One slogan, three inspirations: We are the ones we have been waiting for! – Sinan Eden

One of the slogans of the Red Lines action in Paris during COP-21 was “We are the ones we have been waiting for!”we-are-the-ones

To me, slogans are not just words but strong tools with three functions:

First, to summarize my intentions and political convictions in a simple form. (“We are nature defending itself.”, “System change not climate change.”)

Second, to remind myself why I’m there: The repetitiveness of day-to-day work of activism may have an alienating effect. So, speaking out brings me back to real life, reminds me the injustices that made me angry in the first place. (“1.5 to stay alive!”, “The people united will never be defeated.”)

There is also a third function. It applies to good slogans – these are infrequent yet abundant. To make me reflect on the current state of the struggle and my involvement in it. (During Gezi, one common slogan was “This is just the beginning, the struggle continues.” and its deeper meaning still echoes in today’s Turkey.)

Since a year, I have been thinking about “We are the ones we have been waiting for.” It is such a powerful formulation that I keep on finding new dimensions to it.

1) We are the ones we have been waiting for.

The first dimension, its simple message, is that governments or politicians cannot and will not solve the climate crisis for us. One reason is the revolving door phenomenon in the capitalist political system. Another is the 30,000 full-time employed lobbyists working day and night, just in Brussels. (The “lobbyist per policy-maker” numbers are higher in Washington D.C.)

So, we need a firm grassroots movement that demands real solutions to climate change and that challenges the current power relations.

2) We are the ones we have been waiting for.

Then there is the affirmation that ordinary people hold the answer. Through energy democracy, food sovereignty and direct democracy, it will be us who will bring the change. It is us, all of us, together, who can save the world – or rather, save us from the catastrophic planet that capitalism is guiding us to.

There are no heroes, no saviors, no supermen, no wonder-women. Or if there are, then they are the collective actions of people who are imperfect yet learning, physically weak yet morally strong, estranged to each other but at the same time emancipating each other.

3) We are the ones we have been waiting for.

The third dimension* is more about us, as I don’t really expect non-activists reading this note until this paragraph.climate-emergency

It is about time.

It is about waiting.

Those who got the first two dimensions right have the responsibility to now mobilize us for climate justice.

We, the activists, are the ones to do this “initial” work, to activate. No one else will do it for us. Nothing will happen “on its own”. (Better said, we don’t have time to wait for something to happen on its own.)

While governments procrastinate, we have to gear up the fight, and we have to do it urgently.

The good news is: We have the power to redistribute the power. This is a growing movement, and probably the most radical social movement of the century: Hundreds of thousands marched around the world for strong climate action, tens of thousands were on the streets of Paris despite the state of emergency. In Portugal alone, more than 40 thousand people said no to oil and gas extraction, and thousands marched for the climate in eight cities just last year.

The facts are on our side. The wind is behind us. We have the moral obligation and a real possibility to change everything. And we have between 5 to 20 years left.

Back to the slogan

Breathing in… Breathing out… Reading the slogan again: We are the ones we have been waiting for.

Imagining myself ten years from now… There are many possible scenarios. Whatever the results, I know that I can be held responsible (I would hold myself responsible, for sure), for the good and for the bad.

Heinrich Böll asked a question to himself and to his readers: In World War II, all Germans were at war; before World War II, when it was being prepared, where were all the Germans?

We are making choices. Particularly in the Global North, we are making a bunch of choices about how much historical responsibility we assume for ourselves. (It’s because we have the privilege to do these choices relatively freely.)

Makes me think…

We are.

The ones.

We have been waiting for.

Think about it.

***

* Disclaimer: I don’t meant this is what the creators of the slogan had in mind. I am not over-reading. I am just interacting with the slogan, and new meanings pop up.

Advertisements

A COP-21 acabou, e agora?

A Cimeira de Paris acabou. Do lado mau da história, temos o acordo em si, que vai trancar-nos numa trajetória de aquecimento global de 3ºC, uma cerimónia festiva nos salões da COP-21 para a destruição de milhares de vidas. Do lado bom, temos as oficinas, ações e reuniões do movimento de justiça climática, e as dezenas de milhares que marcharam na ação das Linhas Vermelhas de 12 de dezembro, apesar das ameaças do estado de emergência.

O Climáximo esteve em Paris, e não na COP-21, porque sabemos onde estão as verdadeiras soluções, e porque queremos construir um movimento de base pela justiça climática. Agora estamos de regresso a Portugal, para partilhar a nossa experiência e falar sobre os próximos passos. Vem e fala connosco.

d12 paris

 

O movimento social contra as alterações climáticas – João Camargo

[Artigo publicado no jornal “Expresso” de 5 de dezembro de 2015 e Esquerda.net]

Em Paris, onde se esperava uma manifestação de mais de 200 mil pessoas, entretanto proibida, foi a declaração de estado de sítio que lançou a cidade em polvorosa, depois de a polícia ter decretado prisão domiciliária para alguns dos principais organizadores dos protestos da Coalition Climat 21. A nível global, mais de 2500 cidades juntaram-se a este protesto, com milhões de manifestantes. Em Portugal, a pacífica Marcha Mundial pelo Clima reuniu alguns milhares de pessoas em oito cidades, e a de Lisboa teve honras de capa no “New York Times” com o título “Não Há Planeta B”. Este protesto é um sinal de esperança para uma temática até agora tecnificada e distante das populações, embora os seus efeitos já sejam evidentes. A constituição de um movimento global pelo clima excede a fronteira dos movimentos ambientalistas. As organizações humanitárias, de apoio ao desenvolvimento, credos religiosos, sindicatos, associações profissionais, agrícolas, alimentares, a todos este assunto toca. Não porque permita avançar pequenas agendas sectoriais, mas porque avança a agenda humana. Da solução ou não da gigantesca crise ambiental que são as alterações climáticas, a espécie definirá como se relaciona com o seu ambiente. A oposição entre ambiente e economia, criada e advogada pelos agentes da economia de extração, de máximo lucro e de desprezo pelos efeitos secundários da atividade produtiva, é falsa. A economia do monopólio, a economia da estandardização, da extração total dos recursos naturais e da comodificação da natureza não está em oposição ao ambiente, está em oposição ao futuro da espécie humana.

A todos os que perspetivam que exista um futuro para a nossa espécie exige-se ação. A COP 21 assume à partida a dificuldade de atingir os alvos que a si própria propôs: alcançar uma subida de apenas 2 graus centígrados até 2100. Da conferência deverá sair um acordo para os 3 graus centígrados, aumento catastrófico da temperatura, segundo a Convenção Quadro das Nações Unidas. Muitos assuntos não entraram nas negociações: o complexo industrial-militar, a necessidade de manter 80% das reservas de combustíveis fósseis no solo, a necessidade de planificar a energia. Assim, não será das negociações entre nações e lóbis que sairão as soluções para o futuro da civilização humana. É aqui que entra a sociedade civil.

Em Portugal, em plena negociação da Cimeira do Clima COP 21, recebemos o anúncio de que a ENI e a GALP iniciarão perfuração petrolífera ao largo de Sines. Além disso, na Batalha, em Pombal, no Algarve, estão a Australis e a Portfuel a tentar explorar gás de xisto, no mar em Peniche e no Algarve estão a Repsol, a Partex, a RWE, a Petrobras e a Galp, ávidas de furar o fundo. Que sentido tem isto? O nosso futuro tem de passar por não explorar reservas e não por passarmos a ser parte ativa do problema. A 12 de dezembro, em Portugal, realizar-se-á em várias cidades a Marcha pela Justiça Climática, subscrita por académicos como Filipe Duarte Santos, Luísa Schmidt ou João Ferrão, por artistas como Vhils, Sérgio Godinho ou Capicua, pelo bispo D. Januário Torgal Ferreira ou o filósofo Viriato Soromenho Marques, e por dezenas de cidadãos e ativistas. Mostra-nos um novo campo de possibilidades que as alterações climáticas trazem: novos futuros imaginados coletivamente e que nos permitam fazer face a um novo clima, mais duro, mas que exige de nós que sejamos muito mais solidários do que até aqui.

Somos NÓS aqueles de quem estávamos à espera!

Ida a Paris, COP-21

Em dezembro, os governos do mundo vão reunir-se em Paris para finalizar um novo acordo sobre alterações climáticas, um acordo insuficiente baseado em promessas não vinculativas. Ao mesmo tempo, milhares de pessoas vão para as ruas em Paris, porque a última palavra sobre alterações climáticas não é dos políticos, é nossa.

A 12 de dezembro, quando a cimeira estiver a chegar ao fim, vamos ocupar as estradas em torno do recinto das negociações e, numa ação massiva de disobedência civil, vamos demarcar linhas vermelhas para um planeta habitável. Vamos refocar o discurso, de mudanças climáticas para uma mudança de sistema, e sublinhar que o processo da ONU, dominado por corporações, não é a solução para a crise climática.

Contudo, isto não é um mero ato simbólico.

  • Os políticos gostariam que marchássemos num sítio convenientemente remoto, mas nós vamos perturbar o seu business-as-usual.
  • Este será também um momento de soluções dos povos, em construção. Atrás das linhas vermelhas, vamos discutir ações para 2016.

O Bloco de Esquerda está a organizar uma viagem de autocarro a Paris, e o Climáximo convida tod@s @s que queiram juntar-se a nós nesta ação histórica, a aparecerem na assembleia aberta para discutir a viagem:

Dia 27 de outubro, terça-feira, às 21h00 no Mob, Anjos.

Mais info:system change
http://d12.paris
https://climaximo.wordpress.com

 SLOGAN_EN