Comboio, mais justo e mais ecológico – caminho ascendente

Pôr o comboio na linha, para servir a população

3 de outubro, 10h30, Lisboa

Largo de Camões -> Terreiro do Paço Residência Oficial do Primeiro-Ministro

A crise climática por que estamos passar torna urgente descongestionar as estradas e reduzir a circulação de meios de transporte poluentes.

O setor dos transportes é, efetivamente, um dos principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases perigosos para a atmosfera. Tornar a mobilidade sustentável é, por isso, uma grande prioridade na transição energética.

Para reduzir essas emissões temos uma solução eficaz: desenvolver, alargar e melhorar a qualidade dos transportes públicos.

O transporte ferroviário é o mais ecológico porque é o meio de transporte que gera a menor quantidade de CO2. Além disto, o comboio utiliza a energia de forma mais eficiente. Se a tração for elétrica, permite recorrer a fontes renováveis de energia. É portanto um bom meio de transporte de pessoas e que pode ser ainda melhorado. Transportar mercadorias em carris é também muito mais eficiente e ecológico do que usar as estradas ou o mar. O transporte ferroviário é assim um trunfo a usar na mudança que precisamos de iniciar, hoje mesmo, para energias limpas e justas e na luta contra as consequências das alterações climáticas.

Para iniciar essa mudança é necessário criar mais trabalho neste setor e apoiar o desenvolvimento da rede ferroviária. Os seus trabalhadores devem ter condições laborais adequadas e saudáveis. O emprego no setor ferroviário público deve ser digno e estável.

Para darmos este passo precisamos de assegurar algumas questões que têm reflexo na maior parte das pessoas da nossa sociedade. Antes do mais, a rede ferroviária deve proporcionar um serviço público e acessível a todas as pessoas e não ter o lucro como fim principal. As condições e os postos de trabalho não devem, como em nenhum outro setor, ser alvo de competição. O preço dos bilhetes não pode ser objeto de especulação no mercado. O principal objetivo da ferrovia deverá ser assegurar um acesso justo ao transporte ao maior número de pessoas possível. A ferrovia precisa ainda de se expandir e de se desenvolver para apoiar quem vive, trabalha e estuda em zonas mais isoladas, diminuindo o abandono das regiões rurais e melhorando a vida nas periferias das grandes cidades. E, por fim, se a população estiver mais bem distribuída, descentraliza-se o consumo e colocam-se as pessoas perto das fontes de energia, ou seja, consegue-se uma distribuição da energia mais correta e mais eficiente.

Por todas estas razões, o Climáximo apoia a manifestação convocada pelas organizações de trabalhadores e utentes do setor ferroviário.

ferro

Transportes Públicos: “Trabalhadores e utentes querem respostas urgentes”

Para exigir medidas concretas que invertam o caminho de degradação do serviço público de transportes e na defesa do alargamento da oferta, da melhoria da qualidade e segurança do transporte público e com preços acessíveis, trabalhadores e utentes manifestaram-se, no dia 22 de setembro, na cidade de Lisboa.

O Climáximo participou na marcha, pela defesa e promoção do transporte público – essencial para uma mobilidade urbana sustentável e, por isso, essencial no combate às alterações climáticas

 transportes06

   transportes04

 tranportes03

No fim da marcha, os manifestantes aprovaram a seguinte moção para entregar ao governo:

Moção

«Trabalhadores e Utentes exigem respostas URGENTES!»

Há problemas de gestão, mas há claramente opções políticas levadas a cabo pelos governos que põem em causa a prestação de um serviço essencial aos trabalhadores e às populações.

O desinvestimento, a degradação do equipamento, a diminuição da oferta (horários e percursos), o aumento dos preços, não é obra do acaso. É uma opção política que visa a privatização do transporte publico.

É por isso, que nós, trabalhadores e utentes temos que estão com atenção redobrada. É urgente exigir mais e melhores transportes públicos, mas não aceitando que esta degradação sirva de justificação à entrega deste serviço fundamental à iniciativa privada.

Quem reside fora da Cidade de Lisboa conhece e bem a situação, com esta mesma justificação privatizaram os transportes sub-urbanos. Contudo, hoje pagam mais e têm menos oferta pondo em causa a mobilidade das pessoas (estudantes, trabalhadores e reformados).

Nos últimos 5 anos foi sempre para pior: aumentaram preços, reduziram a oferta, baixaram a fiabilidade e a confiança dos utentes nos transportes públicos. Os transportes públicos transformaram-se num caos, por culpa de um governo (PSD/CDS) que quis destruir todos os serviços públicos e transformá-los em negociatas à custa dos utentes e do Estado.

O actual Governo em funções à quase um ano, não prosseguindo na mesma política, nomeadamente travando a privatização que o anterior governo tinha em concretização, não é menos verdade que em questões centrais tem-se limitado a fazer promessas, a adiar soluções urgentes e a desculpar-se com as pressões externas. E o sistema continua a degradar-se, e está mesmo a entrar em colapso.

Ao mesmo tempo que adiam as respostas urgentes, vemos os membros do Governo a multiplicarem-se em promessas para o futuro – autocarros eléctricos, ciclovias de centenas de quilómetros, expansão da rede, bilhetes desmaterializados, investimento em material circulante para daqui a uns anos, etc – ao mesmo tempo que dizem ser precisos 10 aos para reparar os estragos feitos pelo anterior Governo. Os estragos foram muitos, é verdade, mas num país com um milhão de desempregados, é assim tão difícil contratar 45 maquinistas, 150 motoristas ou 80 operadores comerciais? Ou estamos perante uma mera gestão política do problema, que tem como único objectivo disfarçar com ilusões e promessas a ausência de medidas concretas e efectivas?

É por isso que dizemos: Com a nossa luta, travámos os processos de privatização, mas queremos respostas urgentes:

  • que acabem com os tempos de espera excessivos,
  • com os preços abusivos,
  • com a degradação da qualidade, da fiabilidade e da segurança.
  • E isto é urgente para a nossa vida!
  • Queremos um sistema público de transportes públicos acessível e de qualidade, e vamos lutar por ele!

Exigimos que contratem os trabalhadores necessários para repor a oferta de transporte e para devolver qualidade ao sistema (é preciso passar das promessas às medidas concretas:

  • já em Março prometeram 30 novos maquinistas para o Metro, dos 45 que faltam, mas ainda não entrou um e estamos a acabar Setembro!
  • E faltam trabalhadores comerciais e na manutenção, e faltam trabalhadores também na Carris, na Transtejo, na Soflusa, na CP e na EMEF).

Exigimos que libertem as verbas necessárias para se fazer a manutenção dos comboios e dos barcos. O Orçamento de Estado tem garantido o pagamento de todas as «swaps» e todas as «dívidas» aos bancos, também pode libertar as verbas muito inferiores necessárias à manutenção e acabar com o escândalo de estarem 18 (sim, dezoito!) comboios parados no Metro à espera de peças enquanto os utentes vão ouvindo desculpas sobre atrasos e anúncios de supressões ou circulações reduzidas).

Exigimos que avancem com os investimentos inadiáveis em vez de prometerem uma e outra vez grandes investimentos para daqui a uns anos (lancem o concurso para o alargamento de Arroios que permitirá colocar a linha Verde a 6 carruagens e acabar com o inferno que aqueles utentes passam; e em Cascais não é possível continuar a adiar a modernização, ou o sistema ainda colapsa!)

E além destas medidas, urgentes e inadiáveis para inverter o rumo de destruição dos transportes públicos, é fundamental reduzir os custos brutais que os utentes hoje suportam, atraindo novos utentes para o sistema, o que só acontecerá se se melhorar a oferta e a qualidade!

Em Defesa do Transporte Público – 22 Set, 18h00, Cais do Sodré

concentracao_22_set_2016

Por estes dias (de 16 a 22 de setembro) assinala-se a “Semana Europeia da Mobilidade”, em que múltiplas ações são dinamizadas a favor da utilização do transporte público e da bicicleta como meios de transporte primordiais. Também nesta semana – em que pelo menos se deve fingir que as políticas de transporte favorecem a utilização desses meios – os utentes do Metro de Lisboa voltaram a experimentar intervalos de 15 minutos entre veículos.

A degradação da qualidade do transporte público é sentida diariamente pelos seus utentes e pelos trabalhadores do sector, que se juntarão na próxima quinta-feira numa mobilização no Cais do Sodré pela defesa e promoção do transporte público – essencial para uma mobilidade urbana sustentável e, por isso, essencial no combate às alterações climáticas. O Climáximo apoia esta mobilização, marcando presença e apelando à participação de todxs!

https://www.facebook.com/events/1766184533648779/

Mesa Redonda: Alterações Climáticas e Transportes Públicos

 iseg poster
Dia 31 de março, quinta-feira, às 18h
ISEG: Rua do Quelhas 6, 1200-781 Lisboa (Anfiteatro 3)

Para evitar alterações climáticas irreversíveis e catastróficas temos de parar de emitir gases de efeito de estufa (GEE) urgentemente. Mais concretamente, em 15 anos, teremos de reduzir as emissões de GEE para mais de metade globalmente, e em dois terços em Portugal. Isto vai implicar uma transformação radical na forma como as nossas sociedades funcionam.

Em termos nacionais, o sector dos transportes perfaz cerca de um quarto das emissões de GEE. Desde o aumento da utilização dos transportes individuais até ao desmantelamento e privatizações das ferrovias, a questão dos transportes públicos é essencial para a justiça climática.

O sector dos transportes requer grande investimento e controlo por parte do Estado. Só assim, poderão tornar-se eficientes, massificados e acessíveis, garantindo simultaneamente um planeta justo e habitável.

Nesta mesa redonda, abordaremos a situação atual do sector dos transportes em Portugal, as suas ligações à sustentabilidade, e propostas de políticas relativas a estas questões por parte da sociedade civil.

Com a participação de:

  • Manuel Coelho, Investigador SOCIUS
  • João Vieira, Presidente da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E)
  • José Manuel Oliveira, coordenador nacional da FECTRANS (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações)
  • João Camargo, Climáximo

Moderação: Sofia Bento, SOCIUS

O evento no Facebook, aqui.