Programa do 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática

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Dia 15 de Março, sexta-feira, 21h30

Sessão especial: Clima, Justiça Social e Direitos Humanos

Nesta sessão que abre o 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática, contamos com duas presenças muito especiais: Daiara Tukano, dos Tukano do Alto Rio Negro, no Brasil, activista, artista, investigadora e pensadora sobre direitos humanos e causas indígenas; e Daniela Ferreira, em representação do movimento estudantil que em Portugal mobilizou estudantes em mais de 20 cidades para a primeira Greve Climática Estudantil, no próprio dia 15 Março. Estas duas mulheres lembram-nos, de pontos de vista muito diferentes, as articulações profundas entre as mudanças do clima, a justiça social, e um sistema socioeconómico que prioriza o lucro das empresas em vez do bem-estar das pessoas.0 Sessão_Especial

  • Daiara Tukano, do povo Tukano do Alto Rio Negro, é activista indígena e artista plástica, mestre em direitos humanos pela Universidade de Brasília, pesquisadora do direito à memória e verdade dos povos indígenas; comunicadora independente e coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil. Daiara acredita que o activismo é um exercício pela consciência para a integração com a natureza, para que possamos trabalhar juntos a cultivar uma sociedade mais justa e respeitosa das diversidades, honrando a dignidade de todos os seres vivos.
    Daiara iniciará em Lisboa uma tournée por várias cidades europeias, organizada pela Coordenação Justiça Climática Social/Suíça e com apoio do Coletivo Memória, Verdade e Justiça Rhône Alpes / França.
  • Daniela Ferreira é licenciada em Bioquímica pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e na FCT e FCM da NOVA frequenta o mestrado em Fitotecnologia Nutricional para a saúde humana. Daniela é uma das organizadoras da Greve Climática Estudantil e é também activista de vários colectivos como Climate Save Portugal, Associação Vegetariana Portuguesa e Climáximo.

Dia 16 de Março, sábado, 10h00 – 19h30

Sessões Públicas

10h00 Plenário inicial

Vamos Virar a Maré!

2019 está a ser um ano que promete muito para as lutas pela justiça climática. Ou o contrário: as lutas estão a prometer muito para 2019.

Com Greve Climática Estudantil a 15 de Março, Rebelião de Extinção em Abril e o acampamento de acção contra gás CampinGás em Julho, Portugal está a acompanhar várias dinâmicas internacionais que visam encaminhar-se para uma acção ibérica massiva em 2020.

Este ano, o 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática terá três dias intensos dedicados às linhas de frente e à estratégia da luta.

10h30 Novos portos e aeroportos: o acelerar da crise climática!

com activistas da SOS Sado e Plataforma Cívica Aeroporto BA6 Montijo Não

Nesta sessão vamos discutir dois novos mega-projetos em Portugal: o novo aeroporto planeado para o Montijo e as dragagens no estuário do Sado, com o intuito de criar um novo porto de águas profundas em Setúbal. Ambos os sectores, da aviação e do transporte marítimo, têm tido os maiores aumentos em termos de emissões de gases de efeito de estufa nos últimos anos.1 Portos e Aeroportos

Estes projectos foram decididos sem qualquer participação pública, à revelia das populações e até contra a oposição de parte do poder local. A sua concretização trará grandes impactos ambientais para dois dos estuários mais importantes da Europa em termos de biodiversidade, o Tejo e o Sado, além de todos os impactos sobre as populações locais, não só em termos de ruído e poluição atmosférica, como até de perda de actividade económica, como a pesca ou o turismo de natureza.

Nesta sessão pretende-se partilhar informação sobre ambos os temas, bem como criar pontes entre os vários movimentos que lutam contra este modelo económico de crescimento a todo o custo e fomentar a discussão sobre modelos alternativos de desenvolvimento sustentável!

10h30 Exploração de Gás em Portugal: onde estamos?

com activistas do Camp in Gás e Movimento do Centro contra a Exploração de Gás

2 exploração gásDepois do furo de Aljezur ser cancelado, a luta contra a exploração de gás em Aljubarrota e na Bajouca é a grande causa climática de 2019 em Portugal! As populações locais mobilizam-se e exercem a sua cidadania para travar a Australis Oil & Gas. Vamos entender como as populações locais, em contacto com movimentos nacionais, se estão a mobilizar para parar estes furos. As Câmaras municipais estão a favor? E as juntas de freguesia? Como se está a fazer esta luta? Vem saber tudo sobre esta causa, que é de todxs!


12h30 Um Plano Social para Transição Justa

com activistas da campanha Empregos para o Clima

Há quem negue que as alterações climáticas existam. Entre quem não o faz, há quem pense na solução de formas criativas: negociando acordos mundiais não vinculativos que nos deixam num caminho para o aquecimento galopante e sem retorno; ou traçando roteiros vagos para neutralidade carbónica que não estipulam medidas concretas, enquanto dão licenças para a exploração de hidrocarbonetos e deixam encerrar uma fábrica de painéis solares em Moura (Beja) enviando mais de 100 pessoas para o desemprego. Mas felizmente também existem alguns planos sérios, com medidas específicas, e que pensam nos impactos sociais e humanos desta transição, como o Green New Deal nos EUA.  Em Portugal existe também um plano colectivo para esta transição. Chama-se Empregos para o Clima, e está a ganhar força.

12h30 Direito do Ambiente

com activistas do Movimento do Centro contra a Exploração de Gás e da PALP – Plataforma Algarve Livre de Petróleo

O Direito do Ambiente é o ramo que estuda as interacções do homem com a natureza e que prevê os mecanismos legais para a protecção do meio ambiente. Nesta sessão, pretende-se, a partir de uma perspectiva crítica, explorar este ramo do Direito, esclarecer os seus mecanismos de protecção e perceber de que forma se articulam com os direitos de participação cívica.

Além disso, vamos ainda discutir alguns casos práticos recentes, envolvendo importantes lutas ambientais, a forma como estas têm sido argumentadas a nível jurídico e as várias estratégias legais possíveis neste tipo de situações.”


13h30 Almoço vegano


15h00 À Beira da Extinção, O Que Fazer?

com activistas da Rebelião de Extinção (Extinction Rebellion Portugal)

5 XR TalkO planeta está numa crise ecológica: estamos no meio da sexta extinção em massa. Os e as cientistas alertam que podemos ter entrado num período de caos climático. Isto é uma emergência global sem precedentes. O país e as populações estão sob um risco grave.

Nesta apresentação pública, vamos partilhar a ciência climática mais actual, discutir o ponto de situação das políticas climáticas e oferecer soluções de acordo com estudos dos movimentos sociais.

15h00 De pernas para o ar: como uma solução com esteróides se torna uma catástrofe

com Rios Livres GEOTA e Acréscimo

Muitas boas soluções para a crise climática são destruídas quando lhe são aplicados critérios de rentabilidade e escala: desde barragens em rios cada vez mais secos e sem vida à queima de florestas para produzir electricidade. Porque é importante reconhecer o limite no qual uma boa ideia se transforma num potencial catástrofe ecológica e até climática, discutimos como a lógica mercantil destrói as boas soluções e como precisamos de soluções que respondam às crises sem agravá-las.


17h30 Clima em Movimento: mobilizações globais

com activistas da Greve Climática Estudantil, Rebelião de Extinção, Ende Gelände, Camp-in-Gás e By 2020 We Rise Up)

O ano de 2019 está a prometer muito em termos de lutas pela justiça climática. Ou o contrário: estas lutas estão a prometer muito para 2019.

Com a Greve Climática Estudantil a 15 de Março, a Rebelião de Extinção em Abril, o Ende Gelände na Alemanha em Junho e o acampamento de acção contra a exploração de gás Camp–in–Gás em Julho, estão a surgir várias dinâmicas nacionais e internacionais que visam criar uma escalada de mobilização até 2020.

Nesta sessão, vamos ter uma mesa redonda com activistas destes movimentos, para discutirmos junt@s como podemos vencer.

7 CLIMA EM MOVIMENTO_ MOBILIZAÇÕES GLOBAIS


21h30 Festa Benefit para a PALP

no Sirigaita (Rua dos Anjos, 12F, Intendente, Lisboa)

Vem celebrar a vitória do furo de Aljezur, perceber o ponto de situação e conversar sobre os próximos passos com copos e música.

8 Festa_PALP

 

Convidad@s especiais do 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Daiara Tukano

na Sessão Especial: Clima, Justiça Social e Direitos Humanos (dia 15 de Março, 21h30)

daiaraDaiara Tukano, do povo Tukano do Alto Rio Negro, é activista indígena e artista plástica, mestre em direitos humanos pela Universidade de Brasília, pesquisadora do direito à memória e verdade dos povos indígenas; comunicadora independente e coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil. Daiara acredita que o activismo é um exercício pela consciência para a integração com a natureza, para que possamos trabalhar juntos a cultivar uma sociedade mais justa e respeitosa das diversidades, honrando a dignidade de todos os seres vivos.

Daiara iniciará em Lisboa uma tournée por várias cidades europeias, organizada pela Coordenação Justiça Climática Social/Suíça e com apoio do Coletivo Memória, Verdade e Justiça Rhône Alpes / França.

Daniela Subtil

na sessão Clima em Movimento: mobilizações globais (dia 16 de Março, 17h30)

Daniela iniciou-se no activismo pela justiça climática com o Climáximo em 2015. A viver na Alemanha desde 2017, tem participado nas acções de desobediência civil contra a mineração de lignite na Renânia (Alemanha) e desde há um ano integra o grupo de trabalho internacional do Ende Gelände. O movimento Ende Gelände faz parte da campanha By 2020 We Rise Up e está a organizar uma acção em Junho de 2019.

Javier Andaluz

na sessão Clima em Movimento: mobilizações globais (dia 16 de Março, 17h30)

javier

Javier é licenciado em Ciências Ambientais pela Universidade de Salamanca e especialista em Direitos Humanos. É actualmente responsável da área de alterações climáticas nos Ecologistas en Acción de Espanha, e faz parte da organização da By 2020 We Rise Up na península ibérica.


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COMUNICADO: Climáximo organiza 4º Encontro Nacional para a Justiça Climática a 15 e 16 de Março, em Lisboa

O 4º Encontro Nacional para a Justiça Climática reúne cientistas e activistas para discussão e organização de formas de luta contra as alterações climáticas.

O Climáximo, colectivo de activistas pela justiça climática, em conjunto com a AEFCSH, organiza a quarta edição do Encontro Nacional pela Justiça Climática, que terá lugar nos próximos dias 15 e 16 de Março, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa.

Sendo a Crise Climática a ameaça mais fulcral e premente que a Humanidade alguma vez enfrentou, a sociedade civil organiza múltiplas formas de luta contra as maiores fontes de emissões de gases de efeito de estufa, como os combustíveis fósseis, por um lado chamando a si parte das tarefas que os líderes políticos não têm coragem de levar a cabo, e por outro exigindo acção governamental imediata para o cumprimento de metas que permitam limitar o aumento de temperatura a 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

No 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática estarão em discussão vários exemplos de lutas de movimentos sociais pela justiça climática, como o movimento Extinction Rebellion, propostas de soluções para a actual crise ecológica e mobilização para novas formas de luta, como o acampamento de acção Camp-in-Gás.

Este encontro, cujo programa completo será divulgado brevemente, contará com a presença de activistas de vários colectivos e associações nacionais e internacionais, nomeadamente a representante indígena Daiara Tukano, membros do colectivo Enge Gelände, da rede Stay Grounded e dos Ecologistas en Acción. O evento incluirá sessões públicas acerca de vários temas com relação directa com as Alterações Climáticas, bem como reuniões de trabalho e uma festa de beneficência a favor da Plataforma Algarve Livre de Petróleo.

4º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Vamos Virar a Maré!

2019 está a ser um ano que promete muito para as lutas pela justiça climática. Ou o contrário: as lutas estão a prometer muito para 2019.

Com Greve Climática Estudantil a 15 de Março, Rebelião de Extinção em Abril e o acampamento de acção contra gás CampinGás em Julho, Portugal está a acompanhar várias dinâmicas internacionais que visam encaminhar-se para uma acção ibérica massiva em 2020.

Este ano, o 4º Encontro Nacional pela Justiça Climática terá três dias intensos dedicados às linhas de frente e à estratégia da luta.

Vamos abrir o encontro sexta-feira à noite com uma sessão especial com Daiara Tukano, do povo Tukano do Alto Rio Negro, sobre violações de direitos humanos contra os povos indígenas no Brasil e justiça climática.

No sábado, vamos ter connosco activistas de vários movimentos numa série de sessões sobre exploração de gás na Zona Centro,Empregos para o Clima, o novo projecto de aeroporto no Montijoo novo porto de águas profundas em SetúbalRebelião de Extinçãobarragens, floresta e biomassa; e à noite vamos ter uma festa benefit em favor da Plataforma Algarve Livre de Petróleo, para celebrar a vitória do cancelamento do furo de Aljezur.


Programa completo e descrições das sessões aqui.

Mais informação sobre @s convidad@s especiais, aqui.


Domingo vai haver uma reunião de trabalho do acampamento Camp-in-Gás e vamos também preparar a Semana Internacional de Rebelião.

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Relatos das sessões

Aqui partilhamos um pequeno resumo e algumas fotos da cada sessão do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática.

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Plenário inicial: porque fazer um encontro pela justiça climática agora?

Oásis ou Deserto? Incêndios, floresta e alterações climáticas em Portugal

Os incêndios florestais em Portugal em 2017 foram uma catástrofe de escala global, tanto pela área ardida como pelo numero de mortes. No entanto, estes não foram simplesmente uma fatalidade, mas sim um conclusão inevitável de alterações climáticas, com temperaturas record e humidades drasticamente baixas, sob uma floresta abandonada e eucaliptizada para servir os interesses da indústria da celulose. Os cenários para as próximas décadas revelam a necessidade claríssima de mudar a floresta na sua estrutura e composição para que, com o apoio a um regresso de população aos meios rurais, a floresta possa servir como reservatório imprescindível de água, solos e fonte de produção alimentar, ao invés de um grande eucaliptal em desertificação.

Mineração nos fundos marinhos

Esta sessão pretendeu dar a conhecer que atividade extractivista é esta, em que ponto estamos no que toca ao seu desenvolvimento mas acima de tudo, que riscos estão associados e como podemos mobilizar-nos contra a sua realização. No final, gerou-se um interessante debate sobre as razões que levam os governos a apostar nisto e as razões por que não é verdade que a Humanidade necessita de enveredar pela mineração para continuar a subsistir.

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Transportes Públicos para o Clima

Os transportes são uma necessidade social básica, que condicionam o acesso serviços e bens essenciais. Mas o estado dos transportes em Portugal é precário e preocupante em dois sentidos: 1) Os efeitos de anos de desinvestimento e privatizações no setor dos transportes em Portugal é vivido diariamente pelas pessoas sob a forma de atrasos, supressões, horários reduzidos e falta de oferta, acidentes e falhas de segurança, enquanto empresas privadas subsidiadas pelo Estado continuam a despedir trabalhadores e ditar os preços altos e a oferta reduzida. 2) Os transportes representam 25% das emissões nacionais, e existe uma tendência de aumento do uso do carro individual em vez do autocarro. É urgente investir nos transportes numa ótica de serviço público em prol da justiça social e do combate às alterações climáticas.

MIC: o obstáculo mais insidioso à Justiça Climática

Acordar a ação cidadã para exigir dos políticos o zelo pelo bem comum. Não ao CETA, ao ISDS e ao MIC, sistemas antidemocráticos ao serviço das multinacionais.

Imigração e Clima

As deslocações maciças de populações afetadas por desastres ambientais associadas as mudanças climáticas são talvez uma das faces mais visíveis da injustiça climática: os mais vulneráveis e com menor capacidade de adaptação são muitas vezes os mais afetados pelos seus impactos. Mas a narrativa do refugiado climática pode dividir, em vez de ajudar a resolver estas injustiças.

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Exploração de combustíveis fósseis em Portugal – quais as alternativas?

Ponto de situação sobre os contratos de petróleo e gás ativos em Portugal. Falámos sobre o novo gasoduto em Portugal. Foi relatada a experiência da PALP no Algarve e foram abordadas estratégias e divulgação e informação. Antes do debate, Tamera falou sobre o seu trabalho em Relíquias. Falaram de potenciais alternativas, que envolvem, por exemplo, a restauração de ecossistemas, a utilização de energias renováveis e a sua aplicação a nível descentralizado, regenerativo e local. Falaram também sobre o papel dos ciclos hidrológicos, a reflorestação, tudo isto como possibilidades de reverter as alterações climáticas. Falaram de uma mudança de sistema e partilharam exemplos de diferentes partes do Mundo.

 

Como lutar contra os combustíveis fósseis: Experiências internacionais

 

Plenário Final: E agora, o que vamos fazer?

O comunicado do encontro, aqui: Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal.

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Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal

O 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática, este domingo na Faculdade de Ciências em Lisboa, reuniu mais de 100 activistas e académicos para discutir alguns dos temas centrais da luta pela justiça social no combate às alterações climáticas. Dos incêndios florestais em Portugal de 2017 às lutas contra os combustíveis fósseis na Alemanha, no Reino Unido e no Brasil, o encontro discutiu linhas vermelhas para o futuro. O furo de petróleo da ENI/GALP em Aljezur, autorizado recentemente pelo governo, mereceu uma condenação inequívoca dos activistas e a garantia de acções decididas contra a sua realização.

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Mais de 20 movimentos sociais, organizações e sindicatos reuniram-se hoje na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para a realização do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática.

Os principais temas em discussão foram a ligação entre as alterações climáticas e uma floresta eucaliptizada que produziu os incêndios catastróficos em 2017, a ameaça de realização de mineração submarina nos mares dos Açores, o impacto dos novos mecanismos do comércio internacional (Tribunal Multilateral de Investimento) na injustiça climática, a necessária relação entre o combate às alterações climáticas e a promoção dos transportes públicos, as ameaças de exploração de combustíveis fósseis em Portugal, as alternativas energéticas e as imigrações ligadas às alterações climáticas.

O encontro terminou com uma sessão ilustrativa de experiências de confrontos sociais de grande intensidade no combate ao fracking e exploração de petróleo no Brasil, no Reino Unido e no combate ao carvão na Alemanha, com representantes internacionais do movimento Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil / 350.org Brasil, do movimento Reclaim the Power (Reino Unido) e do movimento Ende Gelaende (Alemanha).

Entre as principais decisões deste encontro nacional ficou a garantia de um combate decisivo pelo fim dos contratos de petróleo e gás em Portugal,  começando com o furo de Aljezur da GALP e da ENI, com acções a ser anunciadas nas próximas semanas.

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Como chegar ao 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Como chegar ao 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática:

11 de fevereiro (Domingo), 10h-18h
FCUL, Edifício C6

Salas 6.2.49, 6.2.50, 6.2.52
Anfiteatro 6.1.36

Metro: Cidade Universitária ou Campo Grande

Carris: 701, 717, 731, 735, 736, 738, 747, 750, 755, 764, 767, 783, 796

Rodoviária de Lisboa: 201, 300, 311, 312, 313, 315, 329, 331, 333, 334, 335, 336, 337, 344, 353, 354, 901, 931

Mais informações e programa: https://tinyurl.com/3encontronacional

Programa do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Nesta página, podes encontrar o programa detalhada do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática, que acontecerá no dia 11 de fevereiro, Domingo, na FCUL.

Oásis ou Deserto? Incêndios, floresta e alterações climáticas em Portugal

10h30 – 12h00 ; Sala 6.2.4901A Floresta

Em 2017 deram-se os maiores incêndios florestais da História do país, devastando mais de 400 mil hectares e matando mais de 100 pessoas. Temperaturas extremas e humidades desérticas foram a ignição para um território abandonado, espartilhado e entregue à indústria da celulose. Com os cenários climáticos futuros em cima da mesa, é imprescindível tomar decisões de fundo: manter o modelo das últimas décadas e tornar o território num deserto, ou mudar drasticamente as regras do jogo para que a floresta seja uma ferramenta central para defender território, pessoas, solos e água.

Com:

  • João Camargo, investigador em alterações climáticas, Climáximo
  • Paulo Pimenta de Castro, engº florestal, presidente da Acréscimo
  • Pedro Matos Soares, geofísico, investigador da Faculdade de Ciências, UL

Mineração nos fundos marinhos

10h30 – 12h00 ; Sala 6.2.5001B Mineracao

A perspetiva extrativista é-nos praticamente inata e acompanha-nos desde o início da Humanidade. Depois da prospeção petrolífera, tenta-se ultrapassar a última grande barreira e a mineração dos fundos marinhos aparece como uma possibilidade para Portugal. Haverá realmente esta necessidade numa altura em que se tenta inverter a crise climática? Não teremos já à nossa disposição tecnologia que nos permite subsistir sem precisarmos de iniciar a atividade de extração de minérios raros dos fundos dos nossos mares? Qual é a sustentabilidade desta atividade? E estão os impactos nos fundos devidamente estudados e acautelados? Para fazer face a esta nova realidade, surgiu no final de 2017, a Oceano Livre, uma coligação anti-mineração que inclui algumas das mais reconhecidas ONG portuguesas.

Nesta sessão, incluída no Encontro Nacional de Justiça Climática, falaremos sobre onde estamos no que toca à mineração em mar profundo em Portugal, quais os riscos associados a esta atividade e pretendemos gerar uma discussão sobre a real necessidade de a iniciar, contrastando-a com os compromissos ambientais assumidos pela maior parte dos países desenvolvidos. 

Transportes Públicos para o Clima

12h30 – 13h30 ; Sala 6.2.4902A Transportes

Os transportes públicos coletivos são mais do que uma solução óbvia para os problemas da mobilidade: uma necessidade social. Incentivar os transportes públicos de qualidade para toda a gente alcança de uma vez mais direito à cidade, mais justiça social, criação de emprego e combate às alterações climáticas. Nesta sessão, promovida pela campanha Empregos para o Clima, teremos o cruzamento das visões da academia, trabalhadores e ativistas sobre este tema.

Pedro Nunes, especialista na área da mobilidade na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, vai explicar-nos como os transportes coletivos podem contribuir para reduzir as emissões das gases com efeito de estufa.

José Manuel Oliveira e Manuel Leal da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) vão falar-nos sobre as condições de trabalho e investimento no metropolitano de Lisboa e no setor ferroviário.

Ana Mourão, da campanha Empregos para o Clima irá moderar esta sessão. A campanha Empregos para o Clima reivindica a criação de 20 a 30 mil novos postos de trabalho no setor dos transportes para reduzir as emissões poluentes do setor.

MIC: o obstáculo mais insidioso à Justiça Climática

12h30 – 13h30 ; Sala 6.2.5002B MIC

Na procura de estar algumas jogadas à frente dos activistas climáticos (entre outras razões), as grandes multinacionais têm lutado pela implementação de acordos comerciais com cláusulas de protecção do investimentos que manietam os responsáveis políticos caso legislem no sentido de proteger o ambiente de forma que coloque em causa as suas expectativas de lucro (“expropriação indirecta”). No entanto, a mobilização das populações contra este tipo de acordos torna a sua implementação mais difícil. O Tribunal Multilateral de Investimento (cuja sigla inglesa é MIC) surge como uma forma de contornar a mobilização dos cidadãos e garantir um sistema de justiça paralela para as multinacionais sem ter de implementar os esquemas de protecção do investimento país a país.

Orador: Pascal Subra.

Imigração e Clima

15h00 – 16h00 ; Sala 6.2.49

Refugiados climáticos são imigrantes que abandonaram as suas casas e modo de vida devido a desastres ambientais associados às mudanças climáticas, como furações, secas prolongadas ou inundações. Nesta sessão vamos tentar perceber, na primeira pessoa, como a degradação do ambiente pode levar alguém a procurar o seu futuro longe de casa.

Exploração de combustíveis fósseis em Portugal – quais as alternativas?

15h00 – 16h00 ; Sala 6.2.50

Portugal tem que cortar em 64% as emissões de gases de efeito de estufa em 15 anos e isto não se conseguirá se começarmos a extrair petróleo e gás. Neste momento, existem 5 contratos ativos em Portugal. Na zona litoral alentejano, a Galp quer furar e na Batalha e Pombal, a Australis tem 2 contratos que lhe permite fazer fracking. No meio desta irresponsabilidade, a União Europeia quer construir um gasoduto de 162 km, para ligar Portugal e Espanha. Esse gasoduto passa no Alto Douro Vinhateiro e 30% será em floresta, o que levará à desflorestação dessa zona. Será feita uma faixa(se deixarmos) que, no geral, terá cerca de 20 metros de largura e 162km’s de comprimento. Cerca de 48km será em floresta. O gás é uma falsa solução e Quando se discute Justiça Climática, é imperativo falar-se de alternativas ao uso de combustíveis fósseis. Somos muitas vezes assaltados pelos argumentos dogmáticos de que apenas mantendo o nível atual de exploração de recursos iremos fazer face às exigências da crescente população humana, mas hoje sabemos que há alternativas! As energias renováveis são a resposta que procuramos quando falamos da busca por mais eficiência energética e por menores impactos no meio. Com maior ou menor inve03B Petroleo Alternativasstimento, são uma fiável e inesgotável fonte de energia que permitirá à Humanidade continuar a prosperar de forma mais consciente e responsável. Começar a fazer uma verdadeira aposta em fontes de energia renováveis é o que distinguirá no futuro os governos que estão seriamente empenhados em reverter a crise climática atual dos que continuam a evitar o assunto.

É urgente mudar o paradigma e, para isso, traremos a esta sessão oradores que estão ligados por várias vias à inovação e investigação nesta emergente e cada vez mais necessária área. Falaremos de Portugal, das oportunidades que o país apresenta, de exemplos bem-sucedidos e do que, enquanto cidadãos, podemos fazer para pressionar os governantes a seguirem o caminho correto.

Como lutar contra os combustíveis fósseis: Experiências internacionais04 Internacional

16h30 – 17h30 ; Anfiteatro 6.1.36

Neste sessão, vamos ouvir as experiências das lutas contra as infraestruturas de combustíveis fósseis no mundo, com convidad@s especiais do Brasil, do Reino Unido, e da Alemanha.

Convidad@s especiais

Lise (Reclaim the Power, Reino Unido)

Lise
Francesa residente no Reino Unido, está envolvida há três anos em campanhas contra fracking e é ativista do Reclaim the Power.

 

Laura (Ende Gelände, Alemanha)

Foto_Laura
Laura é uma ativista pela justiça climática com experiência em desobediência civil contra mineração de linhite na Renânia, Alemanha. Está ativa desde há vários anos em diversas lutas tais como a ausgeCO2hlt and a Ende Gelände.

Juliano  (350.org Brasil)

 

Juliano Bueno de Araujo, 44 anos, ambientalista, Frackativist, Ativista anti-Fosseis, Agricultor orgânico, engenheiro mecatronico e ambiental, Teólogo, mestre em Gestão Ambiental e Energias Renováveis, Doutor em Projetos e Riscos Ambientais, PHD em clima e Riscos Climáticos . Fundador da COESUS Coalizão Não FRACKING Brasil pelo Clima Água e Vida e Coordenador de Campanhas da 350. Org Brasil e América Latina. No Brasil realizou audiências públicas e ações em mais de 400 cidades proibindo o Fracking nas mesmas, mobilizando milhares de pessoas e organizações.

Art Space (espaço livre artivista em paralelo)

Alinhavo e a Fashion Revolution unem-se no 3° Encontro para a Justiça Climática, para alertar sobre o impacto ambiental da Indústria Téxtil e do Vestuário. Num formato audiovisual, irão informar acerca deste impacto nos rios e lençóis freáticos, bem como o desperdício de água associado à indústria e lavagem de roupa, remetendo à necessidade urgente da prevenção e remediação. Um discurso conduzido por vários desafios espelhados a um público capaz de fazer a diferença.
Plasticus maritimus é o nome científico de uma espécie exótica e invasora que tem proliferado em todos os oceanos e praias do mundo. Caracteriza-se pela sua infinidade de formas, cores e dimensões e por representar uma grande ameaça para a fauna marinha e, por consequência, para o Homem.
Plasticus maritimus é também o nome de um projecto pessoal que, através de oficinas, palestras e exposições, visa informar e educar para as consequências da utilização e má gestão dos resíduos do plástico no dia a dia.
Os exemplares apresentados no 3ª Encontro Nacional pela Justiça Climática são apenas uma pequena amostra das capturas realizadas nas nossas praias. Optou-se pela sua apresentação em conjuntos de cores. Espera-se assim, que os visitantes tenham uma maior percepção de diversidade e quantidade de objetos que vão dar às nossas praias, esperando torná-los mais sensíveis às boas práticas que podem contribuir para minimizar o problema.

3º Encontro Nacional pela Justiça Climática – FCUL – 11 fev (dom.)

Comunicado do encontro: Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal

Relatos e fotos das sessões do encontro

Apresentações e Intervenções


O furo de prospeção de petróleo e gás em Aljezur caducou, mas a GALP disse que ia perfurar na primavera. Estão a chegar os furos na Zona Oeste e na Batalha/Pombal, mas há um silêncio enorme sobre eles.

A Europa tem de fechar todas as suas centrais de carvão até 2031 para cumprir os seus próprios compromissos (que são só metade do que é necessário para evitar o caos climático), mas Portugal continua a subsidiar a EDP e estendeu o prazo das centrais de carvão de Sines e do Pego até 2030.

Recentemente, o governo assinou um acordo com Espanha para aumentar a capacidade do Porto de Sines e para construir 160 km de novos gasodutos, para receber gás de fracking dos EUA, mas o primeiro-ministro António Costa continua a dizer que o país será carbono neutro em 2050.

Desde Pedrogão Grande até aos furacões nas Caraíbas, a crise climática está a fortalecer-se. Por todo o mundo, as comunidades indígenas, o/as trabalhadore/as e jovens estão levantar-se para contrariar as injustiças sociais e climáticas.

Vivemos num período muito especial. As nossas sociedades estão a fazer escolhas decisivas para as décadas que virão. Existem ainda muitas incertezas na nossa história coletiva, e é exatamente por isso que vale pena lutarmos agora!

Para ganhar, precisamos de toda a gente, e precisamos de conversar e convergir. Os Encontros Nacionais pela Justiça Climática são momentos-chave neste processo.

Podes encontrar o programa detalhado aqui.

Preparações para o 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Climáximo e outras organizações estão a organizar um encontro nacional de ativistas para discutir as várias dimensões da luta pela justiça climática e para preparar as ações do ano 2018. O encontro terá lugar em Lisboa em fevereiro, e as preparações estão a começar.

Vamos reunir este Sábado (dia 25 de novembro) às 13h00 no Mob (Rua dos Anjos 12F).

PS: Depois da reunião, vamos à Marcha pelo fim da Violência contras as Mulheres que começa às 16h00 no Largo do Intendente. 😉