AÇÃO: Ativistas fizeram soar o “Climate Alarm” à frente da sede da petrolífera Australis contra os furos de gás na Zona Centro

Hoje, dia 8 de dezembro, enquanto a cimeira do clima COP-24 está a decorrer em Katowice, na Polonia, ações marcadas em mais de 160 cidades reuniram milhares de pessoas que exigiram uma verdadeira ação climática para limitar o aquecimento global por 2ºC.

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O dia de ação global foi denominado como “Climate Alarm” foi originalmente convocada em França e rapidamente multiplicou-se por 20 países em cinco continentes. Na convocatória, os organizadores sublinham que as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris no COP21 não são acatadas por nenhum dos países aderentes e que os compromissos assumidos, mesmo que respeitados, não são suficientes. Aliás, a sua implementação levaria a um aquecimento global superior a 3°C.

Em Lisboa, o “Climate Alarm” escolheu a sede da empresa Australis Oil & Gas na Avenida de Liberdade, uma vez que a Australis Oil & Gas pertende fazer furos de gás fóssil em Aljubarrota e Bajouca no próximo ano.

Depois da vitória dos movimentos sociais contra o furo de petróleo em Aljezur, os ativistas apontam para a Zona Centro do país como a próxima paragem da luta por um Portugal livre de combustíveis fósseis.

Nesta acção foram colocadas linhas vermelhas a envolver uma torre de exploração de gás e colocado um gigante cravo vermelho no cimo da torre de gás, à frente da sede da Australis Oil & Gas. As linhas vermelhas representam o limite que não devemos ultrapassar para vivermos num planeta habitável. Os activistas lançaram também as preparações dum Acampamento de Ação contra o Gás Fóssil e pela Justiça Climática, a ter lugar no verão 2019. Mais informações sobre o acampamento podem ser encontrados no http://www.camp-in-gas.pt .

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Declaração: A cimeira do clima em Katowice não serve. Os trabalhadores precisam de mobilizar-se para exigir uma transição justa.

Esta declaração foi escrita por sindicalistas e ativistas pela justiça climática, reunidos em Lisboa nos dias 22-25 de novembro por iniciativa da campanha Empregos para o Clima e da Fundação Rosa Luxemburgo. O texto foi lançado na sessão de encerramento dos IV Encontros Internacionais Ecossocialistas.

A cimeira do clima em Katowice não serve. Os trabalhadores precisam de mobilizar-se para exigir uma transição justa.

Políticos e empresários reunir-se-ão em Katowice, Polónia, de 3 a 14 de dezembro, para mais uma cimeira sobre o clima, a COP-24, para discutir a acção climática global.

Primeiro, eles irão culpar os governos negacionistas das alterações climáticas de direita, que ameaçam abandonar o acordo de Paris. Então, irão escrever e assinar mais documentos.

Os tratados e acordos internacionais envolvem sérias sanções para países que desejem sair ou quebrar os acordos. Sabemos isto porque o temos visto acontecer recentemente com acordos internacionais de comércio. Em contraste, sabemos o quão inconsequente é sair do Acordo de Paris, já que o acordo não acarreta quaisquer sanções. Mas também sabemos o quão inconsequente é permanecer no Acordo de Paris, com as suas metas voluntárias e não vinculativas que, mesmo se cumpridas, nos empurrarão para uma mudança climática descontrolada.

O capitalismo não será a sua própria cura. A solução para a crise climática tem que vir de baixo.

Os governos de todo o mundo devem lançar imediatamente programas de transição justa para se mudar para uma economia pós-carbono. No entanto, em Katowice, como em todas as vinte e três cimeiras anteriores, os governos vão falar sobre o que deve acontecer em 2030 ou 2050, em vez de fazerem compromissos concretos para 2019 e 2020 (isto é, quando estão realmente no poder).

Neste momento, não há transição energética (justa ou injusta) em curso que chegue perto de limitar o aquecimento global em 2º C, como sugerido pelo acordo de Paris. O business-as-usual (continuar como de costume) fornece apenas uma transição para o caos climático.

Isso significa que os trabalhadores devem tomar o assunto nas suas próprias mãos e lutar por uma transição justa nos seus termos. Precisamos de alcançar a justiça social e climática ao mesmo tempo, porque essa é agora a única maneira de ganhar qualquer uma delas.

Nós exigimos

  • programas de formação em energias renováveis e empregos de eficiência energética para quem trabalha nas indústrias de combustíveis fósseis, a serem lançados imediatamente,
  • controle público e democrático sobre o sector da energia,
  • investimento nos transportes públicos e colectivos nas cidades, assim como nas ligações entre cidades e países,
  • investimentos maciços e empregos em sistemas de energias renováveis,
  • o fim de todas as guerras, bem como da produção e venda de armas,
  • racionalizar e localizar linhas de produção, distribuição e consumo baseadas em necessidades humanas, em vez de lucro.

Não esperamos nada dos corredores da COP24.

A nossa esperança é baseada unicamente nos coveiros do capitalismo. Convidamos as e os trabalhadores do mundo inteiro a mobilizarem-se para defender um planeta habitável e a civilização, e a lutar por uma transição justa nos seus locais de trabalho, nas suas comunidades e mais além.

Para assinar a declaração: https://actionnetwork.org/petitions/the-climate-summit-in-katowice-wont-do-the-workers-must-mobilize-to-demand-a-just-transition/


This declaration was written by unionist and climate justice activists, gathered in Lisbon in November 22nd-25th by the initiative of the Climate Jobs campaign in Portugal and the Rosa Luxemburg Foundation. The text was launched at the closing session of the 4th International Ecosocialist Encounters.

The climate summit in Katowice won’t do. The workers must mobilize to demand a just transition.

Politicians and businessmen will gather in Katowice, Poland, on December 3-14, for yet another climate summit, COP-24, to discuss global climate action.

First, they will blame climate denialist right-wing governments who threaten to leave the Paris agreement. Then they will write and sign more papers.

International agreements and treaties can carry heavy sanctions for countries who wish to leave or break them. We know this because we have seen it happen recently with trade agreements. In contrast, we know how unconsequential it is to leave the Paris agreement, as the agreement carries no sanctions. But we also know how unconsequential it is to remain in the Paris agreement, with its voluntary, not binding emission targets which, even if kept, would still push the planet to runaway climate change.

Capitalism will not be the cure to itself. The solution to the climate crisis has to come from below.

Governments from all around the world must launch just transition programmes immediately, to move to a post-carbon economy. However, in Katowice as in all the previous twenty three summits, governments will talk about what should happen in 2030 or 2050, rather than concrete commitments about 2019 and 2020 (that is, when they are actually in power).

At the moment, there is no energy transition (just or unjust) in course that comes anywhere close to limiting global warming by 2ºC as suggested by the Paris agreement. Business-as-usual provides a transition to climate chaos only.

This means that the workers must take the matter in their hands and fight for a just transition in their terms. We need to win social and climate justice at the same time, because that is now the only way to win either one.

We demand

  • training programmes on renewable energy and energy efficiency jobs for all workers in the fossil fuel industries, to be launched immediately,
  • public and democratic control over the energy sector,
  • investment in public and collective transport in the cities as well as connecting cities and countries,
  • massive investment and jobs in renewable energy systems,
  • an end to all wars as well as arms production and sale,
  • rationalizing and localizing production, distribution and consumption lines based on human needs rather than profit.

We expect nothing from the halls of COP24.

Our hope is based solely on the gravediggers of capitalism. We invite the workers of the world to mobilize to defend a liveable planet and the civilization, and fight for a just transition in their workplaces, in their communities and beyond.

To sign this declaration: https://actionnetwork.org/petitions/the-climate-summit-in-katowice-wont-do-the-workers-must-mobilize-to-demand-a-just-transition/

COMUNICADO: Movimentos sociais derrotaram o furo de Aljezur. Falta travar Batalha e Pombal.

GALP e ENI declararam hoje que desistiram de exploração de petróleo em Aljezur. Esta é uma importante vitória do movimento social por um Portugal livre de combustíveis fósseis. Falta travar as concessões da Australis Oil & Gas. Vamos continuar até acabar com estas.

climaximo logo

O consórcio GALP/ENI anunciou que renunciaram a concessão offshore na Bacia Alentejana. O furo de Aljezur levantou uma contestação social sem precedentes à nivel local, regional e nacional. Hoje temos menos um furo no nosso futuro. E esta é claramente uma vitória dos movimentos sociais.

Falta parar todos os restantes furos de petróleo e gás. Para conseguirmos atingir a meta dos 1,5ºC, temos de parar todas as novas infraestruturas de combustíveis fósseis e lançar uma transição energética justa e rápida.

Climáximo felicita todos os movimentos e cidadãos que participaram nesta luta.

Esta é mais uma vitória do movimento mundial pela justiça climática. Na semana passada parou-se o fracking no Reino Unido, ontem ganhámos contra carvão em Espanha, hoje ganhamos contra a GALP em Portugal. Amanhã ganharemos contra o furo de gás em Aljubarrota e o gasoduto entre Guarda e Bragança. Seguiremos em frente pela justiça climática!

Climáximo


PRESS RELEASE: Social movements defeated the Aljezur drill. Next is to stop the drill in Batalha and Pombal.

In a declaration today, GALP and ENI announced that they gave up on the oil exploration project in Aljezur. This is an important victory of the fossil-free movement in Portugal. The next step is to stop the concessions of Australis Oil & Gas.

The GALP/ENI consortium announced that they desisted from the deep offshore concession in Alentejo. The Aljezur drill had raised unprecedented opposition locally, regionally and nationally. Today, we have one less drill in our future. And this is clearly a victory of the social movements.

Now we need to stop the remaining oil and gas projects. To limit global warming within 1.5ºC, we must stop all new fossil fuel infrastructures and launch a rapid and just energy transition.

Climáximo congratulates everyone involved in this struggle.

This is another victory of the global climate justice movement. Last month we stopped fracking the United Kingdom, yesterday we won against coal in Spain, today we win against GALP in Portugal. Tomorrow, we shall win against the Aljubarrota drill and the Guarda-Bragança gas pipeline. Marching forward for climate justice!

Climáximo

COMUNICADO |Encontros Ecossocialistas em Novembro trazem a Portugal oradores de cinco continentes

Conferência Ecossocialista traz a Portugal oradores de cinco continentes para contrariar o colapso ecológico provocado pelo capitalismo

Os IV Encontros Internacionais Ecossocialistas, nos dias 23-24-25 de Novembro em Lisboa, far-se-ão para discutir várias vertentes do combate pela Humanidade e pela Natureza, juntando mais de 60 oradores, de 16 nacionalidades e 4 continentes – Europa, Américas do Norte e do Sul, África e Ásia.

O programa dos Encontros Internacionais Ecossocialistas divide-se em 5 eixos:

– Economia Política da Comida e Soberania Alimentar;
– Desmantelando a falácia do Capitalismo Verde;
– O Trabalho na Era das Alterações Climáticas;
– Justiça Climática e Democracia Energética;
– Ecofeminismos.

Existirão 21 sessões e oficinas, desde a noite de sexta feira e ao longo do fim-de-semana, compostas por pessoas ativistas, militantes ecossocialistas e investigadoras. Aí será analisada a situação atual e, principalmente, consolidar-se-á a proposta ecossocialista internacional como resposta ao colapso ecológico e climático provocado pelo capitalismo global. O recente relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, sobre o aquecimento global de 1,5ºC, deixa esta urgência totalmente evidente: será necessário cortar mais de 50% nas emissões de gases com efeito de estufa nos próximos 12 anos, até 2030, algo que é incompatível com a necessidade de acumulação de riqueza inerente ao capitalismo.

Os encontros, que ocorrerão na Escola Secundária de Camões em Lisboa, são organizados por 11 organizações portuguesas e internacionais, com o lema “Alerta Vermelho, Alerta Verde: Dar Forma à Transformação Ecossocialista”.

Este evento contará com o “espaço do futuro” para a permanência dos mais jovens em várias atividades e oficinas educativas.

A entrada é gratuita. Inscrições abertas e informação detalhada em alterecosoc.org.

Comunicado: Global Gasdown Frackdown

COMUNICADO DE IMPRENSA

13 de Outubro Dia Internacional de Acção contra o Gás e o Fracking: Acção nos escritórios do Banco Europeu de Investimento em Lisboa

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O Climáximo vai participar no Dia Internacional de Acção contra o Gás o Fracking (Global Gas Frackdown) este sábado com um acção frente ao Banco Europeu de Investimento (BEI), às 16h30. O BEI está a financiar uma estratégia europeia de energia baseada em gás, patrocinando com o dinheiro dos nossos impostos infraestruturas para garantir a sobrevivência da indústria petrolífera durante mais cinco décadas, à custa do colapso climático. Em Portugal, o governo apoia ainda a prospecção e exploração de gás na Batalha e em Pombal.

A União Europeia está financiar uma estratégia energética que alimenta o colapso climático nas próximas décadas. Ao distrair-nos com a mentira de que o gás “natural” é um combustível de transição para as energias renováveis, a União Europeia  está a montar infraestruturas portuárias e gasodutos em todo o continente europeu para importar gás dos EUA, Canadá, Austrália, Argélia, Azerbeijão, Rússia e muitos outros países. A maior parte desse gás é hoje extraído por fracking, o que aumenta ainda mais as emissões de gases com efeito de estufa. Para pagar este novo resgate às companhias petrolíferas, a União Europeia quer usar o dinheiro dos impostos de todas as pessoas da União Europeia, através do Banco Europeu de Investimento, para que sejamos nós mesmos a financiar o colapso do clima que ameaça a civilização.

Em Portugal, o governo português continua a permitir que as petrolíferas perfurem à procura de gás, estando a zona de Aljubarrota sob ameaça de um furo de gás da empresa Australis Oil & Gas. Além disto, o governo quer que o Porto de Sines se transforme no porto de entrada de gás de fracking vindo do Sul dos Estados Unidos. Se isso acontecesse, a seguir seria necessário construir um perigoso gasoduto que teria de sair de Sines e seguir até aos Pirenéus, atravessando Portugal e Espanha quase inteiros.

Porque é que o gás não é um combustível de transição? As petrolíferas fazem contas de merceeiro para nos dizer que o gás “natural” tem menos emissões que o petróleo e o carvão. Contam apenas as emissões na combustão, escondendo que os processos de produção, armazenamento e transporte de gás têm enormes perdas de metano directamente para a atmosfera, o que faz com que o gás seja, no curto prazo, mais grave para o aquecimento do planeta do que o próprio petróleo ou o carvão. Mas nenhum dos três pode continuar: nem carvão, nem petróleo, nem gás!

Hoje sabemos que para manter o aumento de temperatura no planeta abaixo dos 1,5ºC, temos de cortar as emissões em mais de 40% até 2030. Isto é daqui a 12 anos! Temos de travar os psicopatas que querem torrar o planeta e a Humanidade em petróleo, gás e carvão!

Portugal junta-se à Marcha Mundial do Clima em três cidades no dia 8 de setembro.

Marchas em Lisboa, Porto e Faro exigem que não se inicie a exploração de combustíveis fósseis e se faça uma transição justa e rápida para energias renováveis.

No próximo dia 8 de setembro, às 17 horas, marcaremos presença em Lisboa, Porto e Faro na Marcha Mundial do Clima sob o lema “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”. Juntamo-nos à mobilização internacional “Rise for Climate”, que unirá milhões de pessoas em centenas de cidades por todo o mundo.

Exigimos uma transição justa e rápida para energias renováveis que vá ao encontro ou supere os compromissos governamentais de Portugal ser neutro em carbono até 2050 e que cumpra os compromissos a que se vinculou com o Acordo de Paris. Exigimos que não se criem novas infraestruturas de combustíveis fósseis em Portugal. Não faz sentido iniciar um ciclo de investimentos baseado numa economia do passado prejudicando o clima quando o país se comprometeu com o contrário. Por isso dizemos não aos projetos de petróleo frente a Aljezur, de gás em Aljubarrota e em outras zonas concessionadas ou passíveis de o ser.

Em Portugal, as marchas são organizadas no âmbito da iniciativa Salvar o Clima, que conta já com a subscrição de mais de 40 organizações de ambiente, movimentos cívicos, sindicatos e partidos políticos.

Em Lisboa e Faro, estão previstos breves discursos por parte de algumas organizações no final da marcha. No Porto, os discursos serão proferidos antes do início da marcha.

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Contexto

Portugal tem sido severamente atingido por secas, vagas de calor, e incêndios descontrolados. A nossa floresta, o maior sumidouro de carbono que possuímos tem vindo a ser destruída. Os nossos compromissos com o Acordo de Paris e com a neutralidade carbónica até 2050 espelham uma profunda contradição com as intenções de abrir o país à exploração de combustíveis fósseis.

Esta contradição tem de ser urgentemente invertida em prol da vida na Terra e não de perspetivas irrealistas de retorno económico, retorno este muito inferior aos possíveis impactes locais e aos garantidos impactes globais.

Mesmo num período da nossa civilização em que por vezes surgem informações falsas e populistas, a verdade é que o consenso científico demonstra as evidências irrefutáveis das alterações climáticas. Estas evidências estão infelizmente a tornar-se parte do nosso quotidiano, e lentamente constatamos uma mudança do clima com consequências dramáticas desde já, e principalmente para as próximas gerações, afetando múltiplos domínios da nossa sociedade.

Os efeitos fazem-se sentir cada vez mais e a velocidade com que a gravidade e intensidade destes se manifesta é cada vez maior. Conceitos como “planeta mais quente” estão rapidamente a ser substituídos pela noção de “planeta inabitável”.

Estamos progressivamente a perder a luta contra o tempo para salvarmos o nosso planeta. De acordo com estudos recentes, há um risco crescente de atingirmos um ponto a partir do qual o sistema Terreste ficará permanentemente instável, passando este a acelerar as alterações climáticas ao invés de as atenuar.

Com a intensificação dos impactes das alterações climáticas, chegámos ao momento em que temos de ir bem para além do que as negociações internacionais podem oferecer.

Juntos podemos mobilizar-nos para a construção de uma liderança climática e criar o momento certo para assegurar uma transição energética para um mundo sustentável e equitativo. Para atingir isso, comunidades do todo o mundo vão liderar e assegurar a transição justa e rápida para energias 100% renováveis para todos, ao mesmo tempo que param todos os novos projetos de exploração de combustíveis fósseis.

A Marcha Mundial do Clima marcará o passo dos próximos eventos políticos, e mostrará aos nossos líderes qual a resposta que queremos para a realidade da crise climática

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A iniciativa n’ 1 minuto:

Quem? |Mais de 40 organizações (ONGs, movimentos locais, sindicatos, partidos)

O quê? | Marcha Mundial do Clima

Onde? | LISBOA: Cais do Sodré | PORTO: Praça da Liberdade | FARO: Largo da Sé

Quando? | 8 de setembro, sábado, 17h00

Porquê? | “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”

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Informações:

Mobilização internacional: www.riseforclimate.org

Organizações promotoras em atualização e Convocatória: http://www.salvaroclima.pt

general 2018

Relatório: Lutar para vencer | Report: Fight to win

Lutar para Vencer capaO novo relatório “Lutar para vencer: o impacto no clima do movimento português anti-petróleo” do Climáximo mostra que as recentes vitórias do movimento contra a prospeção e exploração de petróleo e gás em Portugal conseguiram prevenir emissões de gases com efeito de estufa. Os autores concluem que ativismo pode ser a forma mais eficaz de os cidadãos reduzirem os seus impactos climáticos.

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O movimento anti-petróleo em Portugal preveniu já as emissões de aproximadamente 10 mil toneladas de CO2 nos últimos dois anos, graças ao cancelamento e adiamentos de contratos de exploração de gás e petróleo. O movimento conseguiu pressionar o governo para cancelar, ou não renovar, dois terços dos contratos existentes no início da legislativa e ainda conseguiu fazer adiar o furo de Aljezur do consórcio ENI/GALP, inicialmente marcado para 2016.

As conclusões do estudo são duas: (1) Os movimentos sociais são capazes de produzir resultados incríveis. (2) Participar em movimentos sociais será, possivelmente, a estratégia individual mais eficiente para redução de emissões: as emissões evitadas chegam, por ativista, aos 75% das emissões anuais médias de uma pessoa portuguesa, uma redução muito mais elevada do que em qualquer outra estratégia.

Todas as vitórias são temporárias e parciais, mas os impactos da crise climática não o são. Neste relatório, os autores, Sinan Eden (ativista do Climáximo) e Luís Fazendeiro (ativista da Plataforma Algarve Livre de Petróleo e investigador em transição energética) pretendem celebrar as vitórias do movimento até hoje e apelar à população portuguesa para que se junte a esta luta.

O relatório está disponível em inglês e em português:

Lutar para Vencer

Fight to Win


Fight to Win coverThe new report “Fight to Win: the climate impact of the Portuguese fossil-free movement” by Climáximo shows that the recent victories of the movement against oil and gas projects in Portugal succeeded in preventing a significant amount of greenhouse gas emissions. The authors conclude that activism can be the most efficient way for ordinary people to reduce their climate impact.

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The fossil-free movement in Portugal prevented approximately 10 thousand tons of CO2 emissions in the last two years, thanks to cancellations and postponements of oil and gas contracts. The movement successfully pressured the government to cancel or not renew two-thirds of the contracts which were valid in the beginning of its mandate, and further forced the Aljezur drill by ENI/GALP -originally set for 2016- to be postponed.

The report has two main conclusions: (1) Social movements are able to produce incredible results. (2) Participating in social movement is arguably the most efficient strategy for each individual in Portugal to reduce her/his greenhouse gas emissions: the avoided emissions reach 75% of annual emissions per activist, a value much higher than any other strategy.

All victories are temporary and partial, yet the impacts of climate crisis are not. In this report, the authors Sinan Eden (Climáximo activist) and Luís Fazendeiro (Plataforma Algarve Livre de Petróleo activist and energy transition researcher) intend to celebrate the victories of the movement until today and invite the Portuguese population to join the fight.

The report is available in English and Portuguese.

Lutar para Vencer

Fight to Win

AÇÃO: Um dinossauro quis participar na cimeira com Macron e Costa para fazer perguntas sobre combustíveis fósseis. Não lhe foi permitido entrar.

Hoje de manhã, um T-rex quis participar no Encontro dos Cidadãos na Fundação Calouste Gulbenkian com intenção de congratular os políticos pelos esforços para transformar os seres humanos em fósseis o mais rapidamente possível. O fóssil vivo quis solidarizar-se com os políticos com ideias fósseis. O T-rex foi retirado do edifício pelos organizadores e não lhe foi permitido entrar na conferência.

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Os políticos são especialistas em fazer declarações, assinar papeis não-vinculativos e organizar eventos para limpar a sua imagem. Em contradição com os discursos oficiais sobre alterações climáticas, os governos europeus continuam a investir em mais infraestruturas de combustíveis fósseis.

O governo português deu luz verde ao furo de petróleo em Aljezur, quer aumentar a capacidade do Porto de Sines para receber ainda mais gás fóssil, fez acordos com a administração Trump para comprar e distribuir o gás de fracking dos EUA, e quer construir um gasoduto com 160 km entre Guarda e Bragança. Os outros políticos convidados da cimeira sobre interligações energéticas na Europa têm currículos semelhantes (consultar Nota Informativa).

Em “solidariedade fóssil”, um T-rex apareceu na entrada da Fundação Calouse Gulbenkian hoje de manhã para dar um abraço aos políticos que lutam contra um planeta habitável por seres humanos. O dinossauro e o seu intérprete, ambos inscritos no evento, foram retirados do edifício e foi recusada a entrada.

Climáximo, coletivo pela justiça climática, denuncia conferências dos políticos com ideias fósseis em que fósseis vivos não são permitidos. O governo português ou deve parar o furo de petróleo em Aljezur, ou deve deixar os fósseis serem auto-representados nas conferências.

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Mais fotos: http://www.flickr.com/climaximo


Nota Informativa

O chefe de Estado francês Emmanuel Macron, o líder do Governo espanhol Pedro Sánchez, o presidente da Comissão Europeia Jean Claude Juncker e o presidente do Banco Europeu de Investimentos Werner Hoyer estão em Lisboa, a convite do primeiro-ministro António Costa, numa cimeira sobre interligações energéticas.

O denominador comum destes líderes é uma combinação autêntica do negacionismo das alterações climáticas com um discurso “ambicioso” sobre o clima.

  • António Costa, para além de dar luz verde ao furo de petróleo em Aljezur, quer aumentar a capacidade do Porto de Sines para receber ainda mais gás fóssil, faz acordos com administração Trump para comprar o gás de fracking dos EUA, e quer construir um gasoduto com 160 km entre Guarda e Bragança. Resumidamente, a política climática do governo português é aumentar a dependência do setor energético nos combustíveis fósseis.

  • A Comissão Europeia criou uma lista de Projetos de Interesse Comum, em que promoveu dezenas de projetos de combustíveis fósseis como o gasoduto MidCat em Espanha, o gasoduto transadriatico em Itália, e o gasoduto em Portugal. O Banco Europeu de Investimento disponibiliza fundos públicos para os projetos nesta lista.

  • Macron fala muito sobre o clima, mas a única coisa concreta que fez até agora foi enviar polícia militar para atacar a comunidade auto-gerida Zone à Défendre que defende a própria terra (Notre Dame des Landes) contra a construção de um aeroporto há décadas.

Num mundo de Trump, Putin e Erdogan, ter políticos a falar sobre ciência climática na televisão pode até parecer simpático. Contudo, a física e química do planeta não vêem a propaganda na televisão. É preciso agir.

Falta-nos uma década para travar os combustíveis fósseis e prevenir o caos climático.

Parem de mentir! Comecem a agir!

1) Zero infraestruturas de combustíveis fósseis novas: nem furos de petróleo, nem gasodutos, nem novos terminais para combustíveis fósseis.

2) Uma transição justa e rápida para as energias renováveis.

Justiça climática já!

AÇÃO: Ativistas espalham dinheiro sujo de petróleo no Ministério do Ambiente em denúncia do furo de petróleo em Aljezur

Na ação chamada “Os vossos lucros VS O nosso clima”, ativistas do coletivo Climáximo, vestidos como homens de negócio, entraram no Ministério do Ambiente e espalharam dinheiro sujo de petróleo por todo o lado. O Climáximo sublinha os processos corruptos em que o governo tomou o lado das empresas multinacionais contra o interesse público e o planeta.

O vosso lucro VS O nosso clima from Climaximo on Vimeo.

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A promiscuidade entre o governo e o consórcio ENI/GALP foi o destaque da ação do Climáximo hoje de manhã. Vestidos como homens de negócio, os ativistas “pagaram o serviço” do governo com notas de dinheiro manchadas por petróleo.

O Climáximo lembra que o governo tem uma longa lista de decisões a favor destas empresas petrolíferas:

  • No ano passado, a Plataforma Algarve Livre de Petróleo interpôs uma providência cautelar contra a atribuição da licença para a perfuração. Umas semanas após a aceitação pelo tribunal, o governo emitiu sem a divulgar uma resolução travando o efeito suspensivo da providência. Os argumentos usados pelo governo foram meramente económicos e contratuais. (Recentemente o tribunal de Loulé deu razão à PALP e a providência cautelar voltou  a ter efeito.)
  • Em setembro de 2017, um barco fez sondagens ao largo de Aljezur e foi avistado pelas organizações da sociedade civil. Após os pedidos de esclarecimento por parte destas organizações, o governo negou a existência destas atividades.
  • Apesar das três consultas públicas unânimes contra o furo, o governo estendeu o contrato da ENI/GALP, caducado em 2017.
  • Apesar dos milhares de participantes na última consulta pública que exigiram uma avaliação de impacto ambiental (AIA), o governo isentou as empresas da AIA e deu luz verde para a operação de perfuração.

A ação “Os vossos lucros VS O nosso clima” sublinha que estas decisões políticas do governo foram tomadas apesar da oposição das populações locais e dos autarcas. E também contra o planeta.

Estamos num momento de contradição profunda entre os lucros das multinacionais e um planeta habitável. Para evitarmos a crise climática, não pode haver nenhuma nova infraestrutura de combustíveis fósseis em nenhum sítio do mundo. O governo sabe disto, as empresas sabem disto, mas o capitalismo impõe as suas regras e empurra a humanidade inteira para o abismo do caos climático irreversível.

Há valores mais importantes para a sociedade do que os interesses económicos das multinacionais. Os vossos lucros não justificam a destruição do nosso planeta.

Temos que parar o furo.

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ACÇÃO NO PORTO: Ativistas serviram “coquetail de petróleo” e “água com gás de fracking” na conferência com Obama sobre alterações climáticas

À entrada da conferência “Climate Change Leadership Summit” no Porto, ativistas do Climáximo serviram bebidas falsas que representam as verdadeiras políticas climáticas do governo português e do Obama. A acção sublinhou as contradições entre os discursos e as acções dos governos.

Esta sexta-feira, o Coliseu no Porto foi palco duma conferência internacional, “Climate Change Leadership Summit”, em que o ex-presidente dos EUA Barack Obama foi convidado especial.

Contudo, foi durante a administração do Obama que foi lançada uma “revolução de gás de xisto”, i.e. o uso de fracturação hidráulica para extrair gás fóssil. Obama teve um discurso contra o carvão que serviu para criar uma imagem verde da sua administração, mas como os activistas do Climáximo sublinham:

Um nível de 3% de fugas durante a extracção ou o transporte [do gás] implicaria mais emissões do que as do carvão. Os dados mostram que entre 3.6% e 7.9% do gás escapa para a atmosfera durante a exploração. O gás é uma boa ideia para a indústria petrolífera, mas uma ideia horrível para o clima.

Obama aumentou as emissões dos EUA, manteve e fortaleceu o status quo da indústria de combustíveis fósseis, e depois entregou-o a Trump.

Por outro lado, os activistas destacam que

o governo português fechou os olhos às manifestações contra o furo de petróleo em Aljezur, ignorou todas as consultas públicas em que as populações e autarcas se opuseram ao furo, renovou o contrato caducado da ENI/GALP e permitiu que as operações avançassem sem avaliação de impacto ambiental.

Climáximo, colectivo pela justiça climática, denuncia os discursos “verdes” dos políticos que seguem políticas destrutivas na direcção do caos climático.

Na entrada da conferência, ativistas do Climáximo serviram “coquetails de petróleo” e “água com gás de fracking”, em representação do discurso que será “servido” dentro: palavras bonitas e “ambiciosas” mas em essência cheias de combustíveis fósseis.

Climáximo exige o impedimento imediata do furo de Aljezur, o cancelamento dos todos os contratos de petróleo e gás, e uma transição rápida e justa para energias renováveis.

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