2018: furo de petróleo em Peniche – João Camargo

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Petróleo: mais concessões canceladas no Algarve. Faltam nove – João Camargo

Foi na véspera do dia das mentiras, a 31 de Março, que surgiu no site da Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis um novo mapa das concessões para prospecção e exploração de petróleo e gás no país. As concessões no mar do Algarve, ironicamente chamadas de Lagosta, Lagostim, Caranguejo e Sapateira, entregues ao consórcio Repsol-Partex, desapareceram. Canceladas.

O trabalho desenvolvido nos últimos 2-3 anos pelos movimentos que se opõem à exploração de combustíveis fósseis em terra e no mar, que conseguiram criar uma unanimidade em toda a região do Algarve e que começam a surgir de forma decidida em outras regiões do país, continua a fazer caminho. Depois de no final do ano passado o governo ter anunciado o cancelamento das concessões em terra – Aljezur e Tavira – da Portfuel do senhor Sousa Cintra, desta vez decidiu fazer o processo em silêncio, negando por um lado uma vitória pública aos movimentos e evitando por outro lado um confronto público com as todas-poderosas petrolíferas. Depois de há dois meses ter dado, também às escondidas, uma autorização ilegítima para a realização de um furo de prospecção de petróleo e gás ao largo de Aljezur (ignorando mais de 42 mil oposições numa consulta pública fantoche) parece ter encontrado o seu modus operandi, para o bem e para o mal. É mesmo o modus operandi descrito pela ministra do Mar quando em Setembro de 2016 anunciava nos Estados Unidos que em Portugal se faria o processo de prospecção de petróleo e gás, mas devagar, para não suscitar o protesto popular.Keep it in the ground

Aqui chegados, há lições a tirar, nomeadamente de que a mobilização social a nível do Algarve foi o factor decisivo para determinar o fim, até agora, de seis concessões para prospecção e exploração de petróleo, em terra e no mar, por métodos convencionais e não-convencionais (leia-se fracking, fracturação hidráulica). Mas há mais lições, nomeadamente de que o governo apostará no silêncio como estratégia, não assumindo uma posição política de oposição à prospecção e exploração de petróleo (tendo responsabilidades pelas concessões de petróleo e gás tanto o PSD-CDS como o PS, com a entrega de concessões em 2007, com Sócrates, e em 2011 e 2015, com Passos Coelho), e procurando dar garantias às petrolíferas, como a autorização encapotada para o furo de Aljezur.

Ora, cancelados os contratos cuja nomenclatura era “Algarve” – Lagosta, Lagostim, Caranguejo, Sapateira, Tavira e Aljezur – mantém-se a autorização para furar no mar ao largo de Aljezur, também no sotavento algarvio, algo que se poderá materializar já nos próximos meses. Há condições legais para cancelar o furo e rescindir as três concessões do Alentejo.

Para garantir a derrota das petrolíferas e portanto a vitória das populações do litoral e do interior deste país, é preciso subir a pressão. Das 15 concessões petrolíferas que existiam em vigor no território nacional no final 2015, ainda se mantêm 9 – no mar do litoral alentejano, no litoral de Peniche e zona Oeste, e em terra na Batalha em Pombal. E um furo autorizado. Os novos movimentos no Alentejo, na zona de Peniche e Marinha Grande podem olhar para o Algarve e perceber aquilo que é uma lição para todo o país: é possível travar interesses poderosíssimos com informação, mobilização e persistência. O cancelamento das concessões do Algarve não será aceite como moeda de troca para as restantes concessões e é preciso acabar com o quadro legal que permite contratos de prospecção e exploração de petróleo e gás. Seis já estão, faltam as restantes nove, começando com o furo de Aljezur.

Artigo originalmente publicado no Sabado.pt no dia 5 de abril de 2017.

Portuguese government cancels four offshore oil and gas contracts in Algarve, the struggle continues against drilling in Aljezur.

PRESS RELEASE
31/03/2017

Portuguese government cancels four offshore oil and gas contracts in Algarve, the struggle continues against drilling in Aljezur.

The four contracts for exploration and extraction of oil and gas – namely Lagosta, Lagostim, Caranguejo and Sapateira – belonging to Repsol and Partex Oil and Gas (the fossil fuel company of the Calouste Gulbenkian Foundation) disappeared from the National Authority for Fuel Market website, confirming the cancellation of these contracts in Algarve. The fossil-free movement is committed to the immediate cancellation of the upcoming drill in Aljezur coast and the remaining concessions.salvar2
Climáximo considers this news as an important victory of dozens of movements who defend the sea and the coast against the infinite thirst of the fossil fuel industry. Following the cancellation in last December of Portfuel’s onshore contracts in Algarve, this offshore cancellation is yet another step forward. However, these cannot justify the other contracts, nor should they be imagined to calm down the movement against fossil fuels: we will do everything possible to stop the Aljezur drill and the continuation of the other concessions in Alentejo Coast, Peniche Basin and the West coast until Oporto.
We will continue the struggle against fossil fuels, not only because it is the only possible way to limit global warming by 2C, but also as collectives and individuals defending the oceans and the soil against extractivist practices destroying the geological, biological, economical and social systems we all depend on. Six contracts are cancelled, nine more to go. Keep the fossil fuels in the ground!climaximo logo

 

Climáximo
www.climaximo.pt

Governo cancela contratos de petróleo no Mar do Algarve, continua a luta contra o furo em Aljezur.

COMUNICADO DE IMPRENSA
31/03/2017

O desaparecimento, no site da Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis, dos quatro contratos de prospecção e exploração de petróleo e gás no mar do Algarve – contratos Lagosta, Lagostim, Caranguejo e Sapateira, concessionadas à Repsol e à Partex Oil and Gas, petrolífera da Fundação Calouste Gulbenkian – confirma o cancelamento destas concessões no Algarve. O movimento contra a prospecção e exploração de combustíveis fósseis em Portugal segue empenhado no cancelamento do furo de prospecção ao longo de Aljezur e das restantes concessões.salvar2
O Climáximo, movimento pela justiça climática, considera que a confirmação destes cancelamentos representa uma importante vitória para as dezenas de movimentos que protegem o mar e o litoral da sede infinita por petróleo e gás das petrolíferas. Depois do anúncio em Dezembro passado dos cancelamentos das concessões em terra no Algarve, pertencentes à Portfuel de Sousa Cintra, o cancelamento das concessões no mar é mais um avanço. No entanto, estes cancelamentos não podem ser imaginados como moeda de troca nem como calmante do movimento contra a exploração de petróleo e gás no país: faremos tudo o que for possível para travar o furo de Aljezur e a prossecução das concessões do Alentejo Litoral, da Bacia de Peniche e no litoral Oeste até ao Porto.
Seguiremos a luta contra os combustíveis fósseis como única possibilidade de travar a subida da temperatura do planeta acima dos 2 graus Celsius e também como pessoas e coletivos que defendem os oceanos e os territórios contra o extrativismo destruidor que devasta sistemas geológicos, biológicos, económicos e sociais. Seis concessões canceladas, faltam as restantes nove. Não aos furos, sim ao futuro!climaximo logo
Climáximo
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Petróleo e Gás: a Partex quer colinho – João Camargo

O presidente da Partex Oil & Gas, petrolífera da Fundação Calouste Gulbenkian, aproveitou a conferência dos 30 anos do Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial para desabafar acerca dos processos de petróleo e gás em Portugal. Começou forte: vivemos num “país de esquizofrénicos” que não são “mais do que a continuação de Donald Trump”. O presidente da Partex, que como Donald Trump defende um mundo de energias fósseis, ignorando as alterações climáticas e as consequências que estas têm para a Humanidade, fez as seguintes afirmações por causa da suspensão das prospeções de petróleo e gás natural no Alentejo e no Algarve. Fica fácil de ver o que é que a Partex quer: colinho.PARTEX

A Partex da Gulbenkian tem duas concessões em Portugal, na costa Oeste e no Algarve, onde o seu presidente sonha com plataformas para exploração de gás e/ou petróleo no fundo do mar, uma ameaça permanente para uma costa que depende e muito de pesca e de turismo. Pelas concessões em Peniche, para 60 anos em Peniche, a Partex (em conjunto com a Repsol, a Kosmos e a GALP), pagará ao Estado em rendas 200 mil €/mês por uma área de 12 mil quilómetros quadrados, mais ou menos o tamanho do Qatar. Se descobrir petróleo ou gás, e depois de ver amortizados todos os investimentos da prospeção e custos operacionais de produção, isto é, só a partir do momento em que tiver resultados líquidos positivos, a Partex pagará 2% dos primeiros 5 milhões de barris, 5% dos 5 milhões seguintes e 7% a partir daí. Pelas concessões no Algarve, para 58 anos, a Partex (em conjunto com a Repsol) pagará ao Estado 211 mil €/mês por uma área um bocadinho menor do que as ilhas Falkland. Se descobrir petróleo ou gás, o valor a pagar será, uma vez mais depois de retirados todos os investimentos de prospeção e custos operacionais, será similar ao de Peniche. Sobre os proveitos dessa operação, sabe-se da predileção da Partex pela sua colocação em offshores nas Ilhas Caimão, no Panamá e no Liechtenstein.

O presidente, num discurso certamente inspirado nos do Presidente-Eleito americano, afirmou que “Podíamos ser uma plataforma giratória para a Europa [do gás proveniente dos EUA] se a Península Ibérica deixasse de ser uma ilha energética”, mas “temos um problema de inteligência”, diz. Seguramente que a Partex preferiria uma opinião pública ignorante ou enclausurada, como ocorre nos principais países onde já opera, como o Omam, os Emirados Árabes Unidos, o Cazaquistão, a Argélia ou Angola. Parece claro que o problema de inteligência em Portugal foi a concessão, a preço de saque, dos seus mares e terra, para uma actividade destrutiva local e globalmente. Sobre “ilhas energéticas”, Portugal tem condições para não estar isolado sem precisar de ser um agente activo na destruição do seu território e mar, e da atmosfera do planeta – o seu nível de insolação é de 2200 a 3000 horas de insolação por ano, um potencial gigantesco a nível mundial. Indústria solar, não tem. Será quem em vez de importar o destrutivo gás de xisto de fracking dos EUA, Canadá ou Austrália, ou furar o seus mares à procura de um eldorado destruidor, não faria muito mais sentido passar a ter uma indústria desse tipo?gulbenkian

O presidente da Partex lamentou vivermos num “país de esquizofrénicos”, em que “[os políticos] são inimigos das empresas” e “tomam decisões baseadas em populismos das redes sociais”, seguindo para dizer que “asfixiar [a exploração de petróleo e gás em Portugal] é, no fundo, asfixiar a questão do mar em Portugal no futuro“. Acerta quando diz que vivemos num país esquizofrénico, pois Portugal afirma-se como liderança no combate às alterações climáticas e ainda não cancelou as concessões de petróleo e gás, que são exactamente o contrário do que tem de fazer. Compreende-se que o presidente da Partex sinta a necessidade de defender os seus activos financeiros e no terreno, de defender os interesses dos seus acionistas. Não o fará asfixiando o mar com a exploração de petróleo e de gás, com os gigantescos riscos que traz a exploração em deep offshore, a mais de 1000 metros de profundidade no mar. O que propõe a Partex é asfixiar, literalmente, os oceanos, privando-nos dos recursos naturais não geológicos e privando os ecossistemas marinhos de capacidade de sobreviver. Que não o compreenda só se explica pela necessidade de defender os interesses dos seus acionistas. E às claríssimas indicações científicas que nos dizem exactamente isso, apelida-as de “populismos das redes sociais”. Trump dá a linha, a Partex usa-a.

Ao ataque seguiu-se o muro das lamentações: “as empresas não vão fazer absolutamente nada sem o aval e o apoio das autoridades e também da opinião pública”, “se os países não querem acabou, vão para outro lado. Quando sentem que não são acarinhadas nem bem-vindas vão para outros lados”. Infelizmente as empresas como a Partex, enquanto continuarem a explorar combustíveis fósseis, estão na lista de fim de vida. Em Portugal como no resto do mundo. A sua era terminou, porque a opção é dicotómica: ou sobrevivem os negócios das petrolíferas ou sobrevivem os seres humanos. Que a Partex não o compreenda só se explica pela necessidade de defender os interesses dos seus acionistas.

Depois foi altura da propaganda: seria uma pena que Portugal não apostasse no desenvolvimento do gás natural que “é o mais limpo dos combustíveis fósseis e é uma parte fundamental da resolução do problema do clima”, “é parte da solução, não é o mau da fita”. Defendeu que é inevitável que a energia mundial evolua no sentido do gás, relembrando o fracking nos EUA como exemplo, e a “oportunidade” para as “pequenas e médias empresas, que podem trabalhar a vertente do consumo inteligente do consumidor”. Que os desejos da Partex sejam um mundo continuamente preso às energias fósseis é compreensível, pois esses são os interesses dos seus acionistas. Que aposte no gás é evidente, perante a impossibilidade de conseguir esse sonho de petróleo, porque embora muito mais lentamente do que é necessário, a Humanidade já assumiu a necessidade de abandonar os fósseis para travar as alterações climáticas. Um futuro de gás seria um conforto para a Partex e para as petrolíferas em geral, já que o gás não implica nenhuma alteração ao seu modelo de negócio, às tecnologias de extração, exceto a nível de transporte, pelo que fazem incessante lobby na União Europeia e com o Governo para que sejam os nossos impostos a pagar portos LNG e gasodutos. Que o gás não seja o mau da fita é negar as características dos hidrocarbonetos, em particular do metano, e dos processos industriais.offshore-rig Recentemente têm sido divulgados dados muito relevantes acerca da exploração de gás: não só a indústria subavalia cronicamente as perdas de metano directamente para atmosfera (e o metano é bastante pior do que o dióxido de carbono no que diz respeito ao efeito de estufa), como esconde a avaliação da libertação na produção, particularmente no que diz respeito ao fracking nos Estados Unidos, que revela perdas massivas gás, o que faz com que as emissões de metano disparem brutalmente no país. Ao contrário do que diz António Costa e Silva, é provável que o gás, além de ser um dos maus da fita, possa mesmo ser pior do que o carvão e o petróleo. Arremata com um golpe popular (não populista, que isso é para os que se opõe ao petróleo e ao gás), e uma exultação das PMEs e da criação de emprego. Obviamente é o mínimo que lhe exigiriam os interesses dos acionistas da Partex, que urge defender.

Mesmo a nível internacional, o chamado é claro: nem mais um projecto de exploração de fósseis. Que a Partex queira defender os interesses financeiros dos seus acionistas é normal. Que a população defenda os interesses do seu futuro, não só no país como no resto do planeta, é não só normal como o dever de quem quer viver um futuro não catastrófico. Felizmente cada vez mais essa população está informada, mobilizada e activa no combate aos interesses dos acionistas da Partex, assim como das outras petrolíferas que querem transformar o país e o planeta num esgoto a céu aberto. Felizmente não estão disponíveis para ceder às chantagens imorais dos Trumps desta vida nem dar colinho a uma indústria que só vive, cada vez mais, dos favores dos poderes públicos.

Artigo publicado na revista Sábado, 16/11/2016

Flash Mob intervenção no Jardim da Fundação Gulbenkian

Flash Mob intervenção no Jardim da Fundação Gulbenkian from Climaximo on Vimeo.

/English below/

Bicicletada chegou a Lisboa. E não podia não passar pela Fundação Gulbenkian. 🙂 Depois de abrir a banca informativa durante o Picnic Vegan “Comida sim, petróleo não”, fizemos uma pequena intervenção antes do concerto no jardim.

“Olá a todos! Partex Oil & Gas agradece a vossa presença aqui hoje!

Quem é a Partex Oil & Gas? É uma empresa petrolífera e a única fonte de financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian. A Fundação tem 100% da Partex.

Ao mesmo tempo que fazem eventos culturais, a Fundação planeia perfurar os nossos mares em busca de mais petróleo e gás.

Temos que deixar os combustíveis fósseis no solo. Dizemos não à extração de petróleo e gás!

Informa-te, espalha a palavra, e atua!

Muda o sistema, não o clima!”

2 de julho de 2016

flash mob 01

English:

Bicicletada arrived to Lisboa, and it couldn’t not visit the Gulbenkian Foundation. 🙂 After our information stand during vegan picnic “Food not oil”, we made a small flash intervention before a concert in the garden.

“Hi everyone,

We bring a warm welcome from Partex Oil & Gas.

If you wonder what is Partex Oil & Gas, it is the fossil fuel company which is the unique financial source of the Gulbenkian Foundation, and the Foundation in turn owns 100% of Partex.

While washing its image with cultural activities, Gulbenkian Foundation is planning to drill Portuguese seas for more oil and gas extraction.

We need to leave the fossil fuels in the ground.

We say no to oil and gas extraction.

Keep informed, spread the word, take action.
Change the system, not the climate!”

 flash mob 02

A call for a just and livable planet – Climáximo

There is no fossil fuel extraction in Portugal, for now. Some corporations, with the support of some politicians, want to start drilling soon. All concessions are based on clumsy contracts, without any serious consideration of environmental, economic, and social impacts, except the profits they could generate for the corporations involved.

The best case scenario is that these gentlemen never heard of global climate change.

The climate emergency

To avoid runaway climate change, we must limit warming by 2°C compared to pre-industrial levels. We already reached 1°C last year, and this year is even worse. After the 2°C threshold, several ecosystems in the Earth’s climate would collapse, crossing the point of no return. This may lead to 4-6°C increase in average temperatures during this century. Scientists refer to this as “the end of the world as we know it” because such abrupt changes would annul all options for adaptation and even for modeling: we have no scientific method to visualize what a 6°C warmer world would look like, how many human beings it could support, and how many species and ecosystems could survive.

Beyond the point of no return are chronic droughts, storms, hurricanes, inundations, massive biodiversity loss, epidemics, sea level rise, ocean acidification, infrastructure failures, food crises, water crises, wars and climate refugees. Let us put that last point into perspective: compared to the 4 million refugees from Syria (of which only a few hundred thousands entered Europe), climate refugees are expected to be around 200 millions by 2050.Climate-Games_1500

But none of this inevitable. Climate science shows we can have a good chance of keeping warming within livable limits. To do that, we must leave more than 80% of all known fossil fuel reserves in the ground. (And they want to look for more reserves?)

In Portugal, we need to cut domestic greenhouse gas emissions by 64% in 15 years. You don’t do this by fossil fuel extraction projects.

From a climate justice perspective: as the concessions become extraction projects, and even if they provide extraordinary safety measures, prepare for the smallest risks, pay decent wages to workers (imagine!); that is, even if the corporations involved satisfy all legal conditions, and do everything as according to their plans, we are still doomed. On top of the complete ecological destruction in the Global South, to which Portugal should be particular attuned to given its history with, among others, Portuguese-speaking countries, the settlements in the Atlantic coast will suffer due to sea level rise, Alentejo will face droughts and temperature rise, and cities will experience grave infrastructure failures. And someone is now investing money to this end!

In short: The fossil fuel corporations are climate denialists, and the Portuguese climate policy is a denialist of physics and chemistry.

The only realist proposal for a just and livable planet is to leave fossil fuels in the ground, mobilize all political, social and economic forces for a just transition to a sustainable future. In practical terms, a good beginning is to stop all the fossil fuel projects in Portugal – make the government cancel all existing contracts and pass a moratorium on any new ones

A strategy for a livable planet

Climáximo is a grassroots climate justice movement that fights for a radical transformation of our societies. Here is our proposal for short to middle term strategies.

We highlight four targets in the short term:galp

  • GALP: Together with ENI, GALP has a concession for deep-offshore exploration and extraction in the Alentejo basin. They announced to start drilling by July 1st.160px-Repsol_2012_logo
  • REPSOL: Together with PARTEX, REPSOL has deep-offshore concessions in four areas in the Algarve basin. They announced to start drilling this autumn.
  • enmc ENMC: This is the state apparatus at the service of the fossil fuel industry. In complete climate denial, they publicly declared themselves pro-extraction and move on to negotiate even more contracts.
  • PARTEX: Owned by the Calouste Gulbenkian Foundation and the only financier of the foundation, PARTEX is involved in concessions in the Algarve basin and the Peniche basin.PARTEX

Our lemma is as follows: The planet has very little time left for climate action. But the corporations and that quasi-corporate entity still have time to back off. If they cross the red lines of a livable planet, we will have to cross their red lines through actions of civil disobedience.

We have solutions.

We must stop all the fossil fuel projects in Portugal. But this is not enough. Around three quarters of the energy consumed in Portugal come from fossil fuels, which not only means energy dependency but also that Portugal is responsible for extraction projects elsewhere.

Instead, we need a profound transformation of our society. We need to:

  • produce all our electricity from sustainable renewable energies such as wind and solar,
  • switch from cars to buses, trains and metro, and run almost all transport on renewable energy,
  • insulate and convert all homes and buildings to use less energy and to heat and cool using renewable energy,
  • convert and redesign industry to use less energy and to use renewable energy whenever possible, and
  • redesign agricultural production to use less industrial inputs.

This will require a lot of work.lisboa01

Our proposal to lead this transformation is the Climate Jobs campaign. In a nutshell, the campaign demands the creation of

  • safe, secure and decent new jobs,
  • in public sector
  • in areas that would directly cut greenhouse gas emissions,
  • while at the same time guaranteeing employment for the workers in the polluting industries.

This is not only possible and urgent, but also has became a necessary condition for the survival of any kind of civilization.

Our priority is to resist and block extraction projects while at the same time pushing for real solutions to climate chaos.

Plan of action

Here is our plan of action for the short term:

  • June 25: Climate Activism Training
  • July 1: Toxic Tour, integrated into Bicicletada (including a visit to GALP)
  • July 30-31: Nonviolent Direct Action Training (to be confirmed soon)
  • all summer: Be attentive to Alentejo (We are looking at you, GALP.)
  • July-August-September: Prepare a detailed study of Climate Jobs in Portugal
  • September: Climate Activism Training
  • October: A week of diverse actions linking social justice to environmental justice, and linking precarity to climate catastrophe: Jogam com as nossas vidas!
  • all autumn: Be attentive to Algarve (We are looking at you, REPSOL and PARTEX.)
  • all year around: Follow every single move of ENMCbreakfree_0

There are many ways you could be part of the struggle. Climate change is the biggest challenge in the history of humanity. All around the world, thousands of activists are building a movement to change the system, instead of the climate.

And we need everyone.

If you already belong to an organization or movement, share and discuss this proposal and talk to us. Participate in the Climate Jobs campaign. Also, bring your ideas in, so together we put all the initiatives to feed each other.

If you are familiar with climate justice issues, appear in our weekly meetings: We are willing to prepare actions of civil disobedience in order to stop the climate criminals from crossing the planetary red lines. But actions require team building, trainings, political and strategic convergence, and a lot of kitchen work. This means more people involved in the meetings and discussions. 😉

If this makes you curious (or excited, or furious) but you don’t feel like you have the basic background on climate, we are preparing a moment to introduce our collective and to open up to new ideas. Join the training in June 25.climaximo logo small

See you soon, 😉
Climáximo people

Apelo para um planeta justo e habitável – Climáximo

Neste momento ainda não há extração de combustíveis fósseis em Portugal. Algumas empresas, com o apoio de alguns políticos, querem começar a prospeção e a extração em breve. Todas as concessões são baseadas em contratos rudimentares, sem quaisquer considerações sérias sobre impactos ambientais, económicos e sociais, exceto os lucros que podem gerar para as empresas envolvidas.

Na melhor das hipóteses, estes senhores nunca ouviram falar das alterações climáticas.

A emergência climática

Para evitar alterações climáticas catastróficas, é preciso limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais. O ano passado atingimos 1°C e este ano vai ser ainda pior. Se passarmos o limite dos 2°C, vários ecossistemas vão colapsar. Isto poderá levar a aumentos de 4°C a 6°C durante este século. Os cientistas referem-se a esta possibilidade como “o fim do mundo como o conhecemos” porque mudanças tão abruptas invalidariam quaisquer opções de adaptação e até de modelização: não temos quaisquer métodos científicos para perceber como seria um mundo 6°C mais quente, quantos seres humanos este mundo poderia suportar e quantas espécies e ecossistemas sobreviveriam.Climate-Games_1500

Para lá deste limiar dos 2°C estão secas crónicas, tempestades, ciclones, cheias, enormes perdas de biodiversidade, epidemias, subida do nível do mar, acidificação dos oceanos, falhas de infraestruturas, crises alimentares e de acesso à água, guerras e refugiados climáticos. Para colocar este último ponto em perspetiva, a crise na Síria criou 4 milhões de refugiados (dos quais apenas algumas centenas de milhares entraram na Europa); prevê-se que as alterações climáticas possam criar 200 milhões de refugiados até 2050.

Mas nada disto é inevitável. A ciência climática mostra que temos boas possibilidades de manter o aquecimento dentro de limites que preservariam a habitabilidade do planeta. Para o fazer, temos de deixar mais de 80% das reservas de combustíveis fósseis conhecidas debaixo da terra. (E ainda querem procurar novas reservas?)

Em Portugal, temos de cortar 64% das emissões de gases de efeito de estufa em 15 anos. Isto não se consegue iniciando projetos de extração de combustíveis fósseis.

De uma perspetiva de justiça climática: à medida que as concessões se transformam em projetos de extração, e mesmo que tomem medidas de segurança extraordinárias, se preparem contra os mais pequenos riscos, paguem salários decentes aos seus trabalhadores (imagine-se!); isto é, mesmo que as empresas envolvidas cumpram todas as condições legais e façam tudo de acordo com os seus planos, estamos condenados. Para alem da enorme destruição ecológica no Sul Global, à qual Portugal deve estar particularmente atento, dada a sua história com os países de língua oficial portuguesa, as povoações na costa atlântica vão ser afetadas pela subida do nível do mar, o Alentejo vai ser afetado por secas e subida de temperatura e as cidades vão ter sérias falhas de infraestrutura. E há quem esteja a investir dinheiro nisto!

Resumindo, as empresas de combustíveis fósseis negam as alterações climáticas e a política climática portuguesa nega as leis da física e da química.

A única proposta realista para um planeta justo e habitável é deixar os combustíveis fósseis debaixo da terra e mobilizar todas as forças sociais, económicas e políticas para uma transição justa para um futuro sustentável. Em termos práticos, um bom começo é parar todos os projetos de extração de combustíveis fósseis em Portugal – fazer com que o governo cancele todos os contratos existentes e imponha uma moratória a quaisquer novos contratos.

Uma estratégia para um planeta habitável

O Climáximo é um movimento social pela justiça climática que luta por uma transformação radical nas nossas sociedades. Esta é a nossa proposta de estratégia a curto e médio prazo:

Destacamos quatro alvos a curto prazo:

  • galpGALP: Juntamente com a ENI, a GALP tem uma concessão para exploração e extração em deep-offshore na bacia do Alentejo. Anunciaram a intenção de começar a prospeção a 1 de Julho.
  • 160px-Repsol_2012_logoREPSOL: Juntamente com a PARTEX, a REPSOL tem concessões de deep-offshore em quatro areas da bacia do Algarve. Anunciaram o início da exploração para este Outono.
  • ENMC: Esta é a instituição do Estado ao serviço da indústria dos combustíveis fósseis. Numa demonstração de completa negação climática, declararam-seenmc publicamente a favor da extração e estão em processo de negociação de ainda mais contratos.
  • PARTEX: Propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian, sendo a sua única fonte de financiamento, a PARTEX está envolvida em concessões nas bacias do Algarve e de Peniche.PARTEX

O nosso lema é o seguinte: Já temos muito pouco tempo para ação climática. Mas as empresas e os seus defensores dentro do Estado ainda têm tempo para recuar. Se passarem as linhas vermelhas de um planeta habitável, nós teremos de passar as suas linhas vermelhas, através de ações de desobediência civil.

Temos soluções.

É preciso parar todos os projetos de extração de combustíveis fósseis em Portugal. Mas isto não é suficiente. Cerca de três quartos da energia consumida em Portugal é proveniente de combustíveis fósseis, o que significa não apenas dependência energética mas também que Portugal é responsável por projetos de extração noutras partes do planeta.

Precisamos de uma transformação profunda da nossa sociedade. É preciso:

  • produzir toda a nossa eletricidade a partir de energias renováveis e sustentáveis, tais como eólica e solar,
  • deixar os carros, em prol de autocarros, comboios e metro e colocar quase todos estes transportes a funcionar com energias renováveis,
  • isolar e converter todas as casas e edifícios para que usem menos energia e sejam aquecidos e arrefecidos utilizando energias renováveis,
  • converter e redesenhar a indústria para que use menos energia, usando energia renovável sempre que possível, e
  • redesenhar a produção agrícola para que use menos produtos industriais.

Isto vai exigir muito trabalho.lisboa01

A nossa proposta para esta transformação profunda é a campanha dos Empregos para o Clima. Resumidamente, esta campanha defende

  • a criação de empregos seguros, estáveis e com boas condições,
  • no setor público,
  • em setores de atividade que contribuam diretamente para a redução das emissões de gases de efeito de estufa,
  • ao mesmo tempo garantindo novos empregos para os trabalhadores das indústrias poluentes.

Isto não é apenas possível e urgente, mas também uma condição necessária para a sobrevivência de qualquer tipo de civilização.

A nossa prioridade é resistir e bloquear projetos de extração, ao mesmo tempo que propomos soluções reais para o caos climático.

Plano de ação

Este é o nosso plano de ação a curto prazo:

  • 25 de junho: Formação sobre Ativismo Climático
  • 1 de julho: Passeio Tóxico, integrado na Bicicletada (incluindo uma visita à GALP)
  • 30 e 31 de Julho: Formação sobre Ação Direta Não-violenta
  • Verão: Ficar atentos ao Alentejo (olá GALP!)
  • Julho-Agosto-Setembro: Preparar um estudo detalhado sobre Empregos para o Clima em Portugal
  • Setembro: Formação sobre Ativismo Climático
  • Outubro: Semana de ações ligando a justiça social à justiça climática e a precariedade à catástrofe climática: Jogam com as nossas vidas!
  • Outono: Ficar atentos ao Algarve (olá REPSOL e PARTEX!)breakfree_0
  • Todo ano: seguir todos os movimentos da ENMC

Há muitas formas de participar nesta luta. As alterações climáticas são o maior desafio da história da humanidade. Por todo o mundo, milhares de ativistas estão a construir um movimento para mudar o sistema, em vez de mudar o clima.

E precisamos de tod@s.

Se fazes parte de uma organização ou movimento, partilha e discute esta proposta e fala connosco. Participa na campanha dos Empregos para o Clima. Traz as tuas ideias, para planearmos juntos todas as iniciativas.

Se estás a par de assuntos de justiça climática, aparece nas nossas reuniões semanais: Estamos dispostos a preparar ações de desobediência civil para impedir que os criminosos do clima passem as linhas vermelhas do planeta. Mas estas ações exigem trabalho de equipa, treino, convergência política e estratégica e muito trabalho de bastidores. Isto significa mais pessoas envolvidas nas reuniões e nas discussões. 😉

Se isto te deixa curios@ (ou excitad@, ou furios@) mas não sentes ter conhecimentos básicos sobre as alterações climáticas, estamos a preparar um momento para apresentar o nosso coletivo e ouvir novas ideias. Aparece na formação no dia 25 de junho.cropped-climaximo-logo1.png

Até já, 😉
Climáximo