Ações da campanha

Esta quinzena de ação descentralizada junta organizações de todo o país, que trazem as suas lutas para um momento e causa comuns, amplificando as vozes umas das outras. As áreas de ação propostas incluem o trabalho precário, a prospeção e exploração de combustíveis fósseis, as alterações climáticas, os transportes públicos, práticas sustentáveis, acordos de comércio livre (como o TTIP e o CETA) e o papel dos empregos dignos numa transição justa.

Para exigir medidas concretas que invertam o caminho de degradação do serviço público de transportes e na defesa do alargamento da oferta, da melhoria da qualidade e segurança do transporte público e com preços acessíveis, trabalhadores e utentes manifestaram-se, no dia 22 de setembro, na cidade de Lisboa.

A campanha “Empregos para o Clima” foi lançada durante as manifestações do 1º de maio. O próximo passo é mobilizar o máximo número de pessoas e organizações para esta campanha. Para o fazer, decidimos aprender com as experiências da implantação da mesma noutros países, particularmente no Canadá, Reino Unido e África do Sul.

Empregos com Dignidade para o Clima e a Sociedade” foi uma das exigências dos manifestantes no 1 de maio.

Uma das faixas visíveis nas marchas do Dia Internacional do Trabalhador de 1 de maio mostrou de forma clara que a classe trabalhadora está a tomar a dianteira também em relação à justiça climática. Nos cortejos da CGTP no Porto e Lisboa, e no PrecFest em Lisboa, a campanha “Empregos para o Clima” foi lançada com a participação de trabalhadores e trabalhadoras, e de ativistas pela justiça ambiental.

“A crise climática, o desemprego e a precariedade exigem uma resposta popular radical. Necessitamos urgentemente de alianças transversais que respondam às diferentes prioridades da população, para construirmos um movimento de base capaz de desafiar o sistema socioeconómico como um todo.”

Em termos nacionais, o sector dos transportes perfaz cerca de um quarto das emissões de GEE. Desde o aumento da utilização dos transportes individuais até ao desmantelamento e privatizações das ferrovias, a questão dos transportes públicos é essencial para a justiça climática.

“O acordo de Paris continua a assentar nos mercados de emissões de CO2 – a principal inovação introduzida pelo protocolo de Quioto – mesmo depois de 2020. Vamos discutir esta dependência exclusiva de mercados de carbono tanto de um ponto de vista económico como de um ponto de vista técnico.

Tencionamos, no entanto, ir além destes elementos, incorporando o papel dos movimentos sociais e sindicais no âmbito das políticas climáticas durante e depois do COP21.”

A par da crise de austeridade, vivemos também uma crise climática. Se, por um lado temos quase 1 milhão de desempregados (contando com os desempregados considerados “inativos”); por outro, os fogos florestais, as inundações e tempestades, a perda de área costeira devido à subida da água do mar e as secas dão-nos claros sinais que a Vida na terra já teve melhores dias. Duas crises aparentemente diferentes, mas que partilham, por parte do Estado e do lobby capitalista, da mesma falta de desconsideração e arranjar solução para as duas não é algo que seja visto como prioridade.

“Na mitigação das alterações climáticas, e na adaptação dos territórios às alterações climáticas, o emprego útil e de qualidade não existe no nosso país, tal como não existe na maior parte dos restantes países. Numa perspectiva “para além da COP-21” e focada em soluções de base, decidimos tomar como estratégia a médio-longo prazo uma campanha de Empregos Climáticos.”

“O acordo de Paris, fechado em mais uma cimeira das Nações Unidas sobre o clima, pouco representa no combate concreto às alterações climáticas e à injustiça ambiental. Entretanto, o planeta continua a aquecer e nós temos que parar as alterações climáticas. Temos que o fazer rapidamente!”

O Climáximo solidariza-se com a luta do SNTSF. O caminho para um planeta justo e habitável passa pelo controlo público dos sectores mais responsáveis pelas emissões de gases de efeito de estufa.

Assim, consideramos que há também razões climáticas para a luta do SNTSF. …

2015

As maiores crises que o planeta atravessa: Alterações Climáticas, Desemprego.

E se fosse possível matar a política suicidária da austeridade com a criação de emprego público, de qualidade, para milhões de pessoas, enquanto resgatávamos o planeta?

E se esse emprego fosse não só desejável, mas principalmente inadiável?

“Para mudar tudo, precisamos de toda a gente”, tem sido o mote de ações de justiça climática nos últimos dois anos. Também precisamos de toda a gente para concretizar o nosso lema: “muda o sistema, não o clima”.

Como resolver a crise climática e combater ao mesmo tempo a austeridade? Como pôr em prática o nosso slogan: “muda o sistema, não o clima”? Como ligar a questão do trabalho às questões da justiça climática?