Climáximo em Paris, COP-21 #10: D12, The Last Word

More than 30.000 occupied today Avenue de la Grande Armée. On one end, Arc de Triomphe, symbol of imperialism and colonialism. On the other, the financial district, the responsibles of climate crisis.

With our disobedient bodies, we drew red lines for a just and liveable planet, and the “authorities” couldn’t stop it even with the pretext of state of emergency. It is us who defined what is an emergency! And I felt today that we are really the ones we have been waiting for, and I learned that they will have a lot of difficulty in stopping us.

Sinan, December 12th

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Climáximo em Paris, COP-21 #9: Empunhando flores vermelhas

O que quer que aconteça amanhã, fazeremos parte de qualquer coisa enorme…

Recebemos hoje as instruções finais sobre a mobilização. Foi revelado o local e o plano detalhado de ação. As massas de ativistas, empunhando flores e guarda-chuvas vermelhos, serão guiados por solenes cornetas a desenhar com os seus corpos indóceis nas vértebras da cidade uma longa linha vermelha, do Arco do Triunfo e o monumento ao soldado desconhecido ao distrito financeiro de Paris, apontando as vítimas e os culpados da crise climática: os muitos anónimos que pereceram e perecerão sob o imperialismo belicista e o jugo das grandes multinacionais.

Foi incrível o entusiasmo e a efervescência partilhados enquanto, sentados no chão lado a lado, inspirávamos as palavras e as instruções da organização. Salvas de palmas e mãos agitadas no ar, flores recolhidas, mapas desdobrados e assinalados, combinações entre grupos de afinidade, informação legal a postos.

Tudo está pronto. Aguardamos o sinal.

A M, 11 de dezembro

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Climáximo em Paris, COP-21 #8: Uma questão de lei

Sabemos que é errado vender e comprar pessoas. Mas até à abolição formal da escravatura, foi prática comum e às claras na Europa. Sabemos que é errado exterminar comunidades humanas por motivos etnico-religiosos. Mas sob o regime nazi, o povo considerou legítimo o extermínio em massa de judeus e outras minorias. Sabemos que é errado o extermínio de espécies e a alteração do equilíbrio climático do planeta. Mas deixamos estas práticas decorrerem todos os dias com normalidade.

Com o tempo, alterações legais vieram institucionalizar, e com o tempo cristalizar nas mentalidades, a proibição de atos cujo choque e horror é hoje parte do senso comum. Numa sessão sobre “Direitos da Natureza” aprendi que existe um movimento a trabalhar para uma mudança fundamental do enquadramento jurídico das relações com a Natureza, como extensão da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Não se trata de nos tornarmos todos veganos, ou de proteger animais de maus tratos. Mais claramente, não se trata de proteger o “indivíduo”: a árvore, a semente, o animal. O foco é antes nos “ecossistemas” e a capacidade de se regenerarem e continuarem a existir no futuro: trata-se novamente de proibir o extermínio. Mas aqui, a lei ainda não reflete o senso comum da justiça.

A M, 10 de dezembro

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Climáximo em Paris, COP-21 #7: What about climate jobs?

The Global Climate Jobs campaign, of which we are also a part, was strongly present in Paris during COP-21. Many debates, presentations and public outreach events (including this wonderful conference with Naomi Klein and Jeremy Corbyn) underlined the campaign moving forward, now in around 12 countries as far as I could count.

In fact, in the upcoming meetings we are planning to propose climate jobs as one of the main paths for the future of the international movement. Come on board, we are the ones we were waiting for.

sinan, December 10th

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Climáximo em Paris, COP-21 #6: False solutions

In a session on financialization of nature, we listened to testimonies from Ecuador (carbon markets and clean development mechanism-CDM), Brazil (REDD+), India (carbon credits) and the US (water pollution offsetting). The empirical examples in my mind produced this hypothetical but completely possible perverse scenario within market mechanisms:

An energy company wants to build a hydroelectric plant in the Himalayas, but because they must cut trees they pay a fund for offsetting the deforestation. They cut the trees and move on with the project. This money goes through the CDM to support clean development in India, therefore paying for the hydroelectric plant project which is considered renewable somehow. So the company ends up paying for its own project, cuts the trees, kicks out local people and builds a huge dam. Also, they sell themselves as “good guys” because they are paying for their mess.

sinan, December 10th

PS: Another example (more realistic) is here. 🙂

REDD+ is an offsetting scheme, which allows developed countries to pay deveoping nations to keep their forests standing.  Sounds good on the surface, but the plan is fraught with complex issues.

Climáximo em Paris, COP-21 #5: Financeirização da Natureza

Há uma série de produtos e esquemas financeiros a serem apresentados e aplicados como supostas “soluções” para a crise climática. Ouvi já falar de vários, e dos seus problemas. Mas só ontem, numa sessão sobre “financeirização da natureza”, realmente entendi porque é que NENHUM mecanismo de mercado poderá ser solução. E é essencialmente um problema de tradução: tenta-se traduzir danos aos ecossistemas e comunidades locais por dinheiro, e depois convertê-lo de volta em compensações para estes danos. Este exercício aparece de forma automática e não problemática, mas é aquilo que permite (por exemplo) converter o derrube de floresta amazónica virgem, a extinção massiva de biodiversidade ou a expulsão de uma comunidade do seu território ancestral em “equivalentes” plantações de eucaliptos num local conveniente.

A M

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Climáximo em Paris, COP-21 #4: Break Free in May

The “leaders” in COP-21 is talking about the gap between the below-2C warming target and the current pledges locking us into a 3C path. But “leaders” of social movements in ZAC (Zone of Action for Climate) are. 2015 was the hottest year in record for the planet and for the movement, and in 2016 we want to get the movement hotter. In May 2016, some 12 struggles around the world will escalate the struggle in acts of civil disobedience: Break Free 2016

Near Portugal, Ende Gelaende will have a massive coal mine blockade in Germany and there will be actions against the anti-renewable regulations in Spain. We knew we cannot rely on COP’s for climate justice, but from now on we will not even wait for them to have moments of mass mobilization. We are the ones we have been waiting for, and we will take the lead.

Sinan, December 9th

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Climáximo em Paris, COP-21 #3: Carbono Azul

No dia 8 de Dezembro, realizou-se, na ZAC (Zone of Action for Climate), a discussão “The Blue Carbon Mechanism: Ocean grabbing in disguise?” organizada pelo Forúm Mundial das Comunidades Piscatórias, onde se abordou a ameaça às comunidades das zonas costeiras por parte de grandes multinacionais através das iniciativas de Carbono Azul (Blue Carbon).

Carbono Azul é um carbono armazenado naturalmente pelos ecossistemas marinho-costeiros, em particular nas florestas de mangue. Sob o argumento de que os oceanos são os lugares mais promissores de carbono, vários projectos estão a ser implementadas como uma forma de conservação e/ou reabilitação dos ecossistemas costeiros. No entanto, este mecanismo representa uma clara reprodução das lógicas de Mercado de Carbono, por parte da grandes empresa. O Carbono Azul está a incentivar a privatização de zonas costeiras, expulsando comunidades, abolindo os seus direitos, entre outras consequências. Este mecanismo é uma falsa solução para as alterações climáticas!

Por M & M, no dia 8 de dezembro

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Climáximo em Paris, COP-21 #2: O sistema não se reforma, destrói-se!

Decorre, agora mesmo, na ZAC (Zone of Action for Climate) uma inspiradora conversa dinamizada pela Via Campesina. Estão aqui e não na COP21 porque o sistema não se reforma, destrói-se! Defendem a soberania alimentar, a não privatização das sementes, o poder para as pessoas, a não utilização de agro-químicos, a ocupação das terras, o fim da militarização, etc. Propõem a criação de mais espaços e movimentos de resistências que permitam a ruptura com o sistema mundial capitalista, a emancipação das comunidades e ao mesmo tempo o combate às alterações climáticas.

Por M & M, no dia 9 de dezembro

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Climáximo em Paris, COP-21 #1: Bottom-up imperialism

I learned about what I will call “bottom-up imperialism“. Simply put, it goes like this: In Copenhagen summit in 2009, the negotiations collapsed because the Global North evaded its historical responsibility. So they postponed a decision to keep warming below 2C. Then they invented “intended nationally determined contributions” (INDCs) for emission reductions and climate finance. It means, instead of defining the needed global cut and distributing it to countries based on equity (“top-down“), each country would announce their voluntary contribution until Paris.

The problem is that the current INDCs will lock us into a 3C warming, not compatible with a liveable planet.

Now the UN negotiators avoid talking about this gap (because that would be a top-down approach ^_^ ) and say “this is a beginning, we will make it better later on”. (meaning, I guess, worse storms and more extractivism will follow, this was just the beginning of destruction)* They will simply not correct the INDCs in Paris.

I find it very curious how a bottom-up approach is adopted to maintain ecological imperialism.

Sinan, December 8th

* Just to give you an idea: Turkey “committed” to doubling its emissions in 15 years. What a beginning!

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