Filme e debate: O Plano (2018)

Dia 25 de janeiro, 21h00, Sirigaita (Rua dos Anjos 12F, Intendente, Lisboa)

Projeção de filme, com presença do realizador Steve Sprung.

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Sinopse: Há 40 anos, um grupo de engenheiros qualificados enfrentavam a crise, austeridade e ameaça de encerramento da fábrica onde trabalhavam. Responderam com um plano radical, desenhando vários produtos socialmente úteis, sustentáveis e pró-ambientais em alternativa ao armamento militar que a fábrica produzia. Este filme atreve-se a perguntar como poderia ser hoje em dia a nossa vida, se o Plano dos trabalhadores da Lucas não tivesse sido obstruído.

O filme “O Plano” conta a história da luta dos trabalhadores da Lucas que produziram um plano de transição e auto-gestão para a fábrica em que trabalhavam: um plano que visaria a alteração da produção de componentes de aviões para turbinas eólicas, questionando a forma em que o trabalho estava organizado e para que servia esta produção.logo_epc_azul-on-background

Hoje, com a crise climática, nós também precisamos dum plano nosso para uma transição energética justa. Depois do filme (versão curta de duração 30 minutos), vamos discutir que políticas seriam necessários em Portugal para evitarmos o caos climático.

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Declaração: A cimeira do clima em Katowice não serve. Os trabalhadores precisam de mobilizar-se para exigir uma transição justa.

Esta declaração foi escrita por sindicalistas e ativistas pela justiça climática, reunidos em Lisboa nos dias 22-25 de novembro por iniciativa da campanha Empregos para o Clima e da Fundação Rosa Luxemburgo. O texto foi lançado na sessão de encerramento dos IV Encontros Internacionais Ecossocialistas.

A cimeira do clima em Katowice não serve. Os trabalhadores precisam de mobilizar-se para exigir uma transição justa.

Políticos e empresários reunir-se-ão em Katowice, Polónia, de 3 a 14 de dezembro, para mais uma cimeira sobre o clima, a COP-24, para discutir a acção climática global.

Primeiro, eles irão culpar os governos negacionistas das alterações climáticas de direita, que ameaçam abandonar o acordo de Paris. Então, irão escrever e assinar mais documentos.

Os tratados e acordos internacionais envolvem sérias sanções para países que desejem sair ou quebrar os acordos. Sabemos isto porque o temos visto acontecer recentemente com acordos internacionais de comércio. Em contraste, sabemos o quão inconsequente é sair do Acordo de Paris, já que o acordo não acarreta quaisquer sanções. Mas também sabemos o quão inconsequente é permanecer no Acordo de Paris, com as suas metas voluntárias e não vinculativas que, mesmo se cumpridas, nos empurrarão para uma mudança climática descontrolada.

O capitalismo não será a sua própria cura. A solução para a crise climática tem que vir de baixo.

Os governos de todo o mundo devem lançar imediatamente programas de transição justa para se mudar para uma economia pós-carbono. No entanto, em Katowice, como em todas as vinte e três cimeiras anteriores, os governos vão falar sobre o que deve acontecer em 2030 ou 2050, em vez de fazerem compromissos concretos para 2019 e 2020 (isto é, quando estão realmente no poder).

Neste momento, não há transição energética (justa ou injusta) em curso que chegue perto de limitar o aquecimento global em 2º C, como sugerido pelo acordo de Paris. O business-as-usual (continuar como de costume) fornece apenas uma transição para o caos climático.

Isso significa que os trabalhadores devem tomar o assunto nas suas próprias mãos e lutar por uma transição justa nos seus termos. Precisamos de alcançar a justiça social e climática ao mesmo tempo, porque essa é agora a única maneira de ganhar qualquer uma delas.

Nós exigimos

  • programas de formação em energias renováveis e empregos de eficiência energética para quem trabalha nas indústrias de combustíveis fósseis, a serem lançados imediatamente,
  • controle público e democrático sobre o sector da energia,
  • investimento nos transportes públicos e colectivos nas cidades, assim como nas ligações entre cidades e países,
  • investimentos maciços e empregos em sistemas de energias renováveis,
  • o fim de todas as guerras, bem como da produção e venda de armas,
  • racionalizar e localizar linhas de produção, distribuição e consumo baseadas em necessidades humanas, em vez de lucro.

Não esperamos nada dos corredores da COP24.

A nossa esperança é baseada unicamente nos coveiros do capitalismo. Convidamos as e os trabalhadores do mundo inteiro a mobilizarem-se para defender um planeta habitável e a civilização, e a lutar por uma transição justa nos seus locais de trabalho, nas suas comunidades e mais além.

Para assinar a declaração: https://actionnetwork.org/petitions/the-climate-summit-in-katowice-wont-do-the-workers-must-mobilize-to-demand-a-just-transition/


This declaration was written by unionist and climate justice activists, gathered in Lisbon in November 22nd-25th by the initiative of the Climate Jobs campaign in Portugal and the Rosa Luxemburg Foundation. The text was launched at the closing session of the 4th International Ecosocialist Encounters.

The climate summit in Katowice won’t do. The workers must mobilize to demand a just transition.

Politicians and businessmen will gather in Katowice, Poland, on December 3-14, for yet another climate summit, COP-24, to discuss global climate action.

First, they will blame climate denialist right-wing governments who threaten to leave the Paris agreement. Then they will write and sign more papers.

International agreements and treaties can carry heavy sanctions for countries who wish to leave or break them. We know this because we have seen it happen recently with trade agreements. In contrast, we know how unconsequential it is to leave the Paris agreement, as the agreement carries no sanctions. But we also know how unconsequential it is to remain in the Paris agreement, with its voluntary, not binding emission targets which, even if kept, would still push the planet to runaway climate change.

Capitalism will not be the cure to itself. The solution to the climate crisis has to come from below.

Governments from all around the world must launch just transition programmes immediately, to move to a post-carbon economy. However, in Katowice as in all the previous twenty three summits, governments will talk about what should happen in 2030 or 2050, rather than concrete commitments about 2019 and 2020 (that is, when they are actually in power).

At the moment, there is no energy transition (just or unjust) in course that comes anywhere close to limiting global warming by 2ºC as suggested by the Paris agreement. Business-as-usual provides a transition to climate chaos only.

This means that the workers must take the matter in their hands and fight for a just transition in their terms. We need to win social and climate justice at the same time, because that is now the only way to win either one.

We demand

  • training programmes on renewable energy and energy efficiency jobs for all workers in the fossil fuel industries, to be launched immediately,
  • public and democratic control over the energy sector,
  • investment in public and collective transport in the cities as well as connecting cities and countries,
  • massive investment and jobs in renewable energy systems,
  • an end to all wars as well as arms production and sale,
  • rationalizing and localizing production, distribution and consumption lines based on human needs rather than profit.

We expect nothing from the halls of COP24.

Our hope is based solely on the gravediggers of capitalism. We invite the workers of the world to mobilize to defend a liveable planet and the civilization, and fight for a just transition in their workplaces, in their communities and beyond.

To sign this declaration: https://actionnetwork.org/petitions/the-climate-summit-in-katowice-wont-do-the-workers-must-mobilize-to-demand-a-just-transition/

AÇÃO DIRETA: Um duplo honesto do Ministro do Ambiente intervém em conferência para defender os combustíveis fósseis

Um ativista do Climáximo com uma máscara de Ministro do Ambiente discursou numa conferência sobre transição energética, destacando as contradições entre a ação climática e o furo de petróleo em Aljezur.

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O Ministro do Ambiente João Matos Fernandes foi um dos oradores no evento temático organizado em Lisboa no âmbito do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050.

Quando o ministro foi convidado a intervir, um ativista do Climáximo subiu ao palco com uma máscara da face do ministro e fez um discurso transparente e revelador das verdadeiras ações do governo.

Como Ministro contra o Ambiente, gostaria hoje de frisar o meu sincero apoio às petrolíferas, particularmente a ENI e a GALP, na sua luta contra o clima. Com o furo de Aljezur trabalhamos juntos para a destruição dos oceanos.

Tal como a GALP, acredito que devemos construir mais infraestruturas de combustíveis fósseis para termos menos infraestruturas de combustíveis fósseis. Tal como a GALP, nego a ciência climática e nego a aritmética básica. E negarei tudo o que contrariar os lucros das petrolíferas.

O “ministro honesto” foi acompanhado por mais dois ativistas com cartazes em que se lia “Furo de Aljezur = Caos climático”.

O furo de Aljezur não precisa de nenhuma avaliação de impacto ambiental porque um estudo de impacto ambiental não dá dinheiro.

Já fizemos consultas públicas e percebemos que as populações não entendem o capitalismo. A população acha que devo representá-la. E diz que devo demitir-me porque não defendo o ambiente. Eu não estou aqui para defender o ambiente, mas para defender as empresas do ambiente. Se houver um derrame de petróleo, irão ver o meu empenho em garantir que o negócio das petrolíferas não fique prejudicado.

Se alguém quer parar o furo, terá de parar-me a mim primeiro.”

Em contradição com as promessas de descarbonizar a economia e fazer uma transição energética, o governo recentemente autorizou a GALP e a ENI a procurar hidrocarbonetos em Aljezur sem necessidade de uma avaliação do impacto ambiental. Quando a ciência climática mostra que para travar as alterações climáticas não é possível iniciar nenhum novo projeto de combustíveis fósseis, um governo que aposta em mais furos de petróleo e gás não tem a competência política para falar sobre transição energética.

Temos de parar o furo de petróleo de Aljezur.

Temos de parar as corporações de combustíveis fósseis e os políticos com políticas fósseis.

O Climáximo convida toda a gente a organizar e participar em ações não-violentas de desobediência civil pela justiça climática.

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Mais informações:

Campanha Parar o Furo: http://www.pararofuro.pt

Comunicado: Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050: uma mão-cheia de nada

Um duplo honesto do Ministro do Ambiente intervém em conferência para defender os combustíveis fósseis from Climaximo on Vimeo.

Texto completo da intervenção

Boa tarde e bem-vindos,

Como Ministro contra o Ambiente, gostaria hoje de frisar o meu sincero apoio às petrolíferas, particularmente ENI e GALP, na sua luta contra o clima. Com o furo de Aljezur trabalhamos juntos para a destruição dos oceanos.

Tal como a GALP, acredito que devemos construir mais infraestruturas de combustíveis fósseis para termos menos infraestruturas de combustíveis fósseis. Tal como a GALP, nego a ciência climática e nego a aritmética básica. E negarei tudo o que contrariar os lucros das petrolíferas.

Os eleitores não entendem o papel dum bom ministro do ambiente. É um erro pensar que sou um ministro pelo ambiente.

Nos incêndios florestais, na poluição do Rio Tejo, no furo de Aljezur e de Aljubarrota, nas minas de lítio da Serra da Argemela, estou sempre do lado das empresas. A Celtejo, a Navigator, a ENI, a GALP e as Australis são nossas parceiras na missão de destruir o clima. As catástrofes ambientais podem ser um bom impulso para a economia e para o empreendedorismo e é isto que as pessoas não veêm!

Sou um político com ideias fósseis e apoio os combustíveis fósseis!

Como sabem, o plano de ação do nosso governo não é reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, mas aumentá-las. Na verdade, somos tão ambiciosos que queremos que em 2030 haja mais emissões que hoje. Mas sabemos que isto é difícil. Sabemos que existe oposição cidadã, sabemos que existem energias renováveis mas nesta marcha contra o vento e o sol, faremos tudo para travar a transição energética. Começamos com Aljezur, avançaremos com Aljubarrota e aumentaremos a capacidade das nossas estações de GNL. Queremos mais combustíveis fósseis, mais caos climático, mais secas, mais fogos florestais, mais perda de biodiversidade, mais tempestades, mais imigrantes climáticos e mais combustíveis fósseis! Resumindo, queremos ajudar os nossos parceiros a terem lucros a qualquer custo.

O furo de Aljezur não precisa de nenhuma avaliação de impacto ambiental porque um estudo de impacto ambiental não dá lucro.

Já fizemos consultas públicas e percebemos que as populações não entendem o capitalismo. A população acha que devo representá-los a eles. E diz que devo demitir-me porque não defendo o ambiente. Eu não estou aqui para defender o ambiente, mas sim para defender as empresas exploradoras do ambiente. Se houver um derrame de petróleo, vão ver o meu empenho em garantir que o negócio das petrolíferas não fique prejudicado.

Se alguém quer parar o furo, tem que parar-me a mim primeiro.

Hoje vamos falar sobre transição energética e descarbonização da economia, mas não vamos falar sobre parar o furo de Aljezur.

Muito obrigado.

Táticas e estratégias para alcançar a transição energética justa – Sinan Eden

Este texto não é sobre ciência climática nem é sobre transição energética em geral. Mas antes de começar, é preciso esclarecer três pontos:

Precisamos de uma transição energética urgentemente. A janela de ação está a fechar-se, e restam-nos poucos anos para mudar o sistema energético de uma forma profunda.

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Não está a ocorrer nenhuma transição energética (nem justa nem injusta). Se tudo correr bem com os compromissos assumidos pelos governos, o suposto maravilhoso aumento das energias renováveis não atingirá nem 20% de toda a energia consumida no mundo em 2035. Apesar de todo o marketing verde, a verdade é que os governos não estão a fechar infraestruturas de combustíveis fósseis, e continuam a planear construir novas.03 Renovaveis

Entender que não está a acontecer nenhuma transição energética é importante, porque quem diz que tudo está bem di-lo de forma puramente ideológica, porque não se baseia na realidade dos factos. A narrativa sobre um possível crescimento verde, em que o mercado capitalista e o um planeta habitável seriam compatíveis, não só desmobiliza as pessoas mas também cria um défice de ambição nos movimentos sociais.

O que me leva ao terceiro ponto: nós temos de fazer esta transição acontecer. O que está em causa não é a escolha entre uma transição justa e injusta, mas sim entre uma transição justa e o caos climático.

E para fazer isso acontecer, temos de tornar as alterações climáticas num problema das pessoas. Esta é a problemática em que se foca este texto: como tornar a luta pela transição energética uma luta concreta nas vidas das pessoas.

Vou focar-me particularmente nos trabalhadores e nos sindicatos.

Formas de intervenção sindical

Há duas formas de intervenção sindical pela transição energética:

Em primeiro lugar, como trabalhadores integrais (whole workers), ou seja, como membros da classe trabalhadora e não só como empregados duma empresa. Este tipo de intervenção é bastante comum em Portugal.

Este é um assunto ligado diretamente às vidas dos trabalhadores e comunidades, e os sindicatos têm já uma longa história de intervenção social e política muito para além dos conflitos dentro das empresas. Alguns exemplos bem conhecidos são a luta pela paz (e contra o NATO), a campanha contra a privatização da água liderada pelo STAL, e a intervenção contínua pela igualdade de género.

As lutas sindicais envolvem também uma forte componente de influência sobre, e confrontação das políticas do governo, como a campanha contra a precariedade ou as discussões do orçamento do estado. Neste caso também, a intervenção dos sindicatos vai além das negociações imediatas nas empresas e assume uma visão geral sobre o rumo que a sociedade está a tomar.

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Em segundo lugar, existem trabalhadora/es em sectores de atividade nas linhas da frente da crise climática. Energia e transportes são os sectores-chave na transição energética, onde se vão perder alguns empregos e serão criados muito mais postos de trabalho. Principalmente nos transportes públicos e energias renováveis, estudos preveem um volume de empregos várias vezes superior ao que a indústria petrolífera oferece. Por outro lado, a/os trabalhadora/es nas áreas da floresta, agricultura, saúde pública e o combate aos fogos são quem confronta diretamente os impactos das alterações climáticas. As organizações laborais desta/es trabalhadora/es são altamente relevantes para alertar a sociedade e mostrar o caminho certo.

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Empregos para o Clima como estratégia

Para articular a justiça social e a justiça climática, temos a campanha Empregos para o Clima, que alia os sindicatos e as organizações ambientais. Nós vemos a campanha não como aquilo que deve acontecer, mas sim como aquilo que vamos fazer acontecer.

A campanha, como estratégia, apresenta uma série de forças.

  • É uma proposta concreta e positiva, à qual dizer “Sim”, o que nos coloca numa posição ofensiva (em vez de defensiva).

  • Fala sobre transição justa e aborda os trabalhadores e comunidades que neste momento dependem da indústria petrolífera para sobreviver.

  • Junta ambientalistas e trabalhadores, quebrando o falso dilema entre trabalho e sustentabilidade.

  • Reivindica dezenas de milhares de novos empregos dignos.

  • Apresenta uma verdadeira solução para a crise climática.

  • Assume uma ótica de serviço público; vê e defende o clima como um bem comum.

Táticas e experiências

Com estas vantagens estratégicas, passemos então a exemplos de alianças bem-sucedidas e intervenções sindicais no mundo. Tentarei também fazer algumas pré-propostas de como concretizá-las em Portugal.

Tal como na primeira secção, vou classificar os exemplos como intervenções de trabalhador integral, ou intervenções dos trabalhadores nas linhas da frente.

  • No País Basco, os sindicatos analisaram a situação do fracking (extração de gás fóssil por fratura hidráulica) e responderam não só como trabalhadores mas também como defensores da comunidade. Assim, lideraram a luta contra o fracking em conjunto com várias outras organizações, e tiveram várias vitórias. Um caso semelhante poderia ser tentado na zona da Batalha/Pombal, onde uma concessão de petróleo e gás traz o risco da fratura hidráulica à região, ou no novo projeto de gasoduto entre a Guarda e Bragança, que não trará nenhum emprego mas apenas uma estrada para gás fóssil.

  • Em França, os sindicatos da plataforma Emplois-Climat (Empregos-Clima) mobilizaram as pessoas contra a lei laboral que visa precarizar ainda mais as condições de trabalho. Assim, os sindicatos usaram a campanha como uma proposta contra a precariedade. Em Portugal, no 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática, a campanha organizou uma sessão sobre precariedade com a participação da CGTP-IN em que foi tentada a mesma abordagem.

  • Em Noruega, os sindicatos e ambientalistas juntam-se no desfile do 1º de maio. Em Lisboa e no Porto adotámos a mesma prática: a própria campanha em Portugal foi lançada no 1º de maio de 2016.

  • No Reino Unido, o sindicato dos funcionários públicos, Public and Commercial Services Union, tem um papel muito ativo na campanha One Million Climate Jobs (Um Milhão de Empregos para o Clima). O sindicato defende um Serviço Nacional do Clima, que incluiria os empregos para o clima mas também toda a estrutura de função pública que manteria esse serviço. Em Portugal, os sindicatos destes sectores têm uma enorme oportunidade de intervenção neste sentido.

  • Em Nova Iorque, depois do furacão Sandy, os movimentos não deixaram o assunto das alterações climáticas sair da agenda pública. Mais recentemente, os sindicatos assinaram um acordo com o governador para a criação de milhares de empregos para o clima no sector da construção e conversão de edifícios. Em Portugal, as secas e os incêndios poderiam também servir para despertar o mundo para a crise climática. Com uma articulação bem-pensada, os trabalhadores destas áreas poderiam ser os lideres duma transição justa nacional.

  • As campanhas Empregos para o Clima em todos os países participam e influenciam as manifestações pelo clima. Em Portugal, até agora, a campanha não foi além da participação ativa, e pode tomar um papel mais envolvido.climate jobs justice

  • Na Noruega, a campanha Bridge to the Future (Ponte para o Futuro) preparou um compromisso eleitoral para as legislativas em que uma das reivindicações essenciais foi criação de empregos para o clima.

Depois destes casos em que ambientalistas e sindicalistas utilizaram a campanha como uma ferramenta para intervenção em várias áreas, passemos então aos exemplos das linhas de frente.

  • No Reino Unido, a campanha One Million Climate Jobs ganhou enorme visibilidade quando a empresa Vestas quis encerrar um campo eólico. Os trabalhadores e os ativistas convocaram uma ocupação das turbinas, em defesa dos postos de trabalho e do clima ao mesmo tempo. Em Portugal, os transportes públicos (ou a falta deles) poderia facilmente dar espaço a alianças semelhantes.

  • Na África do Sul, os mineiros de carvão envolvidos na campanha One Million Climate Jobs rejeitam as chantagens do governo e os despedimentos. Em vez de entrar em conflito com os ambientalistas, os sindicatos apoiam e defendem a campanha como a solução para uma transição justa, e assim contam com o apoio também dos movimentos climáticos.

  • No Reino Unido, cada vez que uma tempestade atinge o território e várias cidades são afetadas por cheias e inundações, o sindicato dos bombeiros alerta sobre as alterações climáticas. O sindicato sublinha que se não agirmos a tempo de reduzir as emissões, nunca teremos bombeiros suficientes para responder às crises futuras. Uma abordagem semelhante poderia ser explorada com os bombeiros e guardas florestais nas situações de incêndios florestais, cada vez mais fortes e frequentes.

  • Em Nova Iorque, o sindicato dos trabalhadores da construção defende a eficiência energética nos edifícios e a criação de empregos para o clima neste sector.

  • A International Transport Workers’ Federation (Federação Internacional dos Trabalhadores de Transportes) oferece uma formação interna sobre crise climática e empregos, dirigida aos trabalhadores dos transportes.Transicao Justa PCS capa

  • No Reino Unido, o sindicato dos funcionários públicos, Public and Commercial Services Union, propõe formação de requalificação profissional como reivindicação na contratação coletiva. Por exemplo, trabalhadores duma refinaria de petróleo podem exigir formação sobre energias renováveis como parte das negociações coletivas. Assim, pode-se responder aos desafios da gestão da transição energética e os trabalhadores poderão estar melhor preparados.

Para tirar as lições destas experiências e preparar táticas e ações em Portugal, precisamos, em primeiro lugar, de mais contacto e coordenação na campanha Empregos para o Clima. Melhor e mais forte comunicação pode criar a base para colaborar enquanto campanha na preparação de ações conjuntas. Assim, os sindicatos e os movimentos ambientais podem ganhar mais força na luta contra a precariedade, contra a exploração de petróleo, contra as privatizações, pelo emprego digno e pela transição energética.

 

Transição Justa para uma Economia Verde – O Futuro do Trabalho em Sines

No Sábado, dia 27 de janeiro, estivemos na conferência “Transição Justa para uma Economia Verde” organizada pelo Alentejo Litoral pelo Ambiente, em que foram discutidos

  • porque os sindicatos se devem interessar pelas questões do ambiente e do clima? com a intervenção do AMÉRICO MONTEIRO (responsável do Departamento para o Desenvolvimento Sustentável da CGTP-IN);
  • encerramento da Central Termoelétrica a carvão – perspetivas e soluções, com a intervenção do FÉLIX COSTA (Sindicalista do central de Sines); e
  • a Campanha Empregos para o Clima, com a apresentação do JOÃO CAMARGO (Ativista do Climáximo e investigador em alterações climáticas).

Curso Intensivo #4: Democracia Energética e Transição Justa

Nesta sessão do Curso Intensivo em Ativismo Climático, discutimos sobre

  • democracia
  • transição justa
  • propostas políticas para uma transição energética
  • democracia energética
  • a campanha Empregos para o Clima

Os vídeos que mostramos no início da sessão foram:

Os modelos climáticos compatíveis com um planeta habitável, produzidos no Climate Equity Reference Calculator, são:

Mundo – emissões devem ser reduzidas por 43% até 2030 (cenário 2ºC)
Portugal deve reduzir as suas emissões por 50-60% até 2030 (cenário 2ºC)
Portugal deve reduzir as suas emissões 60-70% até 2030 (cenário 1.5ºC)

Sobre a urgência de ação e como isto pode ser empoderador:

Finalmente mostramos este vídeo da rede Trade Unions for Energy Democracy:

Os livretes da campanha Empregos para o Clima são disponíveis online no site da campanha http://www.empregos-clima.pt .

 

2º Encontro Nacional pela Justiça Climática

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No momento em que sob as costas litorais de Portugal pende uma ameaça concreta de prospecção de petróleo, no momento em que Donald Trump tenta apagar as alterações climáticas da agenda internacional para relançar as petrolíferas em conjunto com Putin, reunimo-nos para discutir e preparar o combate às alterações climáticas e pela justiça social – combate à prospecção e exploração de combustíveis fósseis em Portugal; projectos de gás natural no país; empregos climáticos e transição energética; experiências internacionais de vários activistas desse mundo fora, juntos em Lisboa para reafirmar a justiça climática como objectivo essencial do nosso tempo. Esperamos por ti!

Relato do dia

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Programa detalhado, com as descrições das sessões

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