as velhas inquisições e lutar para sermos nós a escrever a história.

A situação é difícil não só no plano da desigualdade mas também no plano das condições de possibilidade de emancipação das mulheres. Muitas estão votadas ao desemprego ou à precariedade laboral, sem protecção e apoio social, sem serviços públicos que assegurem os cuidados com as crianças e com as pessoas idosas.

Com menos direitos as mulheres trabalhadoras ficam mais vulneráveis em relação aos patrões. Se a maioria das mulheres continua a ser mão-de-obra mais barata, a vida das mulheres migrantes, em particular, é ainda mais austera porque é subjugada também por uma cidadania diminuída, pela discriminação e pelo preconceito. Preocupa-nos a segurança material e afectiva de todas as mulheres e pessoas trans migrantes, refugiadas, apátridas, deslocadas, que tiveram, por qualquer motivo, que seja que abandonar a sua casa.

Lutamos pela visibilidade da mulher preta portuguesa e em Portugal e no reconhecimento da contribuição de mulheres africanas na história do país.

Afirmamos que o trabalho doméstico é trabalho e que as tarefas do dia-a-dia devem ser partilhadas sem hierarquias nem obrigações, definidas pela moral sexista que aprisiona as mulheres na condição de domésticas. O trabalho doméstico, apesar de não aparecer nas estatísticas nem nos media, gera riqueza e bem-estar, e este sistema económico e social mantém-se à custa do trabalho invisibilizado que nós realizamos. Além disso, muitas de nós ainda acarretamos uma violenta dupla jornada de trabalho, despendendo, por dia, mais 4h de trabalho não pago do que os homens. A isto se têm vindo a adicionar mais trabalho reprodutivo e mais responsabilidade por acção dos impactes climáticos negativos na vida quotidiana, impactos que são notórios na agricultura, alimentação, saúde, habitação e obtenção de água.

Também o trabalho sexual não pode continuar a ser exercido sem direitos, nem protecção social. Actrizes, dançarinas ou prostitutas, as mulheres estão presentes na indústria do sexo e o seu trabalho tem urgentemente de ser reconhecido.

Exigimos o direito universal pela autodeterminação, pela autodefinição, pela identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros. Hoje em dia, ainda é negado o direito à identidade e mesmo quando este é concedido, está dependente de decisões de “autoridade médica”, através de “tratamentos psiquiátricos” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. É-nos, assim, negada a capacidade de decisão sobre as nossas vidas, os nossos corpos e as suas identidades. Deverão as mulheres trans representar a ideia de mulher perfeita?

Perante as mulheres trans a quem é pedido que provem ser mulheres, e perante os homens e demais pessoas trans e intersexo, a quem é solicitado que sigam leis sociais baseadas no machismo, rejeitamos todas as normas impostas por esta sociedade cissexista e machista.

Os números da violência machista são um sinal muito forte de que o modo como nos organizamos, vivemos e relacionamos é baseado em relações de poder desiguais, regradas pelo machismo e pela violência. A morte é a face mais visível desta violência que esconde um sistema patriarcal e machista em que somos educadas e educamos.

O problema do assédio sexual, assim como a violação por estranhos e o stalking (perseguição continuada e invasão do espaço de privacidade) permanecem nas ruas, nas escolas ou nos locais de trabalho, reflectindo uma sociedade ainda muito ancorada na ideia da mulher enquanto ser que existe para ser vista e avaliada, submissa e tocada. Este sentimento de vulnerabilidade impede o exercício da liberdade e o usufruto do espaço público. É, portanto, uma forma de censura social e de limitação de movimento, de expressão.

Estamos empenhadas na construção de um outro mundo mais justo, onde a igualdade de género seja uma realidade e a emancipação das mulheres o seu caminho. Exigimos a mudança, os mesmos direitos e as mesmas oportunidades, porque somos muitas e não estamos sós.

Lutamos nas nossas realidades singulares, mas também em solidariedade internacional com os movimentos que lutam em todo o mundo pelas mesmas liberdades e contra os mesmos mecanismos de opressão.

Porque este mundo também é nosso, e nós também o pensamos, estudamos, criamos. Ocupemos então tudo, os locais de trabalho, a rua, os centros de investigação, os palcos, os museus, as conferências, as colunas de opinião, as galerias, as livrarias, os cinemas, as festas. Ocupemos todos os espaços da sociedade, das nossas vidas, desde os da representação aos da decisão e inclusive os nossos corpos, todos, sem excepções.

REDE 8 DE MARÇO

Precariedade? Nem para os Estivadores, nem para ninguém!

O Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal (SETC) conseguiu um acordo histórico no passado dia 27 de Maio. Os Estivadores estavam em greve pela desactivação da ETP, uma empresa de trabalho portuário intermediária na contratação de estivadores para as empresas de estiva, que detém as concessões de terminais portuários. Com o acordo alcançado, a ETP não pode recrutar mais estivadores, e os 15 trabalhadores que atualmente se encontram à sua responsabilidade serão integrados, no prazo máximo de 2 anos, nos quadros da Associação de Empresas de Trabalho Portuário de Lisboa (AETPL).

A ideia desta ETP é servir de instrumento para implementar contratos de trabalho precários e com baixos salários a trabalhadores que teriam as mesmas funções de quem já trabalha nos portos através da AETPL e com condições dignas. Distinguir para dividir é o lema destas empresas intermediárias na contratação que, ao praticarem condições de trabalho diferentes das que já se praticavam, têm como única intenção precarizar e pôr os trabalhadores em posições de força diferentes; colocando-os uns contra os outros [e] para com isto conseguir o fim das lutas em defesa do valor do trabalho.13344590_615917081894360_3614804557227803574_n

Os estivadores conseguiram uma vitória e quiseram aproveitar o momento para continuar a luta e estendê-la a todas e todos os que sofrem diariamente com a precariedade, convocando para isso uma manifestação para dia 16 de Junho, às 18h no Cais do Sodré.

O Climáximo apoia esta manifestação e junta-se à luta pelo trabalho com direitos e pela vida[s] com dignidade.climaximo logo

Junta-te a nós nesta luta!

A luta contra a pecuária industrial na luta por uma mudança de sistema

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São vários os motivos que conduziram ao estado actual de urgência climática. A indústria pecuária é um dos principais responsáveis. As emissões oriundas da produção de animais para consumo humano estão estimadas em 7.1 gigatoneladas CO2-eq por ano, representando 14.5% das emissões globais derivadas da actividade humana (FAO, 2013)

A pecuária industrial representa um conjunto de práticas que procura essencialmente reduzir os custos de produção ao mínimo absoluto, ignorando sistematicamente a degradação ambiental, as desigualdades sociais, as doenças humanas e o sofrimento animal. Desde a desflorestação para a produção de alimentos para consumo animal, até ao processo digestivo dos animais, estas práticas intensivas emitem grandes quantidades de metano – um gás de efeito de estufa 21 vezes mais potente que o CO2 considerando um período de 100 anos (UNFCCC).

No dia 4 de Junho vai haver em Lisboa, pela primeira vez, uma marcha pela abolição dos matadouros. Esta marcha é organizada pelo Movimento pela Abolição dos Matadouros (MAM), nascido em 2016, que visa contribuir para a erradicação da violência especista, e simultaneamente alertar para os impactos do consumo de animais e dos seus derivados ao nível da saúde humana, da pobreza mundial, e da gestão dos recursos mundiais.

Estamos conscientes que o complexo agropecuário é um dos principais responsáveis pelas alterações climáticas e só com uma mudança dos nossos padrões de produção e consumo, em paralelo com uma acção política concertada com activismo ambiental, poderemos enfrentar o maior desafio que a Humanidade já enfrentou. Assim, parar as alterações climáticas passa também por uma participação concertada na luta contra a indústria agropecuária.

Climáximo

Tratados de comércio livre para lixar (ainda mais) o planeta

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O TTIP (Trans-Atlantic Trade and Investment Partnership) é um acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos que visa uniformizar as regras de acesso a ambos os mercados, protegendo os interesses económico-financeiros das grandes corporações a todo o custo e colocando-os acima dos direitos das pessoas e do planeta. Trata-se pois de um esforço concertado de investidores e corporações transnacionais para se livrarem de regulações governamentais nos campos da saúde, ambiente e direitos dos trabalhadores.

Vários outros tratados semelhantes estão actualmente no menu, como o TPP (entre nações do Pacífico, incluindo EUA, Japão e China), o TISA (também entre EUA e UE mas abrangendo só o sector de serviços) e o CETA (entre UE e Canadá). Todos eles têm em comum o secretismo, bem como o acesso quase ilimitado das grandes corporações a todo o processo, desde a elaboração dos textos à sua negociação.

Estes tratados prevêem um mecanismo de “defesa dos investimentos” que permite às multinacionais processarem os estados da UE perante tribunais de arbitragem quasi-privados e não democráticos, caso os governos aprovem legislação que possa contrariar os lucros ou perspectivas de lucro das empresas. Ou seja, recorrendo a estes tribunais “fora da lei” as companhias podem exigir compensações não só por lucros efectivamente perdidos como pelos lucros que esperavam vir a ter no futuro – caso determinada regulamentação nunca tivesse sido aprovada.

No caso do CETA, cuja negociação se encontra mais avançada, esta porta será aberta não só às empresas canadianas, mas também a 80% das empresas norte-americanas, através das suas filiais no Canadá. Sendo assim o CETA, que tem recebido muito menos atenção mediática, pode ser usado como um “cavalo de Tróia” por estas companhias enquanto o TTIP (entre UE e EUA) não fôr aprovado.

Para o ambiente estes acordos são uma verdadeira calamidade! Segundo as regras que as corporações nos querem impôr, um país deixa de ser livre para, por exemplo, priviligiar a produção nacional ou optar por energias renováveis em vez de combustíveis fósseis (veja-se um exemplo envolvendo a produção de painéis solares no Canadá). Segundo estes arquitectos do “comércio livre” os países devem funcionar como se as distâncias geográficas não existissem e o aquecimento global não passasse de uma ficção legal, em vez da crise mais grave e urgente que a Humanidade já enfrentou.

Por estas razões o Climáximo está manifestamente contra este tipo de tratados, que só beneficiam as empresas mais poluidoras e as mais empenhadas em destruir o planeta e os direitos de tod@s.

Podes obter mais informação aqui e assinar a petição para debater a ratificação do CETA na Assembleia da República!

35 horas já! No público e no privado.

Esta quinta-feira, 2 de junho, vota-se no parlamento o diploma que repõe as 35 horas semanais dos funcionários públicos. A aplicação dessa medida, que deveria entrar em vigor a 1 de julho em todos os serviços, tem sido alvo de alguma polémica, depois do governo propor uma reposição faseada em alguns serviços da administração pública.35

A luta pela redução da carga horária semanal de trabalho é urgente: não só para travar a sobre-exploração da vida humana em função da maximização dos lucros e para melhorar o bem-estar dos trabalhadores e das suas famílias, mas, acima de tudo, para fazer frente à crise climática que hoje enfrentamos! O atual sistema económico capitalista assenta sobre princípios de crescimento infinito, estimulando a sociedade para altos níveis de consumo material, o que justifica as elevadas exigências de produtividade impostas às empresas e aos trabalhadores. As pessoas são aliciadas a trabalhar mais para consumir mais, consumos que vão muito além das suas necessidades básicas (não só fisiológicas) como seres humanos.

Num planeta finito com recursos finitos, não há lugar para um sistema económico que tem o crescimento como um fim em si mesmo! Lutar por um planeta habitável implica travar as alterações climáticas e a sobre-exploração da natureza e dos ecossistemas, adaptando as necessidades axiológicas e existenciais do ser humano às disponibilidades da economia e da natureza e redefinindo o conceito de bem-estar das sociedades capitalistas.selo35h-publiquemja Reformular o modelo económico, retirando da equação o crescimento e o consumo desenfreado, traduzir-se-á em menores exigências de produtividade em determinados sectores da economia, retirando pressão sobre os trabalhadores, sem significar uma diminuição do número de postos de trabalho e a degradação da vida humana. Ao contrário, essa reformulação permite a redução de horas de trabalho, que por sua vez é uma pré-condição para implementar um modelo económico que não visa o crescimento, ao mesmo tempo que permite uma distribuição do trabalho existente, garantindo que todas as pessoas têm um trabalho satisfatório.

Um mundo que tem que “desacelerar” para evitar o colapso dos seus ecossistemas é uma das maiores janelas de oportunidade que a humanidade alguma vez teve – urge-se por uma transição para uma economia que respeita os limites da natureza e coloca as necessidades do ser humano acima do capital. Essa é uma economia que terá novos sectores de atividade, que gerará novos postos de trabalho e que os distribui pela sua população, não obrigando à exploração dos trabalhadores e eliminando a precariedade laboral.climaximo logo small

Assim, o Climáximo está ao lado dos trabalhadores na luta pela reposição das 35 horas de trabalho – alcançar essa redução é um passo a mais na construção do único sistema económico que garantirá a prosperidade da Humanidade e do planeta!

Marcha Global Contra a Monsanto

tribunal_logo_plainNo próximo dia 21 de Maio celebra-se o Dia da Marcha Global contra a MONSANTO, que une cidadãs e cidadãos de todo o Mundo num protesto contra o modelo agro-industrial promovido pela empresa multinacional MONSANTO, que a par de tantas outras atenta contra a vida e soberania alimentar dos povos. No seguimento do lançamento da iniciativa popular do Tribunal MONSANTO, realizar-se-á em Lisboa uma conversa entre ativistas e académic@s sobre o impacto social e ecológico da MONSANTO em Portugal, com o intuito de identificação de um caso a ser apresentado em Tribunal. Após a conversa, haverá uma concentração junto ao Parque Eduardo VII onde se realizará um concerto, temperado com acepipes cultivados e cozinhados sem tóxicos.

A luta contra empresas multinacionais que praticam agricultura industrial faz parte da luta pela justiça climática. O atual sistema alimentar, motivado pela maximização de lucros, faz com que agricultores e outros trabalhadores paguem os custos deste risco económico e/ou ecológico: Se os preços descem, nós pagamos. No caso de uma seca, nós pagamos. O mesmo se repete no caso de vir uma tempestade e destruir as culturas. No entanto se nada de mal ocorrer, eles (MONSANTO) lucram, e nós ficamos rendidos a um clima ainda mais instável, amplificado pelo impacto da manipulação excessiva e imprudente dos recursos naturais.

O modelo agrícola das multinacionais é uma situação de ganho exclusivo para as mesmas: estas instauram uma economia de dívida contínua, através da manipulação de patentes de sementes e cobrança de dividendos de trabalhadores de pequena escala. Sem qualquer atenção ao ambiente em que se inserem e ao clima que as rodeia, e não pensando na escala mais ampla da sobrevivência do planeta, estas multinacionais usufruem de todos os recursos disponíveis para cumprirem a sua ação, passando de forma implacável por cima de todos os sistemas vivos. Se não pararmos o aquecimento global agora, as alterações climáticas farão com que a nossa situação de perda se agrave ainda mais.

Criar e defender formas resilientes e conscientes de produção alimentar, como a agro-ecologia, não só é essencial para mitigação e adaptação às alterações climáticas, mas também para que reconquistemos a soberania alimentar, que agora mais do que nunca é posta em causa.

É por estas razões que o Climáximo divulga, convoca, apoia e participará nas iniciativas do Tribunal Monsanto.

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Solidariedade com o SNTSF e Convocátoria para o cordão humano no dia 28 de janeiro

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A notícia da ação aqui: SIC Notícias

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) convocou uma greve e um cordão humano para dia 28 de janeiro (quinta-feira) contra a recente privatização da CP-Carga. A concentração será às 10h30 em frente à sede da empresa.

Subscrevemos os motivos do sindicato para esta jornada de luta:

Razões de fundo, considerando que os Sectores Estratégicos da nossa economia devem estar nas mãos do Estado e que o transporte ferroviário de mercadorias é um Sector Estratégico;

Razões circunstanciais, face ao processo de privatização em concreto, com inúmeras situações irregulares e ilegais, onde se destaca a questão amplamente denunciada de a empresa ser vendida por 2 milhões depois de o Estado a capitalizar em mais de 116 milhões.”

O Climáximo solidariza-se com a luta do SNTSF. O caminho para um planeta justo e habitável passa pelo controlo público dos sectores mais responsáveis pelas emissões de gases de efeito de estufa.

Assim, consideramos que há também razões climáticas para a luta do SNTSF:

A exclusão da aviação civil e transporte marítimo do Acordo de Paris na COP-21 traduzir-se-á num desmantelamento gradual do sector ferroviário em prol daqueles sectores poluidores, simplesmente porque os governos decidiram ignorar as emissões deles.

Pelo contrário, do que nós precisamos urgentemente é duma transformação profunda da nossa sociedade para reduzir as emissões. Esta transformação vai exigir muito trabalho. Para este fim, defendemos a criação de centenas de milhares do novos postos de trabalho no sector público, para liderar a transição justa para um futuro sustentável – “Empregos Climáticos”.

Por isso convidamos tod@s a juntarem-se a nós no dia 28 de janeiro às 10h30 em frente à sede da CP-Carga, na Av. da Republica nº 66.

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