COMUNICADO | Climáximo vem lembrar que já existe parecer negativo sobre o estudo de impacto ambiental para o furo de petróleo em Aljezur: chama-se ciência climática.

Depois da oposição unânime pelas populações locais e autarquias, depois da votação no parlamento para a suspensão do processo, o governo recorreu a administração criativa para ajudar o consórcio ENI/GALP: a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) lançou uma consulta pública sobre se deve haver uma avaliação do impacto ambiental (AIA) sobre o furo de petróleo ao largo da costa de Aljezur.

Nesta tentativa imaginativa de legitimar a exploração petrolífera no mar português, a APA apresenta aos cidadãos um documento de 230 páginas, escrito pela ENI, e pergunta se é preciso outro estudo além deste relatório. Convenientemente, este “relatório” sobre impacto ambiental de um furo de petróleo e gás não tem nenhuma referência ao Acordo de Paris ou ao orçamento de carbono que temos para limitar as alterações climáticas a níveis adaptáveis.

Contudo, a ciência climática existe e diz-nos que as infraestruturas já existentes de combustíveis fósseis são mais do que suficientes para nos empurrar para o abismo climático em que o aquecimento global se torna irreversível. Isto significa (para pessoas sãs e lúcidas) que, para nos mantermos num planeta habitável, temos de encerrar infraestruturas de combustíveis fósseis em vez de ponderar sobre a possibilidade de abrir novas. Por isso, é importante distinguir que mesmo que a ENI/GALP conseguisse fazer tudo da forma certa, sem derrames, sem acidentes, sem fugas, isto seria o pior cenário para o planeta.

O que está em causa com este processo corrupto é uma decisão entre uma transição energética justa e uma corrida ao caos climático. O consórcio ENI/GALP já fez a sua escolha, e o governo está a cumprir.

O Climáximo, movimento pela justiça climática, alerta: um estudo do impacto ambiental para além deste documento é sem dúvida necessário; Só que ele já existe, chama-se ciência climática, e foi adotado pelo Acordo de Paris na meta de limitar o aquecimento global a 2ºC até ao fim desde século.

A Humanidade já não tem tempo para manobras administrativas para legitimar um suicídio social. Temos que enterrar de vez este furo.

O Climáximo apela à participação na manifestação “Enterrar de vez o furo” no dia 14 de abril, às 15h, no Largo de Camões em Lisboa, convocada por mais de 20 organizações de todo o pais.

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participa

Mais informações:

  • Posição conjunta das autarcas e associações do Algarve contra o petróleo

Manter prospeção de petróleo será “declaração de guerra” do Governo ao Algarve: http://www.sulinformacao.pt/2018/02/manter-prospecao-de-petroleo-sera-declaracao-de-guerra-do-governo-ao-algarve/

  • Consulta Pública da APA

Sondagem de pesquisa de hidrocarbonetos Santola 1X: http://participa.pt/consulta.jsp?loadP=2160
Minutas preparadas pela PALP para participar na Consulta Pública https://www.anossavoz.pt/

 

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Portuguese government cancels four offshore oil and gas contracts in Algarve, the struggle continues against drilling in Aljezur.

PRESS RELEASE
31/03/2017

Portuguese government cancels four offshore oil and gas contracts in Algarve, the struggle continues against drilling in Aljezur.

The four contracts for exploration and extraction of oil and gas – namely Lagosta, Lagostim, Caranguejo and Sapateira – belonging to Repsol and Partex Oil and Gas (the fossil fuel company of the Calouste Gulbenkian Foundation) disappeared from the National Authority for Fuel Market website, confirming the cancellation of these contracts in Algarve. The fossil-free movement is committed to the immediate cancellation of the upcoming drill in Aljezur coast and the remaining concessions.salvar2
Climáximo considers this news as an important victory of dozens of movements who defend the sea and the coast against the infinite thirst of the fossil fuel industry. Following the cancellation in last December of Portfuel’s onshore contracts in Algarve, this offshore cancellation is yet another step forward. However, these cannot justify the other contracts, nor should they be imagined to calm down the movement against fossil fuels: we will do everything possible to stop the Aljezur drill and the continuation of the other concessions in Alentejo Coast, Peniche Basin and the West coast until Oporto.
We will continue the struggle against fossil fuels, not only because it is the only possible way to limit global warming by 2C, but also as collectives and individuals defending the oceans and the soil against extractivist practices destroying the geological, biological, economical and social systems we all depend on. Six contracts are cancelled, nine more to go. Keep the fossil fuels in the ground!climaximo logo

 

Climáximo
www.climaximo.pt

Oil and Gas Contracts in Portugal: 6 Left in the Ground, 9 to go

Climáximo, Portuguese climate justice movement fighting against fossil fuel exploration and extraction in Portugal and anywhere else in the world, celebrates the recent cancellation of the Portfuel and Repsol/Partex contracts in Algarve but highlights that there are more 9 fossil fuel contracts, onshore and offshore, in Batalha, in Pombal, and all over the Atlantic coast from Porto until Sagres. All of these contracts need to be canceled and Portugal should advance to a fossil-free future.20090864

These cancellations are a fruit of continuous and determined struggle by the various local movements, in Algarve and in several other places of the country, which clearly demonstrated the contradiction between fossil fuel projects and the lives and sustenance economy of the local populations together with the fight against global climate change. Climáximo has been always and will continue to be on the side of the cancellation of all these irrational concessions.

The government’s decision is positive, but cannot be used to justify the other concessions: we are well aware of the power of the corporations behind these catastrophic concessions, but the government’s duty should be to defend the populations who elected them. Hence, the remaining contracts in Alentejo coast (offshore), zona Oeste (offshore) and in Beira Litoral (onshore). Mobilizations will be crucial to put these processes on the right track.

Last November in COP-22, Marrakesh, the Prime Minister António Costa declared that Portugal would be carbon neutral by 2050. This simply means that there cannot be any fossil fuel exploitation in this country. Being good words, it is also too far fetched in its time scale: the carbon budget to limit global warming by 2ºC implies a rapid transition to take place in the following two decades. Climáximo will do everything it takes to press for a rapid and just transition, and to disrupt the suicidal logic of the fossil fuel industry which is based on the extractivist capitalism that exploits the people and the planet simultaneously.

6 contracts are gone, now it’s time for the other 9 !

lisboa2