2º Encontro Nacional pela Justiça Climática – programa detalhado

programa-final

 

10h30 – 12h00 Alterações Climáticas, Desigualdades e Justiça Social

climate-emergencyA Ciência das Alterações Climáticas evoluiu nos últimos anos de forma muito acelerada. O aquecimento do planeta devido à explosão das emissões de gases com efeito de estufa de origem humana é hoje o maior consenso da História da Ciência. Mas como surgiu esta enorme desregulação do sistema climático e da biosfera? E o que vai acontecer a Portugal daqui a 50 e daqui a 100 anos? Uma abordagem que começa pela Ciência do Clima mas que avança até aos gigantescos impactos sociais e políticos do Antropoceno.

  • João Camargo (investigador em alterações climáticas e ativista do Climáximo)
  • Ana Mourão (ativista do Climáximo)
  • Moderadora: Paula Sequeiros (Coletivo Clima)

*

10h30 – 12h00 Gás natural: energia de transição?
Why gas stinks and is not the answer to an energy transition

midcatO gás natural é desde há muito considerado um combustível de transição para uma economia de baixo carbono. Nos seus relatórios oficiais, o governo português considera também que o gás natural é uma fonte de energia mais limpa.

Qual é a origem desta preferência pelo gás? O que significam para a transição energética os “Projetos de Interesse Comum” (Projects of Common Interest) e a “União da Energia” (Energy Union)?

Para além de debatermos estes assuntos, iremos ainda falar sobre a luta contra o projecto Midcat, o mega-gasoduto que ligará a Argélia à França, atravessando a Península Ibérica.

  • amigos-de-la-tierra

    Hector Pistache (Amigos da Terra Espanha, responsável da campanha Clima e Energia)

  • Mari Ver (ativista do Stop Midcat)

***

12h30 – 13h30 Portugal 100% Renovável

fontes-de-energia1-696x355Portugal em tido nos últimos anos um aumento consistente da energia renovável na produção de energia elétrica. Nesta sessão propomos debater os desafios que Portugal enfrenta para dar o salto para 100% de energia renovável no setor elétrico antes de 2050. Neste cenário, queremos o papel que as cooperativas de energia podem ter na promoção da produção descentralizada e auto-consumo.

  • Transição para 100% RES, Ana Rita Antunes, ZERO (www.zero.ong)
  • Cooperativas de energias renováveis. O exemplo da Coopérnico. António Eloy, Coopérnico (www.coopernico.org)

*

12h30 – 13h30 Petróleo e Gás em Portugal: a luta dos cidadãos

salvar1Em Portugal atribuíram-se entre 2007 e 2015 quinze concessões de prospeção e exploração de petróleo e gás, em terra e no mar. A resistência cidadã à exploração de combustíveis fósseis revelou-se desde então como a maior luta ambiental em Portugal desde o combate ao nuclear em Ferrel. Vamos partilhar as experiências do Algarve, do Alentejo e da zona Oeste (com a Plataforma Algarve Livre de Petróleo, com o Alentejo Litoral pelo Ambiente e com o Peniche Livre de Petróleo).

  • Inês Ferro (PALP – Plataforma Algarve Livre de Petróleo)
  • Eugénia Santa Barbara (ALA – Alentejo Litoral pelo Ambiente)
  • Ricardo Vicente (Peniche Livre de Petróleo)

***

15h00 – 16h00 100 mil Empregos para o Clima

Podemos criar 100.000 novos empregos em Portugal e cortar as emissões de gases de efeito de estufa entre 60 e 70% em 15 anos. Estas são as estimativas preliminares de um estudo em curso no âmbito da campanha Empregos para o Clima em Portugal, que avalia como levar a cabo a transição nacional para uma economia de baixo carbono, através da criação de emprego público em setores-chave. Nesta sessão, com intervenções pela CGTP-IN, os Precários Inflexíveis e um dos coordenadores do estudo em curso, será abordado em detalhe o grave problema da precariedade em Portugal, e a sua articulação com a campanha Empregos para o Clima.logo_epc_azul-on-background

Oradores:

  • Ana Pires (CGTP-IN)
  • Carla Prino (Precários Inflexíveis)
  • Sinan Eden (Empregos para o Clima)
  • Moderador: Rafael Tormenta (SPN)

*

15h00 – 16h00 Tratados de Comércio Livre e o Clima

Pelo seu enorme impacto em importantes áreas da nossa vida social e económica, o tratado CETA entre o Canadá e a UE deveria ter sido objeto de um profundo escrutínio por parte de todos os sectores da sociedade civil. Lamentavelmente nada disso aconteceu entre nós.ttip-ceta

Recentemente aprovado no Parlamento Europeu, o tratado vai baixar aos parlamentos nacionais para uma ratificação definitiva, onde os deputados decidirão se ficam do lado dos cidadãos ou das grandes corporações, as grandes beneficiárias do acordo.

Neste sessão vamos ter um ponto da situação sobre o CETA e sobre as negociações de livre comércio.

  • José Oliveira (Plataforma Não aos Tratados Transatlânticos)
  • Margarida Silva (Corporate Europe Observatory)

***

16h30 – 17h30 Desobediência Civil pela Justiça Climática: Experiências internacionais
  • Mari Ver (ativista de Ende Gelände)
  • Juan Ignacio Garnacho (ativista da Greenpeace-Espanha)
  • Sarah Reader (activista do Climate Justice Now)gelande
  • Margarida Silva (activista do Corporate Europe Observatory)
  • Moderação: Rui Gil da Costa (Colectivo Clima)

Quando alcançamos um ponto de viragem nas alterações climáticas de causa humana, ativistas de todo o mundo põe a vida em risco para travar projetos destruidores. Nesta sessão ouviremos as histórias de ativistas que participaram em ações de desobediência civil contra os acordos de comércio livre, contra minas de carvão, projetos de extração de petróleo ou contra a industria da guerra.
A nossa pergunta: “O que te levou a dizer ‘basta!’? O que te fez decidir confrontar diretamente as ações criminosas da indústria e dos seus representantes?”
Aguardamos com curiosidade as suas respostas.

***

17h30 – 18h00 Conferência Final: conclusões do encontro

***

Bancas
Tecer Linha Vermelhatecer-linha-vermelha

“A “Linha Vermelha” é uma campanha nacional desenvolvida pela Academia Cidadã e pelo Climáximo para gerar alerta e informação sobre a exploração petrolífera e de gás nas costas portuguesas. Corremos o risco de ver destruídos para sempre os nossos ecossistemas marítimos e terrestres, além de sérios problemas para a nossa saúde, da nossa família, e dos milhares de turistas que todos os anos nos visitam.  

Vamos pedir à nossa população que se junte a nós para tecer ou tricotar a maior linha vermelha do mundo!  Vamos bater o recorde do Guiness de 52 quilómetros e mostrar aos nossos governantes que não queremos as nossas praias destruídas!

A campanha irá decorrer durante este ano de 2017 e estamos neste momento a criar grupos de tricot por todo o país. Queremos juntar famílias, idosos, artistas, pessoal do DYI, hipsters, surfistas, crianças, cães e gatos. Queremos gente do norte, do centro, do interior e das ilhas.

A Campanha pelas Sementes Livressementeslivres

A Campanha pelas Sementes Livres, apoiada por uma rede de organizações e colectivos da sociedade civil em Portugal, insere-se num movimento global que defende a soberania alimentar, as práticas agro-ecológicas, e a manutenção dos recursos vitais para a nossa alimentação no domínio público. Os seus defensores opõem-se às patentes sobre sementes e alimentos que encarecem e empobrecem a nossa comida, às sementes geneticamente modificadas que contaminam os nossos campos, e às leis e acordos internacionais injustos e imorais que entregam o controlo da nossa cadeia alimentar a uma dúzia de corporações e governos mais poderosos. Apelam a que se volte a guardar e a partilhar as sementes dos nossos campos.
página web: https://gaia.org.pt/campanha-pelas-sementes-livres/
movimento global: http://www.seedfreedom.info

***

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1019667388135156/

encontro

2º Encontro Nacional pela Justiça Climática

encontro
No momento em que sob as costas litorais de Portugal pende uma ameaça concreta de prospecção de petróleo, no momento em que Donald Trump tenta apagar as alterações climáticas da agenda internacional para relançar as petrolíferas em conjunto com Putin, reunimo-nos para discutir e preparar o combate às alterações climáticas e pela justiça social – combate à prospecção e exploração de combustíveis fósseis em Portugal; projectos de gás natural no país; empregos climáticos e transição energética; experiências internacionais de vários activistas desse mundo fora, juntos em Lisboa para reafirmar a justiça climática como objectivo essencial do nosso tempo. Esperamos por ti!

Relato do dia

**

Programa detalhado, com as descrições das sessões

programa-final

Sessão cinematográfica e debate: Desobediência sobre o clima

30 de novembro de 2016, 18h30, Sala 1, CES-Coimbra

Resumo

Vamos assistir ao filme Disobedience e a outras curtas-metragens que mostram ações em todos os continentes contra o poder, as desigualdades e a poluição da indústria dos combustíveis fósseis e da urgência de discussão das alternativas para um futuro limpo.

Comentário: Sinan Eden (Climáximo)

Organização: Oficina Ecologia e Sociedade (CES)

cartaz-desobediencia-sobre-o-clima_web

Flexibilities – Sinan Eden

We are in Madrid, 17 people (and two wonderful trainers) from seven cities of the Iberian peninsula, in a civil disobedience training. And we are talking about limits, particularly our limits in action.

It reminds me of other limits, limits as to what we can achieve in Portugal right now. It makes me think of how flexible (or not) the legal and institutional structures are.

I remember an interview in New Statesman with Yaris Varoufakis. It was after the Eurogroup negotiations, after the referendum, and after the introduction of new austerity measures. Varoufakis had resigned already, and this was his first interview afterwards.

What does Greek debt have to do with climate politics?

I recall the following bit of the interview:

“There was a moment when the President of the Eurogroup decided to move against us and effectively shut us out, and made it known that Greece was essentially on its way out of the Eurozone. … There is a convention that communiqués must be unanimous, and the President can’t just convene a meeting of the Eurozone and exclude a member state. And he said, “Oh I’m sure I can do that.” So I asked for a legal opinion. It created a bit of a kerfuffle. For about 5-10 minutes the meeting stopped, clerks, officials were talking to one another, on their phone, and eventually some official, some legal expert addressed me, and said the following words, that “Well, the Eurogroup does not exist in law, there is no treaty which has convened this group.” varoufakis

So what we have is a non-existent group that has the greatest power to determine the lives of Europeans. It’s not answerable to anyone, given it doesn’t exist in law; no minutes are kept; and it’s confidential.” (my emphasis)

This honest revelation is, I believe, crucial to understanding the world we live in. So please read it again, and read it carefully.

To sum up, what happened? Troika wanted the Greek government to introduce more cuts. They had no legal tools to achieve it. In fact, they didn’t even have the necessary institutional tools! The European state apparatus couldn’t lead this process.

So what did they do? Ministers, bankers, lobbyists, government officials, big people… they IMPROVISED! They created a non-legal, non-state, informal, unaccountable entity to deal with it. Varoufakis says he “was on 2 hours sleep every day for five months,” mostly working with this thing.

No one asked: “Wait, is there a convention for Eurogroup?”, “What do we base our discussions on?”, “Is it actually compatible with any law or constitutional article somewhere?” No one asked. They had a problem. They wanted to solve it. They solved it. Period.flexible

When I first read the article, I was talking to everyone around me about it. I guess I read it more than ten times so far. The point being: Do you see how flexible they can be when they want to?

Okay, going back to Portugal.

What does civil disobedience have to do with climate change?

There are contracts, concessions, and laws on which these are based.

Then, there is climate change.

There is obviously an essential difference: We have a problem with the climate chaos, they don’t. So they don’t want to solve it, we do. But even so, I think there are at least two points I want to make about what Varoufakis’ words made me think.

First: If they don’t cancel the contracts and related law decrees (not only in Portugal, but in all of Europe), it’s not because the legal system doesn’t allow that, it is because they actually do not want to cancel the contracts. If they had to, they would find a way.

Second, and now coming all the way back to the training I’m participating in now: They are quite flexible. They introduce sanctions, they declare and extend states of emergency, they even create non-legal, non-state, informal, unaccountable structures when necessary!

For them, the maintenance of the current socio-economic system is not negotiable.planet profit

And what about us? How flexible are we in our personal limits? (How flexible am I?) And the maintenance of a livable planet, how negotiable is it for us?

They were ready to do whatever it took to “solve” the Greek debt crisis. How ready are we to solve the climate crisis?

We are now in Madrid, with activists involved in 12 organizations. We are exploring ourselves – sometimes more explicitly, sometimes more implicitly – in relation to all these questions. And we will come back to our collectives and our hometowns, and re-open all of these discussions with you.

Rosaparks_bus

***

PS: And this is a European example. So it takes place in a rather democratic system. Then there are also other parts of the world, like Middle East or Africa…

Passeio Tóxico, 1 de julho: Como chegar?

A GALP quer perfurar mar da costa alentejana a 1 de julho.

A nossa resposta: Se ultrapassarem as linhas vermelhas de um planeta habitável, nós teremos de ultrapassar as suas linhas vermelhas, através de ações de desobediência civil.

Encontro das bicicletas: 14h00 Entre Campos

Bicicletada anti-fracking e não convencionais:
14h00 Entre Campos -> 14h30 GALP Energia

Encontro e briefing do Passeio Tóxico: 14h30 GALP Energia
(Rua Tomás da Fonseca, Torre C, 1600-209, Lisboa)

Autocarros:

  • 701: Campo Grande (metro) – Campo Ourique (Paragem: R. Tomás da Fonseca)
  • 726: Sapadores – Pontinha centro (Paragem: Estr. Luz / R. Soeiros)
  • 764: Cidade Universitária – Damaia Cima (Paragem: Estr. Luz / R. Soeiros)
  • 768: Cidade Universitária – Q.ta Alcoutins (Paragem: Estr. Luz / R. Soeiros)

mapa toxico

 

passeio toxico reloaded

Mais informação sobre o Passeio Tóxico aqui. Esta ação faz parte deste Apelo para um Planeta Justo e Habitável.

Passeio Tóxico Reloaded, 1 de julho

passeio toxico reloaded

O video e os fotos do Passeio, aqui. 🙂

Actualização: A sondagem da GALP/ENI foi adiada pela DGRM para dia 3 de agosto. A GALP/ENI têm agora uma oportunidade para recuar, e evitar cruzar ainda mais as linhas vermelhas do planeta. Mantemos o Passeio com toda força!

Fart@ dos projetos de extração off-shore e on-shore, convencionais e não convencionais que estão a lixar o planeta?

A GALP quer perfurar mar da costa alentejana a 1 de julho.
A nossa resposta: Se passarem as linhas vermelhas de um planeta habitável, nós teremos de passas as suas linhas vermelhas, através de ações de desobediência civil.

Junta-te a nós nesta visita guiada, grátis e livre, às marmorras dos criminosos climáticos.

Como chegar?

GALP