Relatos das sessões

Aqui partilhamos um pequeno resumo e algumas fotos da cada sessão do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática.

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Plenário inicial: porque fazer um encontro pela justiça climática agora?

Oásis ou Deserto? Incêndios, floresta e alterações climáticas em Portugal

Os incêndios florestais em Portugal em 2017 foram uma catástrofe de escala global, tanto pela área ardida como pelo numero de mortes. No entanto, estes não foram simplesmente uma fatalidade, mas sim um conclusão inevitável de alterações climáticas, com temperaturas record e humidades drasticamente baixas, sob uma floresta abandonada e eucaliptizada para servir os interesses da indústria da celulose. Os cenários para as próximas décadas revelam a necessidade claríssima de mudar a floresta na sua estrutura e composição para que, com o apoio a um regresso de população aos meios rurais, a floresta possa servir como reservatório imprescindível de água, solos e fonte de produção alimentar, ao invés de um grande eucaliptal em desertificação.

Mineração nos fundos marinhos

Esta sessão pretendeu dar a conhecer que atividade extractivista é esta, em que ponto estamos no que toca ao seu desenvolvimento mas acima de tudo, que riscos estão associados e como podemos mobilizar-nos contra a sua realização. No final, gerou-se um interessante debate sobre as razões que levam os governos a apostar nisto e as razões por que não é verdade que a Humanidade necessita de enveredar pela mineração para continuar a subsistir.

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Transportes Públicos para o Clima

Os transportes são uma necessidade social básica, que condicionam o acesso serviços e bens essenciais. Mas o estado dos transportes em Portugal é precário e preocupante em dois sentidos: 1) Os efeitos de anos de desinvestimento e privatizações no setor dos transportes em Portugal é vivido diariamente pelas pessoas sob a forma de atrasos, supressões, horários reduzidos e falta de oferta, acidentes e falhas de segurança, enquanto empresas privadas subsidiadas pelo Estado continuam a despedir trabalhadores e ditar os preços altos e a oferta reduzida. 2) Os transportes representam 25% das emissões nacionais, e existe uma tendência de aumento do uso do carro individual em vez do autocarro. É urgente investir nos transportes numa ótica de serviço público em prol da justiça social e do combate às alterações climáticas.

MIC: o obstáculo mais insidioso à Justiça Climática

Acordar a ação cidadã para exigir dos políticos o zelo pelo bem comum. Não ao CETA, ao ISDS e ao MIC, sistemas antidemocráticos ao serviço das multinacionais.

Imigração e Clima

As deslocações maciças de populações afetadas por desastres ambientais associadas as mudanças climáticas são talvez uma das faces mais visíveis da injustiça climática: os mais vulneráveis e com menor capacidade de adaptação são muitas vezes os mais afetados pelos seus impactos. Mas a narrativa do refugiado climática pode dividir, em vez de ajudar a resolver estas injustiças.

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Exploração de combustíveis fósseis em Portugal – quais as alternativas?

Ponto de situação sobre os contratos de petróleo e gás ativos em Portugal. Falámos sobre o novo gasoduto em Portugal. Foi relatada a experiência da PALP no Algarve e foram abordadas estratégias e divulgação e informação. Antes do debate, Tamera falou sobre o seu trabalho em Relíquias. Falaram de potenciais alternativas, que envolvem, por exemplo, a restauração de ecossistemas, a utilização de energias renováveis e a sua aplicação a nível descentralizado, regenerativo e local. Falaram também sobre o papel dos ciclos hidrológicos, a reflorestação, tudo isto como possibilidades de reverter as alterações climáticas. Falaram de uma mudança de sistema e partilharam exemplos de diferentes partes do Mundo.

 

Como lutar contra os combustíveis fósseis: Experiências internacionais

 

Plenário Final: E agora, o que vamos fazer?

O comunicado do encontro, aqui: Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal.

Ações 3Encontro

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Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal

O 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática, este domingo na Faculdade de Ciências em Lisboa, reuniu mais de 100 activistas e académicos para discutir alguns dos temas centrais da luta pela justiça social no combate às alterações climáticas. Dos incêndios florestais em Portugal de 2017 às lutas contra os combustíveis fósseis na Alemanha, no Reino Unido e no Brasil, o encontro discutiu linhas vermelhas para o futuro. O furo de petróleo da ENI/GALP em Aljezur, autorizado recentemente pelo governo, mereceu uma condenação inequívoca dos activistas e a garantia de acções decididas contra a sua realização.

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Mais de 20 movimentos sociais, organizações e sindicatos reuniram-se hoje na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa para a realização do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática.

Os principais temas em discussão foram a ligação entre as alterações climáticas e uma floresta eucaliptizada que produziu os incêndios catastróficos em 2017, a ameaça de realização de mineração submarina nos mares dos Açores, o impacto dos novos mecanismos do comércio internacional (Tribunal Multilateral de Investimento) na injustiça climática, a necessária relação entre o combate às alterações climáticas e a promoção dos transportes públicos, as ameaças de exploração de combustíveis fósseis em Portugal, as alternativas energéticas e as imigrações ligadas às alterações climáticas.

O encontro terminou com uma sessão ilustrativa de experiências de confrontos sociais de grande intensidade no combate ao fracking e exploração de petróleo no Brasil, no Reino Unido e no combate ao carvão na Alemanha, com representantes internacionais do movimento Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil / 350.org Brasil, do movimento Reclaim the Power (Reino Unido) e do movimento Ende Gelaende (Alemanha).

Entre as principais decisões deste encontro nacional ficou a garantia de um combate decisivo pelo fim dos contratos de petróleo e gás em Portugal,  começando com o furo de Aljezur da GALP e da ENI, com acções a ser anunciadas nas próximas semanas.

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Como chegar ao 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Como chegar ao 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática:

11 de fevereiro (Domingo), 10h-18h
FCUL, Edifício C6

Salas 6.2.49, 6.2.50, 6.2.52
Anfiteatro 6.1.36

Metro: Cidade Universitária ou Campo Grande

Carris: 701, 717, 731, 735, 736, 738, 747, 750, 755, 764, 767, 783, 796

Rodoviária de Lisboa: 201, 300, 311, 312, 313, 315, 329, 331, 333, 334, 335, 336, 337, 344, 353, 354, 901, 931

Mais informações e programa: https://tinyurl.com/3encontronacional

Programa do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Nesta página, podes encontrar o programa detalhada do 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática, que acontecerá no dia 11 de fevereiro, Domingo, na FCUL.

Oásis ou Deserto? Incêndios, floresta e alterações climáticas em Portugal

10h30 – 12h00 ; Sala 6.2.4901A Floresta

Em 2017 deram-se os maiores incêndios florestais da História do país, devastando mais de 400 mil hectares e matando mais de 100 pessoas. Temperaturas extremas e humidades desérticas foram a ignição para um território abandonado, espartilhado e entregue à indústria da celulose. Com os cenários climáticos futuros em cima da mesa, é imprescindível tomar decisões de fundo: manter o modelo das últimas décadas e tornar o território num deserto, ou mudar drasticamente as regras do jogo para que a floresta seja uma ferramenta central para defender território, pessoas, solos e água.

Com:

  • João Camargo, investigador em alterações climáticas, Climáximo
  • Paulo Pimenta de Castro, engº florestal, presidente da Acréscimo
  • Pedro Matos Soares, geofísico, investigador da Faculdade de Ciências, UL

Mineração nos fundos marinhos

10h30 – 12h00 ; Sala 6.2.5001B Mineracao

A perspetiva extrativista é-nos praticamente inata e acompanha-nos desde o início da Humanidade. Depois da prospeção petrolífera, tenta-se ultrapassar a última grande barreira e a mineração dos fundos marinhos aparece como uma possibilidade para Portugal. Haverá realmente esta necessidade numa altura em que se tenta inverter a crise climática? Não teremos já à nossa disposição tecnologia que nos permite subsistir sem precisarmos de iniciar a atividade de extração de minérios raros dos fundos dos nossos mares? Qual é a sustentabilidade desta atividade? E estão os impactos nos fundos devidamente estudados e acautelados? Para fazer face a esta nova realidade, surgiu no final de 2017, a Oceano Livre, uma coligação anti-mineração que inclui algumas das mais reconhecidas ONG portuguesas.

Nesta sessão, incluída no Encontro Nacional de Justiça Climática, falaremos sobre onde estamos no que toca à mineração em mar profundo em Portugal, quais os riscos associados a esta atividade e pretendemos gerar uma discussão sobre a real necessidade de a iniciar, contrastando-a com os compromissos ambientais assumidos pela maior parte dos países desenvolvidos. 

Transportes Públicos para o Clima

12h30 – 13h30 ; Sala 6.2.4902A Transportes

Os transportes públicos coletivos são mais do que uma solução óbvia para os problemas da mobilidade: uma necessidade social. Incentivar os transportes públicos de qualidade para toda a gente alcança de uma vez mais direito à cidade, mais justiça social, criação de emprego e combate às alterações climáticas. Nesta sessão, promovida pela campanha Empregos para o Clima, teremos o cruzamento das visões da academia, trabalhadores e ativistas sobre este tema.

Pedro Nunes, especialista na área da mobilidade na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, vai explicar-nos como os transportes coletivos podem contribuir para reduzir as emissões das gases com efeito de estufa.

José Manuel Oliveira e Manuel Leal da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) vão falar-nos sobre as condições de trabalho e investimento no metropolitano de Lisboa e no setor ferroviário.

Ana Mourão, da campanha Empregos para o Clima irá moderar esta sessão. A campanha Empregos para o Clima reivindica a criação de 20 a 30 mil novos postos de trabalho no setor dos transportes para reduzir as emissões poluentes do setor.

MIC: o obstáculo mais insidioso à Justiça Climática

12h30 – 13h30 ; Sala 6.2.5002B MIC

Na procura de estar algumas jogadas à frente dos activistas climáticos (entre outras razões), as grandes multinacionais têm lutado pela implementação de acordos comerciais com cláusulas de protecção do investimentos que manietam os responsáveis políticos caso legislem no sentido de proteger o ambiente de forma que coloque em causa as suas expectativas de lucro (“expropriação indirecta”). No entanto, a mobilização das populações contra este tipo de acordos torna a sua implementação mais difícil. O Tribunal Multilateral de Investimento (cuja sigla inglesa é MIC) surge como uma forma de contornar a mobilização dos cidadãos e garantir um sistema de justiça paralela para as multinacionais sem ter de implementar os esquemas de protecção do investimento país a país.

Orador: Pascal Subra.

Imigração e Clima

15h00 – 16h00 ; Sala 6.2.49

Refugiados climáticos são imigrantes que abandonaram as suas casas e modo de vida devido a desastres ambientais associados às mudanças climáticas, como furações, secas prolongadas ou inundações. Nesta sessão vamos tentar perceber, na primeira pessoa, como a degradação do ambiente pode levar alguém a procurar o seu futuro longe de casa.

Exploração de combustíveis fósseis em Portugal – quais as alternativas?

15h00 – 16h00 ; Sala 6.2.50

Portugal tem que cortar em 64% as emissões de gases de efeito de estufa em 15 anos e isto não se conseguirá se começarmos a extrair petróleo e gás. Neste momento, existem 5 contratos ativos em Portugal. Na zona litoral alentejano, a Galp quer furar e na Batalha e Pombal, a Australis tem 2 contratos que lhe permite fazer fracking. No meio desta irresponsabilidade, a União Europeia quer construir um gasoduto de 162 km, para ligar Portugal e Espanha. Esse gasoduto passa no Alto Douro Vinhateiro e 30% será em floresta, o que levará à desflorestação dessa zona. Será feita uma faixa(se deixarmos) que, no geral, terá cerca de 20 metros de largura e 162km’s de comprimento. Cerca de 48km será em floresta. O gás é uma falsa solução e Quando se discute Justiça Climática, é imperativo falar-se de alternativas ao uso de combustíveis fósseis. Somos muitas vezes assaltados pelos argumentos dogmáticos de que apenas mantendo o nível atual de exploração de recursos iremos fazer face às exigências da crescente população humana, mas hoje sabemos que há alternativas! As energias renováveis são a resposta que procuramos quando falamos da busca por mais eficiência energética e por menores impactos no meio. Com maior ou menor inve03B Petroleo Alternativasstimento, são uma fiável e inesgotável fonte de energia que permitirá à Humanidade continuar a prosperar de forma mais consciente e responsável. Começar a fazer uma verdadeira aposta em fontes de energia renováveis é o que distinguirá no futuro os governos que estão seriamente empenhados em reverter a crise climática atual dos que continuam a evitar o assunto.

É urgente mudar o paradigma e, para isso, traremos a esta sessão oradores que estão ligados por várias vias à inovação e investigação nesta emergente e cada vez mais necessária área. Falaremos de Portugal, das oportunidades que o país apresenta, de exemplos bem-sucedidos e do que, enquanto cidadãos, podemos fazer para pressionar os governantes a seguirem o caminho correto.

Como lutar contra os combustíveis fósseis: Experiências internacionais04 Internacional

16h30 – 17h30 ; Anfiteatro 6.1.36

Neste sessão, vamos ouvir as experiências das lutas contra as infraestruturas de combustíveis fósseis no mundo, com convidad@s especiais do Brasil, do Reino Unido, e da Alemanha.

Convidad@s especiais

Lise (Reclaim the Power, Reino Unido)

Lise
Francesa residente no Reino Unido, está envolvida há três anos em campanhas contra fracking e é ativista do Reclaim the Power.

 

Laura (Ende Gelände, Alemanha)

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Laura é uma ativista pela justiça climática com experiência em desobediência civil contra mineração de linhite na Renânia, Alemanha. Está ativa desde há vários anos em diversas lutas tais como a ausgeCO2hlt and a Ende Gelände.

Juliano  (350.org Brasil)

 

Juliano Bueno de Araujo, 44 anos, ambientalista, Frackativist, Ativista anti-Fosseis, Agricultor orgânico, engenheiro mecatronico e ambiental, Teólogo, mestre em Gestão Ambiental e Energias Renováveis, Doutor em Projetos e Riscos Ambientais, PHD em clima e Riscos Climáticos . Fundador da COESUS Coalizão Não FRACKING Brasil pelo Clima Água e Vida e Coordenador de Campanhas da 350. Org Brasil e América Latina. No Brasil realizou audiências públicas e ações em mais de 400 cidades proibindo o Fracking nas mesmas, mobilizando milhares de pessoas e organizações.

Art Space (espaço livre artivista em paralelo)

Alinhavo e a Fashion Revolution unem-se no 3° Encontro para a Justiça Climática, para alertar sobre o impacto ambiental da Indústria Téxtil e do Vestuário. Num formato audiovisual, irão informar acerca deste impacto nos rios e lençóis freáticos, bem como o desperdício de água associado à indústria e lavagem de roupa, remetendo à necessidade urgente da prevenção e remediação. Um discurso conduzido por vários desafios espelhados a um público capaz de fazer a diferença.
Plasticus maritimus é o nome científico de uma espécie exótica e invasora que tem proliferado em todos os oceanos e praias do mundo. Caracteriza-se pela sua infinidade de formas, cores e dimensões e por representar uma grande ameaça para a fauna marinha e, por consequência, para o Homem.
Plasticus maritimus é também o nome de um projecto pessoal que, através de oficinas, palestras e exposições, visa informar e educar para as consequências da utilização e má gestão dos resíduos do plástico no dia a dia.
Os exemplares apresentados no 3ª Encontro Nacional pela Justiça Climática são apenas uma pequena amostra das capturas realizadas nas nossas praias. Optou-se pela sua apresentação em conjuntos de cores. Espera-se assim, que os visitantes tenham uma maior percepção de diversidade e quantidade de objetos que vão dar às nossas praias, esperando torná-los mais sensíveis às boas práticas que podem contribuir para minimizar o problema.

3º Encontro Nacional pela Justiça Climática – FCUL – 11 fev (dom.)

Comunicado do encontro: Encontro pela Justiça Climática em Lisboa garante luta feroz contra furos de petróleo em Portugal

Relatos e fotos das sessões do encontro

Apresentações e Intervenções


O furo de prospeção de petróleo e gás em Aljezur caducou, mas a GALP disse que ia perfurar na primavera. Estão a chegar os furos na Zona Oeste e na Batalha/Pombal, mas há um silêncio enorme sobre eles.

A Europa tem de fechar todas as suas centrais de carvão até 2031 para cumprir os seus próprios compromissos (que são só metade do que é necessário para evitar o caos climático), mas Portugal continua a subsidiar a EDP e estendeu o prazo das centrais de carvão de Sines e do Pego até 2030.

Recentemente, o governo assinou um acordo com Espanha para aumentar a capacidade do Porto de Sines e para construir 160 km de novos gasodutos, para receber gás de fracking dos EUA, mas o primeiro-ministro António Costa continua a dizer que o país será carbono neutro em 2050.

Desde Pedrogão Grande até aos furacões nas Caraíbas, a crise climática está a fortalecer-se. Por todo o mundo, as comunidades indígenas, o/as trabalhadore/as e jovens estão levantar-se para contrariar as injustiças sociais e climáticas.

Vivemos num período muito especial. As nossas sociedades estão a fazer escolhas decisivas para as décadas que virão. Existem ainda muitas incertezas na nossa história coletiva, e é exatamente por isso que vale pena lutarmos agora!

Para ganhar, precisamos de toda a gente, e precisamos de conversar e convergir. Os Encontros Nacionais pela Justiça Climática são momentos-chave neste processo.

Podes encontrar o programa detalhado aqui.

Preparações para o 3º Encontro Nacional pela Justiça Climática

Climáximo e outras organizações estão a organizar um encontro nacional de ativistas para discutir as várias dimensões da luta pela justiça climática e para preparar as ações do ano 2018. O encontro terá lugar em Lisboa em fevereiro, e as preparações estão a começar.

Vamos reunir este Sábado (dia 25 de novembro) às 13h00 no Mob (Rua dos Anjos 12F).

PS: Depois da reunião, vamos à Marcha pelo fim da Violência contras as Mulheres que começa às 16h00 no Largo do Intendente. 😉

2º Encontro Nacional pela Justiça Climática – relato do dia

Aqui ficam os resumos das sessões do 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática. Podes também aceder a este documento no formato pdf aqui.

É Apenas Fumaça esteve no encontro, e conversaram com Bárbara da AEFCSH sobre desobediência civil, com José da Plataforma Não ao Tratado Transatlântico sobre CETA e TTIP, e com Margarida do Corporate Europe Observatory sobre lobbying na UE. Os vídeos das entrevistas, aqui.

Alterações Climáticas, Desigualdades e Justiça Social

  • João Camargo (investigador em alterações climáticas e ativista do Climáximo)
  • Ana Mourão (ativista do Climáximo)
  • Moderadora: Paula Sequeiros (Coletivo Clima)clima01

As alterações climáticas actualmente em curso são um dos grandes consensos da História da Ciência, com cerca de 97% dos especialistas da área a não ter dúvidas sobre a sua causa antropogénica. Apesar de pequenas franjas negacionistas, encorajadas pela eleição recente de Donald Trump nos Estados Unidos, a realidade avassaladora do aumento da temperatura, associado à queima de combustíveis fósseis e ao ritmo insustentável do modelo extracionista e neoliberal da economia mundial, exigem uma tomada de posição urgente por parte de todas as camadas da população.

Nesta luta não estamos a tentar “salvar o planeta”, que não precisa de ser salvo. Estamos sim a tentar salvar a espécie humana bem como as outras espécies com que partilhamos a Terra, e a procurar garantir um planeta habitável para nós e para as gerações vindouras. Isto porque o clima é determinante para a viabilidade dos territórios e de todos os recursos essenciais à nossa sobrevivência. As alterações climáticas agudizarão todas as fragilidades e desigualdades da população humana, atingindo os mais pobres (e historicamente os menos responsáveis pelas mesmas) de forma desproporcional. Nesse sentido, as alterações climáticas são uma questão social e política que tem de ser abordada a partir da noção de justiça climática.

Para participar nesta luta:
Coletivo Clima: https://www.facebook.com/Coletivo-Clima-492643044230366/
Climáximo: http://www.climaximo.pt

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Gás natural: energia de transição?
Why gas stinks and is not the answer to an energy transition

  • Mari Ver (ativista do Stop Midcat)

Cerca de 42% de todo o gás importado no mundo tem como destino a Europa, sendo apenas 4 países (um deles a Rússia de Putin) responsáveis por mais de 90% deste fornecimento. Os novos investimentos em infraestruturas de gás natural, propostos de forma contundente pela UE, são uma falsa solução à crise climática. O facto de a sua queima emitir menos dióxido de carbono (CO2) do que o carvão ou o petróleo não significa que o gás natural seja menos prejudicial ao ambiente. O metano que é libertado em grandes porções durante a extração e o transporte deste combustível fóssil, apesar de ficar durante muito menos tempo na atmosfera que o CO2, tem a curto prazo um potencial de efeito de estufa que é cerca de 100 vezes superior, segundo dados recentes do IPCC.gas02

Precisamos pois de diminuir drasticamente o peso que todos os combustíveis fósseis ainda têm na nossa economia, incluindo o gás dito “natural”, cujo componente principal é o metano. Precisamos também de aumentar urgentemente o nosso conhecimento sobre as políticas europeias nesta área, bem como contactar as populações directamente afectadas por gasodutos. Existem já vários exemplos de populações que lutam contra estes projectos e que nos podem fornecer lições valiosas, tendo em conta que Portugal se prepara para ser um dos principais pontos de entrada deste combustível fóssil para toda a UE.

Para participar neste processo:
Climáximo: http://www.climaximo.pt

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Portugal 100% Renovável

  • Transição para 100% RES, Ana Rita Antunes, ZERO
  • Cooperativas de energias renováveis. O exemplo da Coopérnico. António Eloy, Coopérnico

Houve 4,5 dias em 2016 em que o sistema eléctrico português foi 100% abastecido a energias renováveis. Esta notícia correu o mundo sendo dada como exemplo das políticas progressivas aplicadas em Portugal, que é dos países europeus com maior percentagem de electricidade renovável. E no entanto, só 26% do nosso consumo energético total (tendo em conta os transportes) é electrico. Como tal, é essencial aumentar esta percentagem, pois a grande parte da nossa energia vem ainda dos combustíveis fósseis.renovaveis02

A capacidade de produção para autoconsumo é limitada pela legislação em vigor, que tem sido um entrave à penetração das renováveis, ao contrário do que deveria ser o caso. Existe ainda muita desinformação sobre o assunto, dando por vezes a entender-se que o carvão e o gás ainda vão ser precisos durante muitos décadas de modo a assegurar a estabilidade da rede eléctrica. Na verdade a intermitência das várias fontes renováveis pode ser compensada entre si, com solar, eólica e hídrica a garantirem 100% de electricidade renovável, bem como os desenvolvimentos no armazenamento de energia.

Energia 100% renovável não quer dizer energia livre de todo e qualquer impacto ambiental. Em particular, muitas das barragens existentes poderão não servir o interesse público e também os materiais utilizados nos painéis fotovoltaicos e noutras tecnologias podem ter uma pegada ecológica grande. Mas isto não pode servir de desculpa para a inação, nem impedir o reconhecimento que as renováveis, geridas de forma inteligente e democrática, são de longe a nossa melhor opção a longo prazo.

Para participar:
ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável: http://zero.ong/
Coopérnico: http://www.coopernico.org/

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Petróleo e Gás em Portugal: a luta dos cidadãos

  • Inês Ferro (PALP – Plataforma Algarve Livre de Petróleo)
  • Eugénia Santa Barbara (ALA – Alentejo Litoral pelo Ambiente)
  • Ricardo Vicente (Peniche Livre de Petróleo)petroleopt01

Portugal tem neste momento em vigor 13 contratos de concessão de petróleo e gás, em todo o litoral desde o Porto até Vila Real de Santo António. Pende sobre todos nós um furo de prospeção em Aljezur, autorizado pelo governo para o consórcio formado pelas empresas ENI e GALP. Os movimentos locais – no Algarve, no Alentejo e na zona Oeste – têm sido uma experiência importante para centenas de pessoas, que se mobilizaram a partir das sessões de esclarecimento e que experimentam novas tácticas e estratégias, individualmente e em conjunto.petroleopt03

Neste contexto, os próximos meses serão centrais para o movimento geral contra o petróleo e o gás em Portugal. A 11 de Março vai decorrer um Encontro Nacional contra a exploração de petróleo e gás, em Lisboa, onde movimentos sociais de todo o país se reunirão para definir estratégias para esta luta. Também as eleições autárquicas devem ser vistas como um período importante para catapultar o tema e para tentar esclarecer a população sobre quem são os candidatos contra ou a favor da exploração destes combustíveis no nosso país.

Para participar nesta luta:
Alentejo Litoral pelo Ambiente: https://www.facebook.com/Alentejo-Litoral-pelo-Ambiente-1466286710066310/
Peniche Livre de Petróleo: https://penichelivredepetroleo.wordpress.com/
Plataforma Algarve Livre de Petróleo: http://www.palp.pt

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100 mil Empregos para o Clima

  • Ana Pires (CGTP-IN)
  • Carla Prino (Precários Inflexíveis)
  • Sinan Eden (Empregos para o Clima)
  • Moderador: Rafael Tormenta (SPN)

Os princípios básicos desta campanha, que conta já com o apoio de várias organizações sociais, ambientalistas e sindicatos são: a criação de novos postos de trabalho; em áreas que conduzam directamente à redução de gases de efeito de estufa (GEE), tais como as energias renováveis, os transportes públicos, a eficiência energética, a reflorestação massiva e o combate contra os incêndios florestais; empregos públicos, estáveis e de longa duração; garantir sempre a prioridade para quem agora trabalha nos sectores mais poluentes, para que possamos ter uma transição não só rápida como justa a nível social. Campanhas semelhantes existem já em vários outros países, com destaque para o Reino Unido, França ou África do Sul.empregos01

A sessão debruçou-se sobre o problema grave da precariedade em Portugal, os investimentos falhados de medidas governamentais neste âmbito, e como a campanha Empregos para o Clima se propõe a combater em Portugal as duas crises (laboral e climática) de uma assentada. Foram divulgadas as primeiras estimativas da campanha em Portugal: 100 000 empregos para o clima, capazes de cortar as emissões de GEE em 60%-70% em 15 anos.

Para participar na campanha:
Empregos para o Clima: http://www.empregos-clima.pt

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Tratados de Comércio Livre e o Clima

  • José Oliveira (Plataforma Não aos Tratados Transatlânticos)
  • Margarida Silva (Corporate Europe Observatory)

O Parlamento Europeu aprovou no passado dia 15 de Fevereiro o CETA, o Acordo Económico e Comercial Global entre o Canadá e a União Europeia, com os votos favoráveis de 15 dos 21 eurodeputados portugueses. Vai haver agora uma votação no parlamento português, assim como em todos os parlamentos nacionais da UE e alguns regionais. O governo português já anunciou que pretende ratificar o Acordo rapidamente, no espaço de um ou dois meses no máximo.

Em Dezembro aprovou-se uma resolução na AR que visa promover o debate sobre o CETA junto da sociedade civil. Para já estão em preparação debates em Lisboa, Porto e Leiria, organizados pelo PS. Todo este processo tem sido conduzido à revelia do público, com a comunicação social, sobretudo os media mais generalistas a manter um silêncio quase absoluto sobre a questão. Em Bruxelas, onde este e outros Acordos de Comércio Livre têm sido negociados à porta fechada, as reuniões com lobbystas das grandes multinacionais são 4 a 5 vezes mais numerosas do que com as ONGs e associações de interesse público.ceta01

A aprovação do CETA terá quase de certeza consequências desastrosas para várias lutas sociais, desde a luta contra as alterações climáticas aos direitos laborais ou à questão dos alimento transgénicos, permitindo às grandes multinacionais exercer ainda maior pressão e controlo sobre os governos. Entretanto, partes deste Acordo já entraram provisorisamente em vigor, após a ratificação no PE. É imperioso agora travar este processo, nomeadamente aumentando a pressão social sobre todos os deputados e partidos, através de uma maior articulação entre os movimentos sociais e organizações.

Para participar nesta luta:
Plataforma Não ao Tratado Transatlântico: https://www.nao-ao-ttip.pt/

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Desobediência Civil pela Justiça Climática: Experiências internacionais

  • Mari Ver (ativista de Ende Gelände)
  • Juan Ignacio Garnacho (ativista da Greenpeace-Espanha)
  • Sarah Reader (activista do Climate Justice Now)
  • Moderação: Rui Gil da Costa (Coletivo Clima)internacional01

Quando chegamos aos limites de toda a acção formal e institucional, precisamos pensar fora do quadrado. Muitas vezes pôr o corpo no meio do caminho. Toda a gente pode participar neste processo, quer nas linhas da frente, quer em todo o apoio logístico e comunicativo que vai ser necessário para que uma ação destas seja em sucedida. A desobediência civil é uma ferramenta de empoderamento e de afirmação, que terá de fazer parte das ferramentas dos movimentos pela justiça climática e contra a exploração dos combustíveis fósseis.

Nesta sessão várias experiências pessoais foram partilhadas por activistas de vários países mostrando a tod@s nós que é possível lutar pela mudança do sistema, e de muitas formas diferentes. Lutar por um mundo mais justo, menos desigual, mais sustentável e com mais futuro.

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No final deste encontro, resulta claro que a interseccionalidade e a conexão das causas requer de nós uma maior articulação entre movimentos e organizações, em concreto sobre objectivos específicos como o furo de petróleo e gás em Aljezur, a votação do CETA no Parlamento Português, encontros e manifestações ou as eleições autárquicas.

Dúvidas acerca das alterações climáticas? – João Camargo

Ninguém tem de ser especialista para perceber um assunto tão relevante como o clima. É um sistema complexo, com muitas interacções e retroacções, mas não é indecifrável. Hoje é consensual entre a comunidade científica que estuda este tema que as alterações climáticas não só existem como que têm como origem a actividade humana. Esse consenso atraiu alguns sectores para o lado da desconfiança e o negacionismo. Os discursos e as ferramentas desenhadas pelas petrolíferas para impedir a acção no combate às alterações climáticas continuam a fazer caminho, mas o esclarecimento é possível.

Há poucos dias foi revelado um vídeo da Shell, uma das maiores petrolíferas do mundo. Em 1991 esta empresa divulgava aquilo que era o resultado da investigação dos seus cientistas, um vídeo chamado “Clima de Preocupação” divulgava o aquecimento global e as alterações climáticas: eventos climáticos extremos, cheias, fomes e refugiados climáticos resultantes da queima de combustíveis fósseis. O filme chamava já atenção ao grande consenso que existia entre os cientistas em 1990! Muito antes disso, já em 1968, a Exxon, hoje a maior empresa petrolífera privada do mundo, publicava artigos revelando a ligação directa entre as emissões de gases com efeito de estufa e a mudança do clima, com os gravíssimos riscos que tal acarretava. Por isso há uma importante acção legal contra a ExxonMobil nos Estados Unidos, exactamente porque a empresa sabia da existência das alterações climáticas e tudo fez para escondê-las do grande público. Agora, com a eleição um presidente Trump negacionista e a escolha do presidente da ExxonMobil para ministro dos Negócios Estrangeiros e de outro negacionista como Procurador-Geral da República, veremos como seguirá. As petrolíferas selaram um pacto e nos anos 80 e 90, passaram a dedicar o seu dinheiro ao financiamento do negacionismo climático e à procura da desinformação e da dissensão. Para essa importante tarefa de descredibilizar a ciência e os cientistas, as petrolíferas foram buscar os maiores peritos mundiais no assunto: os propagandistas da indústria do tabaco, os famosos “mercadores de dúvidas“, muitos dos quais já tinham trabalhado na indústria do petróleo para negar os problemas associados à poluição.doubt

Num primeiro momento o ângulo de ataque foi descredibilizar o aquecimento do planeta, afirmando o contrário daquilo que os dados meteorológicos todos apontavam: a subida reiterada das temperaturas médias globais, em terra e no mar. Face à gigantesca subida de temperatura nas últimas décadas – o ano mais quente desde que há registos é 2016, que bateu o recorde de 2015, que bateu o recorde de 2014, e que são seguidos em escala descendente de ano mais quente por 2010, 2013, 2005, 2009, 1998, 2012 e 2007 – os “mercadores das dúvidas” abriram outros ângulos de ataque, nomeadamente tentando descredibilizar primeiro os cientistas, depois dados, os modelos de projecção e seguindo para a origem humana e a própria origem desse aquecimento.doubt-is-our-product

Ora, não há dúvidas que há vários factores que afectam o clima – localmente, regionalmente e globalmente. Quando falamos na escala global, factores como a circulação atmosférica e as correntes marítimas, o ângulo de incidência do sol, a actividade do sol, a reflexão da radiação solar para o espaço, o vulcanismo, a oscilação do eixo da Terra e a concentração de gases com efeito de estufa são todos muito importantes. Porquê, então, nos focamos na concentração de gases com efeito de estufa, e em particular no dióxido de carbono? Porque é o único fenómeno com a escala necessária para explicar as alterações que ocorreram a nível da temperatura desde a Revolução Industrial. E porque são a alteração de fundo que a espécie humana criou na Terra, razão pela qual há já vários cientistas que apelidam a nossa era como “Antropoceno”, a Idade do Homem. Esta responsabilidade não é, no entanto, partilhada igualmente por todos os seres humanos, já que os países mais ricos são muito mais responsáveis pela situação do que os países mais pobres.

Se não houve nos últimos 200 anos a erupção de um mega-vulcão que pudesse mudar a composição atmosfera aumentando as poeiras no ar e criando um inverno de alguns anos (o vulcão Tambora, em 1815, só provocou o “Ano sem Verão” em 1816), se o ângulo de incidência do sol se mantém para as latitudes porque a oscilação do eixo da Terra ocorre muito lentamente, num ciclo que demora 25800 anos, se a intensidade da radiação solar se manteve estável nos últimos séculos, se não se produziram até agora grandes modificações na circulação atmosférica e nas correntes marítimas e se só agora, com o derretimento acelerado do gelo quer no Ártico quer na Antártida, começa a diminuir a reflexão de radiação solar de volta para o espaço, que outro grande fenómeno pode explicar uma subida totalmente inequívoca da temperatura média do planeta? A industrialização e a utilização massiva de combustíveis fósseis.

IPCC AR5 Fig. SPM3
IPCC AR5 Fig. SPM3

Não é ciência aeroespacial, mas importa rever alguns factos básicos: os combustíveis fósseis são o resultado da degradação da matéria orgânica, principalmente microrganismos no mar e florestas na terra, de eras como o Carbonífero, muito mais quentes e em que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era muito superior à actual. Para todos os efeitos práticos, a Terra é um sistema fechado, isto é, quase não troca materiais com o espaço. A excepção a isto é a energia solar, sob a forma de radiação. Os seres vivos que deram origem aos combustíveis fósseis utilizaram, principalmente através da fotossíntese, a radiação solar e o carbono atmosférico para constituir as suas estruturas físicas, nomeadamente raízes, caules e folhas. O dióxido de carbono hoje libertado pela combustão de hidrocarbonetos fósseis são as florestas e as algas do passado, que tinham capturado da atmosfera o dióxido de carbono e mudado lentamente a concentração de CO2 e o clima do passado, baixando a temperatura. Os combustíveis fósseis provêm de antigos seres vivos que morreram e, mediante determinadas condições de pressão, temperatura e presença ou não de oxigénio, se degradaram parcial ou totalmente, dando origem a hidrocarbonetos, compostos de carbono, oxigénio e hidrogénio. Os produtos da decomposição desses seres vivos são o petróleo, o gás e o carvão e os movimentos das placas tectónicas, a separação dos continentes e as subidas e descidas do nível médio do mar dividiram as reservas, um pouco por todo o mundo. Milhões de anos mais tarde, em terra e no mar, descobriram-se jazidas, de fácil extracção, que foram utilizadas para criar a economia de carbono. Esta economia produziu uma aceleração económica sem paralelo, que fez ainda disparar outras fontes de gases com efeito de estufa, como o metano, cujas emissões a partir de fontes como a agroindústria e a pecuária intensiva, produzem hoje um efeito tão importante para as alterações climáticas como todos os transportes terrestres.

Hoje fazemos modelos climáticos e projecções para as próximas décadas e até séculos, porque conhecemos muito melhor as interacções do clima, os seus controlos e tampões (sendo o mais importante os oceanos, que têm absorvido a maior parte do calor em excesso resultante do aquecimento global). Os modelos não só prevêm o futuro com base nos seus vários factores de influência, como o dióxido de carbono, o metano e outros, como são testáveis, podendo nós correr os modelos com os dados do passado. Temos dados climáticos directos fiáveis de vários pontos do planeta desde pelo menos o início do século XIX. Em termos de dados indirectos, conseguimos recuar até centenas de milhares e até milhões de anos atrás, através da leitura de perfis de gelo, pólens fossilizados, corais, sedimentos e anéis de árvores, por exemplo. Estes dados permitem-nos reconstituir o que foi o clima do planeta com elevada precisão, e saber, por exemplo, que a concentração de dióxido de carbono hoje existente na atmosfera é inédita nos últimos 800 mil anos. Com certeza que há um certo nível de incerteza. Na vida humana, na sociedade e até nas ciências exactas há sempre incerteza, mas a qualidade dos modelos está a ser permanentemente testada, pelo facto dos mesmos poderem ser comparados com os fenómenos climáticos existentes nas últimas décadas e terem um poder explicativo elevadíssimo. Pode haver erros de décimas, não erros diametralmente opostos. Se o erro for entre um aumento de temperatura de 4,1ºC ou 4,3ºC até 2050, o problema é exactamente o mesmo. Não há sequer comparação, por exemplo, com os modelos económicos que são utilizados para guiar as políticas públicas nas sociedades de todo o mundo, cuja nível de imprecisão e de falta de capacidade de previsão tantas vezes se revela total.

A única vantagem decorrente do negacionismo climático expressa-se no lucro das empresas petrolíferas e em outros sectores altamente emissores. A sociedade e os povos precisam preparar-se para o novo clima que já existe hoje, com temperaturas mais elevadas, fenómenos climáticos extremos muito mais extremos e mais frequentes, com mais pobreza, mais escassez e uma desigualdade que cavalgará cada vez mais e concorrerá para empurrar a Humanidade para a barbárie. A maior parte das pessoas que tem dúvidas sobre as alterações climáticas não concorda seguramente com estas propostas de futuro, mas não deve cavar trincheiras do lado errado por falta de esclarecimento e de informação, nem deve ceder ao cinismo que é aceitar que todas as notícias são “fake news”. Precisamos falar.encontro

No próximo fim-de-semana realizar-se-á em Lisboa um encontro, dinamizado por várias organizações, cujo objectivo é não só esclarecer sobre as alterações climáticas, mas também interpretá-las política e socialmente. Precisamos criar não apenas a consciência acerca da ciência do clima, como da acção necessária para combater a degradação ambiental sem precedentes associada a essa mudança de fundo no planeta. O Encontro Nacional pela Justiça Climática, domingo na Faculdade das Ciências Sociais e Humanas, é aberto e gratuito.

2º Encontro Nacional pela Justiça Climáticas – Convidad@s

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O 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática conta com a presença de vários ativistas internacionais.

Hector de Pradohector

Gás natural: energia de transição? / Why gas stinks and is not the answer to an energy transition (10h30)

Hector é o responsável da campanha Clima e Energia nos Amigos da Terra Espanha e é especialista em mega-projetos e políticas europeias sobre gás natural. Ele participou nas ações de desobediência civil, como Ende Gelände, e está envolvido em vários lutas de base pela justiça climática.

Juan Ignacio Garnachoimg_20161223_130203

Desobediência Civil pela Justiça Climática: experiências internacionais (16h30)

Margarida Silvamargarida

Tratados de Comércio Livre e o Clima (15h00)

A Margarida é investigadora e ativista na Corporate Europe Observatory, uma organização não governamental que expõe e desafia o poder excessivo das empresas sob a política europeia.

Em particular, a Margarida faz pesquisa e campanhas sobre conflitos de interesse, portas-giratórias e o poder dos lobbies empresariais sob política europeia, incluindo política climática e os acordos de comércio.

Mari Vermari1

Gás natural: energia de transição? (10h30)
Desobediência Civil pela Justiça Climática: experiências internacionais (16h30)

Marijke é ativista do Stop Midcat, um coletivo catalã que luta contra o mega-gasoduto Midcat que ligará a Argélia à França, atravessando a Península Ibérica.

Ela participou no Ende Gelände, ação de desobediência civil contra a mina de carvão na Alemanhã, e no TTIP Game Over! durante as negociações do tratado transatlântico em Bruxelas.

Sarah Reader

Desobediência Civil pela Justiça Climática: experiências internacionais (16h30)sarah-austerity

A Sarah faz formações em desobediência civil e convergências de movimentos. No Reino Unido, ela participou no movimento para substituir o sistema de fabrico de armas pela produção de energia renovável. Na última década trabalhou no grupo de campanhas Global Justice Now, dedicando-se à campanha pela justiça climática e era ativista com o Climate Camp, que organizava manifestações contra a infraestrutura de combustíveis fósseis.

Agora, a Sarah trabalha no Corporate Europe Observatory, onde organiza eventos e prepara a estratégia de mobilização sobre a Europa e a captura do processo político pelas multinacionais.

 

 

11 motivos para ir ao 2º Encontro Nacional de Justiça Climática

Aqui ficam 10+ razões para ir ao 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática no dia 5 de março, Domingo.

1) Porque 2014 bateu todos os recordes de temperaturas; 2015 bateu todos os recordes de 2014 e 2016 bateu todos os recordes de 2015.

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2) Porque querem furar a nossa costa e nós até gostamos dela.

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3) Porque o CETA já foi assinado e ninguém nos perguntou nada.
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Mais sobre o CETA, aqui.
4) Porque a comida vai ser boa e vegana.
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5) Porque podemos combater a crise social e a crise climática de uma só forma: empregos para o clima.

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6) Porque até no Médio Oriente se ganham lutas com o ativismo.
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Ver a notícia da Turquia “Aliaga breaks free from coal” aqui.
7) Porque não há Planeta B.

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8) Porque é possível ter uma economia 100% renovável só que falta vontade política.

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9) Porque querer lixar a nossa água e o nosso ar não é nada normal.

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10) Porque isto já vai além dos ursos polares.

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11) Trump.

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