Boleia e ativismo climático na HitchFest

HitchFest 2017 * Portugal

2-6 de agosto, Marco de Canaveses

(English below)

Boleia e ativismo climático

(4 de agosto, 14h30, a confirmar: http://www.hitchfest.org/index.php/pt/programa/ )

As evidências são hoje avassaladoras: o capitalismo e o consumismo estão a destruir os ecossistemas e a mudar o clima. Ou agimos agora, ou em breve não sobrará muito por que lutar.

Através do mundo e da história, as pessoas têm-se juntado para lá dos governos e empresas, têm tomado o assunto nas suas próprias mãos. No último ano, brutou no Algarve e por todo o país a maior luta ambiental das últimas décadas, contra os planos de perfurar a terra e o mar para explorar petróleo e gás natural em Portugal.

Optar pela boleia significa viajar sem contribuir para o consumo de combustíveis fósseis. Mas há mais que podemos fazer, coletivamente.

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Que ações têm acontecido e vão acontecer à nossa volta? Poderão os viajantes à boleia ser como um exército móvel pela justiça social e climática? Como complementar as escolhas individuais e a organização coletiva por um futuro sustentável para todas?

Para mudar tudo, precisamos de toda a gente!

Apresentação e conversa com Sinan, do Climáximo

*

Hitchhiking and Climate Activism

(August 4th, 14:30, tbc: http://www.hitchfest.org/index.php/en/program/ )

The evidence on how capitalism and consumerism are destroying ecosystems and changing the climate is pretty striking – either we act now, or soon there won’t be much left to fight for.

Throughout the world and history, people have bypassed governments and corporations, and decided to get together and take matters in their own hands. In the Algarve and all over Portugal, people have been rising up against the recent plans to drill for gas and oil.

As hitchhikers, every time we take a lift, we move without adding on the fossil fuels consumption. But there’s different, bigger, collective stuff to be done.

What actions have been and will be happening around us? Can hitchhikers be a sort of mobile army for social and climate justice? How to complement individual choices with collective organizing for a sustainable future for all?

To change everything, we need everyone!

Presentation and talk with Sinan, from Climaximo

HitchFest 2017 * Portugal

hitch

**EN** Presentations * Concerts * Workshops * Therapies

This summer all thumbs point to Portugal!

HitchFest is a festival which will gather hitchhikers and nomad souls from all over the globe.

For four days, we’ll unpack from our backpacks skills and experiences collected on the road and share them with other travelers and all people interested. Four days for sharing about different ways of traveling, different cultures and places of the world, ecology, spirituality and activism. Four days full of music and arts, friendship and diversity. Four days to celebrate life and movement, to promote hitchhiking and the art of travelling!

The festival is donation-based – you name your price.

Be welcome!

Do you want to present a topic, movie, blog or book? Perform with music or theater? Exhibit photos or paintings? Give a workshop? Have a food or handicraft stall? Volunteer ar the festival? Share an idea or contribute in any way? Get in touch! getinvolved@hitchfest.org

http://www.hitchfest.org/
#hitchfest

**PT**
Apresentações * Concertos * Workshops * Terapias

Este verão, todos os polegares apontam para Marco de Canaveses!

A HitchFest – Festa da Boleia é a primeira edição dum festival que junta aventureir@s, viajantes à boleia ou simples curios@s, vindos das mais variadas partes do globo.

Durante quatro dias, vamos tirar da mochila conhecimentos e experiências coleccionados pela estrada fora e partilhá-las com outr@s viajantes e todas as pessoas interessadas. Quatro dias de partilha sobre diferentes formas de viajar, sobre diferentes culturas e lugares do mundo, sobre ecologia, espiritualidade e activismo. Quatro dias cheios de música e arte, amizade e diversidade. Quatro dias para celebrar a vida e a viagem!

Um encontro único e original, para dar a conhecer e fazer crescer esta arte de viajar e filosofia de vida.

Entrada por donativo livre e consciente.

Contamos contigo!

Queres apresentar um tema, filme, blogue ou livro? Actuar com música, teatro, performance…? Dar um workshop? Ter uma banca de comida/bebida ou artesanato? Ser voluntária/o? Contribuir com uma ideia? Contacta-nos! getinvolved@hitchfest.org

http://www.hitchfest.org/
#hitchfest

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A defesa dos direitos da Terra, a par com a defesa dos direitos das mulheres: Duas lutas, uma visão.

O Dia Internacional da Mulher, instituído pela Conferência da Segunda Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 como estratégia para a reivindicação de igualdade de direitos, onde se incluiu o sufrágio feminino, é um dia para nos lembrarmos que o patriarcado ainda existe e que ainda temos de o combater.

Esta luta não agrada àqueles que ainda defendem o poder patriarcal. Daí este dia ter-se vindo a transformar numa desculpa capitalista para comprar presentes e ir a ladies night, como se esta fosse a única noite do ano em que é permitido às mulheres sair à noite. Chega de vivermos um patriarcado cor-de-rosa e bem cheiroso. Queremos uma igualdade de género que realmente emancipe as mulheres!

O mesmo se aplica às alterações climáticas. Um capitalismo mais verde acompanhado de projetos extrativistas não é o caminho para um planeta habitável. Manter o aquecimento global abaixo da fronteira dos 2ºC implica cortes imediatos e radicais das emissões de gases de efeito de estufa, o que por sua vez implica transformações profundas na nossa sociedade. A justiça climática não significa só pagar mais por legumes biológicos e tomar isso como grande sinal de que somos ecologicamente conscientes. A justiça climática critica e reivindica a existência de uma dívida ecológica do Norte Global para com o Sul Global, defende uma democracia energética e chama a atenção para a importância de existir solidariedade internacional, exigindo uma mudança de atitude em relação ao tratamento dos refugiados climáticos.

Por tudo isto, exigimos uma mudança de sistema e recusamos as soluções que nos convidam a “comprar mais coisas para sermos mais felizes”.

Este ano, a Rede 8 de Março organiza uma série de iniciativas em Lisboa “para contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas”.

O Climáximo apoia estas iniciativas, e convida toda a gente a participar!

8marco


Pela interseccionalidade das lutas, contra todas as formas de Opressão e Exploração. Movimentos sociais e organizações políticas, todas e todos juntas/os: movimentos Feministas, Anti-Racistas, Anti-Capitalistas, LGBTQI+, Justiça Climática e Ambientalistas, Anti-Fascistas, Refugiados e Imigrantes, Contra a Precariedade no Trabalho e Sindicatos, Direitos das pessoas em situação de exclusão social e económica, Movimentos Estudantis juntam lutas, celebram a diversidade e constroem um futuro diferente.
#Rede8Março #ContraTodososMuros #AprendemosaVoar #Resisto


CONSTROEM MUROS, APRENDEMOS VOAR
Manifesto Transfeminista 8 de Março de 2017

Seja qual for a origem deste dia, na Rede 8 de Março decidimos contrariar o conformismo e o isolamento e festejar a luta feminista, porque queremos deixar de ser o resultado de uma educação machista, racista e competitiva que nos torna, num ou noutro momento, opressoras ou oprimidas. Para isso juntamos lutas comuns, afirmamos a solidariedade e agimos em conjunto para ampliar o campo do possível, tomando o futuro nas nossas mãos.

Festejar o direito ao aborto gratuito e em saúde:

Este ano comemoram-se os 10 anos do direito ao corpo. No dia 11 de Fevereiro de 2007 em Portugal ganhou o SIM no referendo ao aborto por opção da mulher, gratuito e em saúde. Ganhou o direito à escolha. Tomamos nas mãos o que há de mais nosso: o nosso corpo, as nossas vidas. Passámos a ter o controlo da nossa reprodução. Ainda assim, na prática, o acesso ao aborto continua a ser por vezes dificultado por profissionais de saúde que se recusam a ouvir a voz das mulheres perante esta escolha.

Podermos decidir sobre o nosso corpo e escolher livremente sobre a maternidade torna o direito ao aborto um direito fundamental – não aceitamos voltar atrás.

Achamos essencial reforçar este direito com um acesso universal à educação sexual não sexista e a pontos de informação e apoio à sexualidade para todas as pessoas e por todo o país.

A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. De facto, o prazer continua submetido aos critérios masculinos impostos. As mulheres devem poder amar quem, quando e como quiserem, fora de um modelo de família que as vê apenas como incubadoras.

Ainda é preciso combater as velhas inquisições e lutar para sermos nós a escrever a história.

A situação é difícil não só no plano da desigualdade mas também no plano das condições de possibilidade de emancipação das mulheres. Muitas estão votadas ao desemprego ou à precariedade laboral, sem protecção e apoio social, sem serviços públicos que assegurem os cuidados com as crianças e com as pessoas idosas.

Com menos direitos as mulheres trabalhadoras ficam mais vulneráveis em relação aos patrões. Se a maioria das mulheres continua a ser mão-de-obra mais barata, a vida das mulheres migrantes, em particular, é ainda mais austera porque é subjugada também por uma cidadania diminuída, pela discriminação e pelo preconceito. Preocupa-nos a segurança material e afectiva de todas as mulheres e pessoas trans migrantes, refugiadas, apátridas, deslocadas, que tiveram, por qualquer motivo, que seja que abandonar a sua casa.

Lutamos pela visibilidade da mulher preta portuguesa e em Portugal e no reconhecimento da contribuição de mulheres africanas na história do país.

Afirmamos que o trabalho doméstico é trabalho e que as tarefas do dia-a-dia devem ser partilhadas sem hierarquias nem obrigações, definidas pela moral sexista que aprisiona as mulheres na condição de domésticas. O trabalho doméstico, apesar de não aparecer nas estatísticas nem nos media, gera riqueza e bem-estar, e este sistema económico e social mantém-se à custa do trabalho invisibilizado que nós realizamos. Além disso, muitas de nós ainda acarretamos uma violenta dupla jornada de trabalho, despendendo, por dia, mais 4h de trabalho não pago do que os homens. A isto se têm vindo a adicionar mais trabalho reprodutivo e mais responsabilidade por acção dos impactes climáticos negativos na vida quotidiana, impactos que são notórios na agricultura, alimentação, saúde, habitação e obtenção de água.

Também o trabalho sexual não pode continuar a ser exercido sem direitos, nem protecção social. Actrizes, dançarinas ou prostitutas, as mulheres estão presentes na indústria do sexo e o seu trabalho tem urgentemente de ser reconhecido.

Exigimos o direito universal pela autodeterminação, pela autodefinição, pela identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros. Hoje em dia, ainda é negado o direito à identidade e mesmo quando este é concedido, está dependente de decisões de “autoridade médica”, através de “tratamentos psiquiátricos” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. É-nos, assim, negada a capacidade de decisão sobre as nossas vidas, os nossos corpos e as suas identidades. Deverão as mulheres trans representar a ideia de mulher perfeita?

Perante as mulheres trans a quem é pedido que provem ser mulheres, e perante os homens e demais pessoas trans e intersexo, a quem é solicitado que sigam leis sociais baseadas no machismo, rejeitamos todas as normas impostas por esta sociedade cissexista e machista.

Os números da violência machista são um sinal muito forte de que o modo como nos organizamos, vivemos e relacionamos é baseado em relações de poder desiguais, regradas pelo machismo e pela violência. A morte é a face mais visível desta violência que esconde um sistema patriarcal e machista em que somos educadas e educamos.

O problema do assédio sexual, assim como a violação por estranhos e o stalking (perseguição continuada e invasão do espaço de privacidade) permanecem nas ruas, nas escolas ou nos locais de trabalho, reflectindo uma sociedade ainda muito ancorada na ideia da mulher enquanto ser que existe para ser vista e avaliada, submissa e tocada. Este sentimento de vulnerabilidade impede o exercício da liberdade e o usufruto do espaço público. É, portanto, uma forma de censura social e de limitação de movimento, de expressão.

Estamos empenhadas na construção de um outro mundo mais justo, onde a igualdade de género seja uma realidade e a emancipação das mulheres o seu caminho. Exigimos a mudança, os mesmos direitos e as mesmas oportunidades, porque somos muitas e não estamos sós.

Lutamos nas nossas realidades singulares, mas também em solidariedade internacional com os movimentos que lutam em todo o mundo pelas mesmas liberdades e contra os mesmos mecanismos de opressão.

Porque este mundo também é nosso, e nós também o pensamos, estudamos, criamos. Ocupemos então tudo, os locais de trabalho, a rua, os centros de investigação, os palcos, os museus, as conferências, as colunas de opinião, as galerias, as livrarias, os cinemas, as festas. Ocupemos todos os espaços da sociedade, das nossas vidas, desde os da representação aos da decisão e inclusive os nossos corpos, todos, sem excepções.

REDE 8 DE MARÇO